segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Resposta aos Amigos da Cuba sobre a estátua a Cristóvão Colombo inaugurada na sua terra

No ex-blog "Colombo-o-Novo" ontem rebaptizado de "Mistério Colombo Revelado" escreve o sr. Carlos Calado, dos "Amigos de Cuba", parecendo falar em nome desta associação, o seguinte pequeno artigo intitulado "A Estátua da Polémica", que transcrevemos na íntegra:

"No dia 28 de Outubro de 2006 foi inaugurado na Cuba, Alentejo, Portugal, o único monumento dedicado a Cristóvão Colon em todo o mundo. Que ninguém se surpreenda.
Todos os outros monumentos são dedicados ao tecelão genovês Cristoforo Colombo (sonhando que este se transformou no Almirante) ou ao Almirante de Castela Cristobal Colón (sem saber bem quais foram as suas origens).
A inauguração do monumento, numa iniciativa conjunta da Fundação Alentejo-TerraMãe (cujo Presidente, Dr. José Flamínio Roza, ofereceu a estátua de bronze), da Câmara Municipal de Cuba e do Núcleo de Amigos da Cuba (associação que desde há alguns anos tem vindo a divulgar e dinamizar a questão sobre a nacionalidade e naturalidade do Descobridor das Américas)
Porquê COLON? Porque foi assim que escreveu o Rei D. João II e foi assim que escreveu o Papa Alexandre VI em documentos absolutamente incontestáveis.
Mas isto faz irritar muita gente.
Amigos da Cuba - Carlos Calado"


O Pseudo-História Colombina responde:

"...foi inaugurado na Cuba, Alentejo, Portugal, o único monumento dedicado a Cristóvão Colon em todo o mundo. Que ninguém se surpreenda."

1. Pensamos que ao cidadão comummente esclarecido não seja tanto motivo de surpresa, antes de comiseração.

"Todos os outros monumentos são dedicados ao tecelão genovês Cristoforo Colombo (sonhando que este se transformou no Almirante) ou ao Almirante de Castela Cristobal Colón (sem saber bem quais foram as suas origens)".

2. O PHC crê que os Amigos e a Câmara de Cuba pecam por soberba injustificada. Todos os monumentos erguidos no mundo a Cristóvão Colombo foram-no, sem qualquer dúvida, ao italiano documentado natural dos Estados de Génova (não necessariamente tecelão, e decerto não nascido Colon...) mercenário passado de Portugal ao serviço da coroa de Castela, independentemente de esta figura ter sido rebaptizada em Castela como Colón, e como tal designado apenas no mundo de fala castelhana. Pois que o mercenário italiano e o almirante "castelhano" sempre se soube que são a mesmíssima pessoa.
Ignoramos se existe na Galiza algum monumento ao "Colombo galego", se existe na Catalunha algum em honra do "Colombo catalão", se existe na Córsega algum em honra do "Colombo corso". Mas nesta ilha, que era então em parte genovesa, existe uma antiga marca de vinho com rótulo em homenagem ao "Colombo corso". É muito diferente no entanto uma homenagem individual a uma hipótese não aceite cientificamente, do que uma mesma homenagem feita com carácter oficial. Uma coisa é existir em Verona uma falsa casa quatrocentista dita de Romeu e Julieta, atracção turística gerando fartos lucros. Outra coisa seria o município de Verona tombar essa casa como de interesse municipal, por exemplo, por ser a "verdadeira" casa dos amantes de Shakespeare.

"A inauguração do monumento, numa iniciativa conjunta da Fundação Alentejo-TerraMãe (cujo Presidente, Dr. José Flamínio Roza, ofereceu a estátua de bronze), da Câmara Municipal de Cuba e do Núcleo de Amigos da Cuba (associação que desde há alguns anos tem vindo a divulgar e dinamizar a questão sobre a nacionalidade e naturalidade do Descobridor das Américas)."

3. É uma pena que as aludidas individualidades, antes de se prestarem a cobrir publicamente teses de pseudo-história, há muito desmontadas, não tenham antes preferido subsidiar com o muito dinheiro gasto uma investigação séria. Que permitisse estabelecer com certeza em que ponto dos Estados da República de Génova nasceu esta figura, recuperada interesseiramente para a atenção mundial apenas no sc. XIX.
Evidentemente que a descoberta exacta da terra da naturalidade de Colombo, em Itália necessariamente, em nada contribui para a afirmação no mundo nem para o progresso económico do Alentejo... Que pena não terem preferido investir em Sines, na naturalidade do grande alentejano D. Vasco da Gama, dos Gamas oriundos da alentejana Olivença. O Conde da Vidigueira é verdadeiramente o maior nauta da sua era, em termos simbólicos... Embora em termos reais talvez antes o tenha sido Bartolomeu Dias. Mas isso já são outros quinhentos. Uma certeza temos: quando como cidadãos escrevemos firme mas educadamente a protestar pela filosofia que presidiu à inauguração da estátua, no blog da Cuba, fomos imediatamente censurados... o resultado da censura, está aqui.

"...Porquê COLON? Porque foi assim que escreveu o Rei D. João II e foi assim que escreveu o Papa Alexandre VI em documentos absolutamente incontestáveis...."

Tal como bastas vezes já aqui referido, existe apenas um único documento, não estudado cientificamente, aonde consta em sobrescrito o nome Colon, aparentemente por mão diferente da que escreveu a carta. A carta pode até não ser verdadeira, total ou parcialmente. Não lhe foi ainda estudado nem o estilo, nem o suporte, nem a tinta, nem as várias caligrafias que evidencia. E mesmo que verdadeira, há mais hipóteses de ser do escrivão que do Rei. E mesmo que fosse do Rei, era dirigida a um estrangeiro já em Castela, conforme o nome em castelhano já lhe vinha. Nada mais. O sr. Carlos Calado ignora que Alexandre VI era castelhano... não leu bem o nosso artigo. Naturalmente também crê que o ex-Cardeal Borja, escrito sempre Borgia em Itália, escreveria pela sua própria mão as bulas...

"Mas isto faz irritar muita gente."

Acredito. A nós não. Antes nos faria chorar. A Câmara e os Amigos de Cuba preferem oficializar teses não sustentáveis, sem rigor científico nem metodológico, teses manipuladoras aliás, pois que ignoram deliberadamente as restantes e numerosas teses. Algumas dessas teses já centenárias, de outras nacionalidades, também elas sempre por comprovar até hoje. A Câmara e os Amigos de Cuba e a Fundação Alentejo Terra-Mãe, em vez de confiar na historiografia séria, nacional e estrangeira, preferem perseguir um desígnio. A nós não nos importa e menos nos irrita que esse desígnio não seja a dignidade da verdade. Um dia, a História esclarecerá se os estranhos actos praticados no concelho de Cuba em 2006, a respeito de Colombo, foram feitos por mero bairrismo ou regionalismo, circunstância atenuante, ou por outro tipo de interesses quaisquer.

19 comentários:

P. R. disse...

Alguns mails mais aflitos têm chegado ao PHC, que não temos publicado porque um pouco autistas ou, pelo menos repetitivos. O Sr. Iltis de Sequeira, que tanto assina Federico como Frederico, aparentando ser castelhano de pai, e português de mãe, com ordem nos seus apelidos à espanhola, convencido decerto sinceramente de que a História apenas pode ser registada tal como vista, ensinada, e descrita a partir de Madri, que todos sabemos ser o umbigo do Mundo, e como tal sucessora de Roma, escreve-nos o seguinte curioso comentário:

"Caros Srs,
C. Colon não é nem nunca foi Colombo.
Vão a Madrid e informem-se junto dos universitários espanhois para o confirmar.
A Tradução de Colombo para o castelhano é palomo.
Quem o dizem são os prof. Beltran y Ruspide, Rumeu de Armas e Coin Cuenca.
Por favor acabem com essa farsa ridicula do cardador de lã genovês que terá chegado a Portugal a nado.

Frederico Iltis de Sequeira"

Caro sr. Iltis de Sequeira

Nós nem temos a certeza se Camões salvou realmente "Os Lusíadas" a nado em naufrágio na Cochinchina, quanto mais se ele nadou alguns quilómetros a fim de nos salvar a Bíblia dos Portugueses! Parece que há, no entanto, estudos coevos que o referem, e até melhor prova, o surgimento de uma fonte credível contrária, é essa a verdade que aceitamos para as proezas a nado de Luís Vaz, com a nítida desvantagem sobre Colombo de ter tido que nadar apenas com um braço, elevando no ar as resmas do papel das suas imortais rimas com o outro .

Quanto a Colombo chegar a Portugal, ao pé de Sagres, a nado ou de bote, ou caminhando por sobre as águas como Nosso Senhor Jesus Cristo, achamos irrelevante. Lembramos no entanto que assim nos chegou o corpo de São Vicente, revolvido pelas salsas ondas algarvias. Um chegou morto, dizem, o outro parece que vivo.

Quanto ao mais, como sabe, a historiografia portuguesa conheceu Colombo, e dele se ocupou, antes de o fazerem os "nuestros primos" castelhanos. Aconselhamos portanto os colegas do país vizinho a informarem-se melhor aqui no que toca, pelo menos, às origens de Colombo e ao seu período português.

Melhores cumprimentos

P.R.

P. R. disse...

Do sr. Carlos Calado, presidente dos Amigos da Cuba, recebemos esta informação:

"Caros autores do blog PHC

Do vosso post "resposta aos Amigos da Cuba" retiramos a seguinte frase:

(...)Uma certeza temos: quando como cidadãos escrevemos firme mas educadamente
a protestar pela filosofia que presidiu à inauguração da estátua, no blog
da Cuba, fomos imediatamente censurados... o resultado da censura, está
aqui.(...)

Resposta:
Desconhecemos qual o blog a que se referem, mas não é um blog da
responsabilidade do Núcleo de Amigos da Cuba. Não mantemos nenhum blog
activo(fizemos uma experiência, em Novembro 2005, que não mantivemos por
falta de disponibilidade)e apenas colaboramos agora, há dois dias, com o blog
"O mistério Colombo revelado".
Portanto, se foram censurados, não foi por nós. Não tememos o debate nem o
contraditório. Só pondo permanentemente em causa a tese que defendemos a
podemos consolidar perante os outros e perante nós próprios, validando
sucessivamente os indícios, pistas e provas quando confrontadas com os dados
da historiografia comummente aceite.
melhores cumprimentos
Carlos Calado - (Núcleo de Amigos da Cuba)".

Caro sr. Carlos Calado

Não foi realmente no sítio do Núcleo de Amigos da Cuba, que só agora visionámos na net, que fomos censurados. A vossa página aliás não me pareceu que tivesse fórum, ou espaço para comentários de visitantes.

Em relação ao segundo parágrafo, afigura-se incompreensível que, antes de os Amigos da Cuba terem certezas sobre o que pesquisam quanto à naturalidade de Colombo, apadrinhem com a vossa presença, e discurso público, publicado na rede, a inauguração de uma estátua oficial contendo no seu pedestal dizeres estrambólicos. Dizeres mpossíveis certamente de comprovar no decurso deste terceiro milénio recém-iniciado.

É no entanto evidente que a mais grave responsabilidade do facto assenta na Câmara de Cuba.

Cumprimentos

P. R.

P. R. disse...

No blog O Mistério Colombo Revelado, diz o sr. Carlos Calado, além da tradicional tese desenquadrando o conjunto das fontes, argumentos do "mistério" que já conhecemos, o seguinte:

"...Agora, o que ninguém pode aceitar é que esteja assinado Colombo.
O Descobridor das Américas NUNCA se assinou como Colombo."

Tem toda a razão, sr. Carlos Calado. E também NUNCA se assinou Colomo, e também nunca se assinou Colón... apesar de assim o chamarem em Castela sempre. Alguma vez pensou que justamente não quisesse assinar o sobrenome porque Colombo em Castela ninguém saberia quem era, e Colón, deturpação do seu verdadeiro nome, lhe repugnasse a assinar? É uma hipótese a não descartar...

Cps.

P. R.

P. R. disse...

Escreve-nos o sr. Pedro Soldado:

"Aos que se espantam com as hipotéticas proezas natatórias de Colombo, e ainda com a mais difícil, porque acrobática, de Camões, lembro que os nossos
jovens Fuzileiros as cumprem com uma perna às costas. Com efeito, é
exercício comum destes a travessia a nado do Tejo. Farda de combate,
botifarras, mochila carregada de armamento e víveres e metralhadora em punho!
Verão ou Inverno, gelados ou tant bien que mal, lá cumprem, sem que haja notícia de afogamentos. A bem da verdade, os que desistem, têm perto um "borracha" de apoio para a eventualidade, mas os que terminam a missão nadaram uns bons Kms. Quantos? Quantos tem a ponte Vasco da Gama? Para aí uns dez ou
doze! Assim, sempre que virem um marinheiro de boina, lembrem-se que, em princípio, será tão bom nadador como Colombo, ou melhor, porque fez o mesmo com peso elevado, enquanto que o outro terá aportado quase nuzinho à costa!

PS".

Caro sr. Pedro Soldado

Foi um prazer lê-lo, relembrámos os tempos da nossa recruta em Cavalaria, e a forma imprevista em como conseguimos sobreviver à terrível pista dos Comandos... Mas não há milagres, realmente, a própria Vida é o milagre, e por cá estou ainda...

Aliás, experientes marinheiros, como parece que foi o caso de Colombo, supõe-se que desde os 14 anos de idade, costumam nadar muito bem, e o homem era novo quando chegou a Portugal. E que não fosse, bastava saber boiar, e ter a corrente a seu favor, para arribar à costa facilmente. Com ou sem tábua de salvação...

As nossas melhores saudações aos bravos Fuzileiros de Portugal!

P. R.

Anónimo disse...

POR FAVOR! Digam-nos AONDE E COMO é que esse mercenario saloio adquiriu os vastos conhecimentos cientificos, as boas maneiras e frequentou as coroas ibericas sem cartas de recomendaçao????

Anónimo disse...

Aonde surge pela PRIMEIRA VEZ o nome COLOMBO (senão em 1504 na obra de Angelo Trevisano, intitulada “Libretto di tutte le Navigationi di Re de Spagna”)??!!?

QUANDO E AONDE???? ;-)

boas festas igualmente

J. C. S. J. disse...

Começa a tornar-se demasiado insistente, pelo que se sugere a leitura prévia do que aqui já foi escrito, pois poupar-lhe-á muitas angústias.

Como muito bem pode ver num dos textos já aqui publicados, se quisermos descartar Rui de Pina, um contemporâneo de Cristóvão Colombo, temos ainda de considerar pelo menos os seguintes autores:
1493, R.L. de Corbaria – Columbo
1501, Angelo Trevisan – Columbo, Colombo
1502, O anónimo do planisfério de Cantino – Colonbo

Anónimo disse...

Ora vejamos…

(A) – RUI DE PINA

Em primeiro lugar, convem esclarecer a Va. Exa. que Rui de Pina terá escrito « Colombo » DEPOIS da publicação dos best-sellers romancistas italianos (incluindo os de Angelo Trevisano) que percorreram a Europa e NAO ANTES!

Damião de Góis considerou-o um escritor imoral, pois ousou atribuir-se como sendo obra sua – as crónicas de Fernão Lopes e de Gomes Eannes de Zurara. E esta opinião foi partilhada pela quase totalidade dos críticos de numerosa lista, entre os quais Edgard Prestage, Mendes dos Remédios(66) e Aubrey F. G.Bell.
1 – Além de se alhear da ética, quanto à propriedade profissional, Rui de Pina distorceu e deturpou intencionalmente factos históricos, por lacunas de conveniência politica, inexactidões e mutilações dos textos que ia adaptando.
Para mais, deu provas de corrupção. O cronista João de Barros, refere que o “grande Capitão” D. Afonso de Albuquerque, Vice-Rei da Índia (quando a inveja e ância de poder impelira os seus rivais a contestar-lhe a governação do Oriente), viu-se na necessidade de enviar a Pina anéis, colares e outras prendas preciosas, para assegurar certa benevolência naquilo que ele escrevia a seu respeito. Tentava, assim, antecipar-se aos seus inimigos no suborno ao historiador oficial do Rei.
O Dr. Manuel Gonçalves Cerejeira (futuro Cardeal Patriarca) ainda publicou piedosamente uma obra em defesa de Pina, mas viu-a logo polemicamente refutada.
2 – Num brilhante estudo bio-bibliográfico, o Dr. Domingos Maurício Gomes dos Santos observa:
“(...) a obra que se lhe atribui tem de ser sujeita a uma cuidadosa revisão das fontes, para estabelecer o que nela há de aproveitável à refundição da nossa história medieval”.
Todavia este erudito crítico concentrou o estudo no período da 1º dinastia que termina com o reino de D. Duarte. Note-se que infelizmente a maioria dos autores estrangeiros – como R. Henry Major – reproduzem todas as fantasiosas deturpações de Pina.

(...) 2 – Todas estas publicações italianizantes precederam a “Crónica de D.João II” que Pina teria escrito, por volta de 1518-1519, 4 anos antes de falecer.
Tinham sido divulgadas por toda a Europa, particularmente os “best-sellers” de Trevisano (1504) e de Montalbodo (1507), que provocaram frenético interesse em Castela. É pois inconcebível que o cronista português, historiador oficial da Coroa, pudesse ignorá-los. Portanto, continuemos a considerar a hipótese de Pina, em 1519 ter escrito “Cristóvão Colombo, italiano”, não só por ordem do Rei, mas também auxiliado pela versão – falsa, mas útil – propalada pelos burlões italianos.
3 – Além de Pina, que outros escritores portugueses cairam no logro de chamar COLOMBO a Colom?

Segundo Frei António Dias Dinis, em conclusão da análise da obra de Pina, assinala que este só teria escrito ou refez, realmente, as Crónicas de D. Sancho I, a de D. Afonso IV, e que, por equívoco dos copistas, lhe foram atribuidas indevidamente as de D.Duarte, D.Afonso V e D.João II.
Se, só “por equívoco dos copistas”, os historiadores julgaram ter Pina escrito a Crónica de D.João II, não foi ele que afirmou “Cristóvão Colombo, Italiano”.

In : Colombo Português - Provas Documentais - Vol.I - páginas 56/60)

Anónimo disse...

B) – ANGELO TREVISANO

Como ja tive oportunidade de esclarecer ao seu amigo "Vicomte" Urvoy, de facto a primeira vez que surge na historia o nome Colombo foi na traduçao de Trevisano das Decades datada de 1501. E depois no seu romance "Historico" intitulado “Libretto di tutte le Navigationi di Re de Spagna” (1504). Antes disso NUNCA se chamou Colon por COLOMBO !!

Doze anos depois da génese da fraude, devida à invenção de Anghiera de que Colom seria “lígure”, apareceu outro italiano, Angelo Trevisano, de Veneza, que obteve cópias de algumas cartas do vigário-capelão real. Comtais cópias compos o “Libretto di tutte le Navigationi di Re de Spagna”, impresso em 1504, mas do qual não resta qualquer exemplar.
Segundo Montalbodo (de quem já trataremos), Trevisano, na sua tradução para italiano, apresenta o navegador como “Cristoforo Colombo Zenoveze”. A mistificação fora ampliada. Cristophom já é Cristoforo (o que admite pela derivação latina) e Colonus foi adulterado para Colombus, o que é intolerável tanto mais que Anghiera, continuando a escrever as suas “epístolas# até 1525, persistira em dar a Colom o legítimo apelido castelhano-latinizado de COLONUS.
Em Agosto de 1501, Trevisano enviou a um seu conterrâneo, Domenico Malipero, uma sua tradução para italiano da outra edição de Anghiera: a referida “Decades”.
Nesta nova versão, Trevisano mensiona “a grande amizade e o convívio que (Angheira) tinha com o navegador, a quem chamava (como se referiu) Christophoro Colombo zenoveze”.
É totalmente falso. O investigador Bayerri Bertomeu também consultou a 1ª edição das “Decades” de 1500 e classificou-a como sendo “(...) de autenticidade suspeita, com uma nova versão da origem colombina, acomodada ao paladar do público letrado da Itália que devorava estas Decades, dando exemplo disso o próprio Papa Leão X, que as lia de sobremesa a sua sobrinha e aos Cardeais”.
Por conseguinte, não admira que Corumberger tivesse escrito, em 1511, “Christophorus Colonus quidam, ligur vir”. Contudo, mesmo publicando a obra de Anghiera para a clientela italiana, o alemão manteve o apelido Colonus e não Columbus, fabricado por Trevisano.

In : Colombo Português - Provas Documentais - Vol.I - páginas 23/24)

Anónimo disse...

C) – CANTINO

Este tera escrito "Colonbo". Mas aonde foi ele buscar tal informação ?? E certo que Cantino, como todos os italianos cultos, também terá lido a famosa e fantasiosa versão de Trevisano das Decades onde este ultimo substituiu o nom Colonnus por Colombus !
O exemplo de cantino é muito fraquinho !!!!

Anónimo disse...

BONUS :

D) - Garcia Resende

«
O Sr Vasco Graça Moura apontou, exultante, Garcia de Resende – que foi o ÚNICO. Quem era este representante da nossa literatura do século XVI? Poeta, desenhador e músico, famoso pela sua descomunal obesidade, distinguiu-se por compilar poesias dos seus contemporâneos, reunidas num “Cancioneiro Geral”. Por volta de 1540 escreveu uma obra(80) que Alexandre Herculano(81) avaliou como “mesquinha colecção de historietas, onde apenas avultam algumas páginas com o suplício de un nobre (D.Fernando II, 3º Duque de Bragança), o assassínio de outro (D. Diogo, Duque de Beja) e o mystério de um rei que morre, ao que parece, invenenado (D.João II)”.
Mendes dos Remédios(82) explica que Resende decalcou – meio século depois – a crónica de Rui de Pina (ou a sua cópia). Também não existe original manuscrito da “crónica” de Resende e somente uma cópia da qual se fez a 1ª edição em 1545. E Remédios critica:
“(...) usando sensivelmente das mesmas concepções, ideias e pensamentos, e até as próprias palavras, acrescentando apenas, aqui e além, alguns factos próprios”.
Como sempre o Sr. Vasco Graça Moura escolheu um péssimo exemplo, também apresentando Resende como autor original do “Colombo italiano”. (…) »


In : Colombo Português - Provas Documentais - Vol.I - páginas 60/61)

Anónimo disse...

Va.Exa escreve : « 1493, R.L. de Corbaria – Columbo »…

O que é isto ? em que documento ? e escrito por quem ?

J. C. S. J. disse...

A) Descartou-se Pina na resposta porque na linha de argumentos que segue estes já eram de esperar. Obviamente que Pina tem de ser demolido para que todas as patranhas possam vegetar.
B) Não conheço nenhum visconde logo não posso ter um por amigo. Começando um comentário nesses termos, tudo o resto deixou de merecer-me qualquer atenção para além da que o papel de moderador me exige.
C) Esta é básica: Cantino é o nome do agente do duque de Ferrara que comissionou o trabalho a um cartógrafo da Casa da Guiné. Por não se conhecer o nome desse cartógrafo a obra que ele fez é designada pelo nome do agente. Por aqui se avalia a qualidade de tudo o resto que escreve.
Bónus: Pesquise no Google os termos que deseja pois as respostas que procura geralmente encontram-se lá.

Anónimo disse...

Nao, nao é nada disso. Por favor não fujamos ao assunto ;-)...

A) Em que documento foi Rui de Pina buscar a informaçao de que Colon passa a ser Colombo, senão nos livros italianos que percurreram a Europa?

B) O falso "visconde" (jean-michel urvoy) é o autor do blog insultuoso "Faits-Divers" que Va. Exa publicita neste blog.

C) Podera ler a historia mais completa de Cantino no meu blog:
http://christophecolomb.blogspot.com

J. C. S. J. disse...

Onde é que Pina, Barros, Resende, Góis, Correia, Castanheda, Lopes, Zurara, etc., etc. vão buscar as informações para as crónicas que escreveram?

Quanto a Cantino, talvez devesse incluir no texto os detalhes da viagem da armada de Cabral omitidos, o que uma vez feito conduzi-lo-á a outras conclusões.

Anónimo disse...

Caro J.C.S.J.,


1) – Cantino assim como o Duque de Ferrarra não nos interessam para nada no nosso estudo! Leram as Decades e então? O quê que isso nos importa?

2) – Como Va; Exa deve saber perfeitamente, Fernão Lopes assim como Zurara ficaram conhecidos por serem dos poucos historiadores que iam buscar informações SEGURAS.
Muitos dos outros limitaram-se a COPIAR textos SEM averiguar a vericidade, MENTIAM por interesses ou simplesmente INVENTAVAM quando não sabiam.

3) – Está claro que Va. Exa. teima em não reconhecer que, tanto Rui de Pina como Resende ou Graça Moura(*), não sabiam absolutamente NADA sobre Colom a não ser o que foi publicado na Italia e ao gosto do publico italiano. Está no seu direito..

A verdade é que

Hoje, a maoir parte dos Investigadores colombinos refutam categoricamente o romance-ficção que representa a tese genovesa !
E o que nos diz esse romance "historicos" italiano? -« Que um TABERNEIRO/NADADOR/SALVADOR-VIDAS genoves chamado """"Colombo"""", depois de se ter tornado Campião Mundial de triathlon mistura-se com a mais alta aristocracia Iberica e vai tornar-se (em tempo record) o mais nobre e valente e sabio na arte de navegar de todos os cientistas/militares (cosmonautas) da época.

Aliás, estes ultimos, é claro, eram quase todos italianos e foram eles que ensinaram os portugueses a navegar. ;-)))

A cada um de acreditar o que quizer …


(*) Graça Moura, autor da « (…) Floresta das Asneiras » :

Sugiro-lhes que leiam este livrinho. De seguida, leiam as Provas Documentais da nacionalidade portuguesa do navegador da autoria de M.Barreto. Logo se aperceberam porque razão Graça Moura desapareceu na Floresta.

J. C. S. J. disse...

Cada tiro, cada melro...

Anónimo disse...

resposta muito inteligente. sim senhor...

Paul Langevin disse...

Il est intéressant de signaler que le Vicomte Jean-Miichel Urvoy n'a jamais existé. Il s'agit d'une invention de Pizzaro et du crétin Velum.

Voir cette page :http://cosmos.oninetspeed.pt/hall9000/le%20vicomte.htm

Le photo qu'ils affichent sur cette page est celle de Nito Verdera.

Autre précision : Le blog aujourd'hui disparu intitulé "Faits-Divers" était entretenu par une personne nommée Maurice Charles de la Salle avec un groupe d'amis. Ces personnes possèdent des informations et des documents très intéressants sur le faussaire Barreto.

Suite à des menaces effectuées par Velum et des tentatives d'intimidation, avec la publication d'informations personnelles (adresse numéro de téléphone totalement faux !) par plusieurs sbires de Barreto, sur des membres de l'Association l'Amiral de la Mer Océane qui n'étaient nullement responsables de ce blog, et sur les rédacteurs de ce blog qui l'étaient totalement, une décision à été prise de supprimer les pages du Blog "Faits-Divers".

Pizzaro et Velum, qui est domicilié à Bordeaux, en ont profité pour intensifier leurs attaquent contre Jean-Michel Urvoy qui a publié des documents authentiques d'origine portugaise qui permettent de mette en doute la théorie de Barreto.


Aujourd'hui Jean-Michel Urvoy collabore avec l'Université du Texas sur un programme d'archéologie navale. Il étudie les épaves de léépoque de Colomb trouvées dans le gomle du Mexique et la Mer des Caraïbes.

La réalité est parfois beaucoup plus simple que les coups tordus montés par Pizzaro, Barreto et le petit Velum qui attaque toujours les gens par derrière et de manière de manière anonyme....

Il existe une preuve que Barreto n'a jamais été professeur est que c'est un faussaire, la voici :

http://kristol-goulm.blogspot.com/2008/10/portait-dun-charlatan.html

Faites parvenir vos informations à l'auteur de ce blog.


Paul Langevin
Université de Créteil.
France.