quinta-feira, 30 de novembro de 2006

A (suposta) benção hebraica de Cristóvão Colombo

Segundo Luciano da Silva em Colombo era 100% Português Cristóvão Colombo tinha conhecimentos de hebraico, tal como Mascarenhas Barreto tinha avançado anteriormente, e por isso colocava as letras Beth e Hê ב ה (aqui postas à maneira hebraica ou seja da direita para a esquerda) como abreviatura de Baruch Hashem (Bendito seja Deus ou Bendito seja o Nome, na tradução literal).


Mas, olhando atentamente para o documento que é apresentado, não se vêem as alegadas letras hebraicas, quer seja em letra de imprensa ou quadrada (tal como registado acima) quer na sua forma cursiva ou manuscrita, em que o beth é sensivelmente semelhante à forma de imprensa e o hê se pode descrever grosseiramente como dois semi-círculos.

O hebraico é escrito da direita para a esquerda, por isso não seria de esperar que a referida benção estivesse escrita no lado direito da página?

Esta ideia de caracteres misteriosos surge também no Mistério de Colombo Revelado na p. 510, fig. 16.14.

Bibliografia da controvérsia (04)

  • SILVA, Manuel Luciano da. Os Pioneiros Portugueses e a Pedra de Dighton, Porto, Brasília Editora, 1974.

Trad. de Portuguese Pilgrims and Dighton Rock, Bristol, Nelson D. Martins, 1971.

  • SILVA, Manuel Luciano da. «Columbus wasn’t Columbus», Massachusetts Academy Magazine, Outono-Inverno, Vol. III, n.º 3, 1989-1990, pp. 3-10.

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Como Colombo (não) mente

A interpretação abusiva de documentação n’O Mistério Colombo Revelado leva a que se extraiam dela conclusões erradas, contudo tal só seria de estranhar se esta não fosse usada para justificar ideias previamente concebidas.

Ele sabia onde estava e sabia muito bem o que estava a fazer quando mentia. Era o próprio Cristoval Colon que estava a fornecer os falsos testemunhos, como mostram claramente estas duas cartas para o seu filho Diego Colon:

Sevilha, 21 de Dezembro de 1504
(...)
Querido filho: A transcrição da carta que te envio. Queria que o Rei Nosso Senhor ou o Senhor Bispo de Palência a vissem antes de eu enviar a carta, para evitar falsos testemunhos.

Sevilha, 29 de Dezembro de 1504
(...)
Querido filho: Com Don Hernando [Colon] escrevi-te profusamente, o qual partiu para lá, faz hoje 23 dias... com elas vai a transcrição de uma carta que escrevo ao Santo Padre das coisas das Índias... Envio esta transcrição para que a veja Sua Alteza ou o Senhor Bispo de Palência, para evitar falsos testemunhos. A paga desta gente que foi comigo está atrasada.

Colon escreveu uma carta ao Papa acerca das coisas das Índias (Novo Mundo) das quais ele era o melhor e único perito, mas estava preocupado que esta sua carta contivesse falsos testemunhos, pelo que o Rei ou o Bispo a deviam rever. Quem escreveria falsos testemunhos na própria carta de Colon? Pensamos que a resposta é óbvia. Colon estava a dar falsos testemunhos sobre o Novo Mundo desde 1493, e agora o Rei ou o Bispo precisavam de verificar os factos falsos, face à presente carta, para se certificarem que iam ao encontro das anteriores versões dos factos dados ao Papa, de modo a que não parecessem falsos agora.
(O Mistério Colombo Revelado, pp. 147-148)


A minha interpretação dos documentos na forma apresentada:
Cristóvão Colombo está a dar conhecimento ao filho do que escreve e quer este faça chegar ao Rei ou ao bispo de Palência o conteúdo das cartas que vai enviar a terceiros, para que depois não cheguem ao Rei ou ao bispo de Palência notícias deturpadas do que realmente escreveu a esses terceiros.
Nada nestas cartas indicia que Cristóvão Colombo desse falsos testemunhos ao Rei ou ao bispo de Palência. A sua intenção era evitar ser caluniado por causa de cartas que escreve a terceiros e do conteúdo das quais o poder não tinha conhecimento.

Nacionalidade de Colombo (01)

No Mistério Colombo Revelado afirma-se na p. 70 que Colombo era português dizendo-se que até na corte de Castela a rainha D. Isabel a Católica reconhecia a sua nacionalidade.
Para provar este reconhecimento da nacionalidade portuguesa pela Corte castelhana apresenta-se na p. 71 fig. 2.4 um excerto dum documento que parece ser do Livro de Quintanilla (onde estavam registadas as doações de D. Isabel), apud Antonio Rumeu de Armas, p. 29.
Na imagem que consta reproduzida apenas se pode ver o seguinte:
“Item. Di mas a [espaço em branco] portugues este dia treynta doblas castellanas”


Ou seja, apresenta-se como prova da nacionalidade portuguesa de Cristóvão Colombo um documento que não tem nome. Baseia-se tal teoria no referido Rumeu de Armas e outros autores cujos documentos não são apresentados ou referenciados.
A ideia que perpassa é que no espaço em branco deveria constar o nome de Cristóvão Colombo (mas que não está como se pode ver pela imagem), provando-se desse modo a sua nacionalidade.
Não causa qualquer estranheza que logo na p. 72, se cite o mesmo livro de Quintanilla, aí sim com o nome Cristóbal Colomo dizendo apenas que ele era estrangeiro. Passo a citar a transcrição do referido Rumeu de Armas contida no Colombo Revelado na dita página:
“No referido dia, dei a Cristóbal Colomo, extranjero, três mil maravedis”.

De [espaço em branco] português passou a Don Cristoval Colon, que por sua vez passou a ser Cristóbal Colomo estrangeiro e tudo isto para provar que Cristóvão Colombo é Português.

Adenda
(29-11-2006 22:05)

O Mistério Colombo Revelado, p. 70.
Don Cristoval Colon era um nobre em Portugal que se mudou para Castela em finais de 1484, após se ter dado a traição para matar o Rei D. João II, e, segundo este documento da corte da Rainha D. Isabel, Don Cristoval Colon era «Português». Isto não é história fantasiada. O documento que o prova existe e não foi forjado ou interpretado incorretamente (ver Figura 2.4). Esta transcrição do documento foi retirada do livro El Português Colon de Antonio Rumeu de Armas, página 29.

Legenda da Figura 2.4, p. 71.
Figura 2.4: O Colon português. Esta secção do livro de registos de D. Isabel mostra que se referiam a Colon como português. Está escrito com toda a clareza na segunda linha após o espaço em branco, mas não lhe é dado nome. (...)

Das citações de dois sítios diferentes do livro só se pode concluir que Colombo é português.
A conclusão no livro baseia-se no documento cujo fragmento é apresentado (obviamente como prova) e que neste local se reproduz.

Honestamente, o documento em causa em lado algum diz que o espaço em branco é Colombo ou algum dos seus imaginários heterónimos.

Cuba (03)

Alguém me fez chegar há alguns dias a seguinte informação relativa ao diário da primeira viagem de Cristóvão Colombo, o que desde já agradeço e a quem renovo o convite para aderir a este Blog.

Registo de 20 de Outubro de 1492:

(...) y después partir para otra isla grande mucho, que creo que deve ser Çipango, según las señas que me dan estos índios que yo traigo, a la cual ellos llamam Colba.

Por outro lado, encontram-se várias referências ao facto dos cubanos que Colombo encontrou chamarem à sua própria ilha Cubanacán.
A confirmar-se esta notícia, não se tornará muito difícil de deduzir que, por apócope, Cubanacán poderá ter dado origem ao actual nome de Cuba.

Outras referências há que podem indiciar a origem do nome Cuba como da kuban = o meu campo, a minha terra.

Faltam nesta nota referências e contextualização, mas tudo isto são vias de investigação e pesquisa que poderão ser exploradas para encontrar uma resposta satisfatória para o porquê do nome da actual ilha de Cuba.

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Bibliografia da controvérsia (03)

  • ÁVILA, Artur Lobo de; FERREIRA, Saul dos Santos. Cristóbal Colón: Salvador Gonsalves Zarco, Infante de Portugal, Lisboa, Tip. Empresa Nacional de Publicidade, 1939.
  • FERREIRA, G. L. dos Santos. Salvadôr Gonsalves Zarco: Cristóbal Colon, Lisboa, Centro Tip. Colonial, 1930.
    Contém Os Livros de Dom Tovisco e Confirmações Históricas de António Ferreira de Serpa.
  • PESTANA Júnior. D. Cristóbal Colom ou Symam Palha na História e na Cabala, Lisboa, Imp. Lucas , imp. 1928.

domingo, 26 de novembro de 2006

Bibliografia da controvérsia (02)

  • NAIA, Alexandre Gaspar da. A gênese do equívoco colombino: um Colombo corsário e um Colombo “lanério”, São Paulo, Secção Gráfica da Univ. de São Paulo, 1954, pp. 351-369, Sep. da Revista de História, n.º 20.
  • NAIA, Alexandre Gaspar da. As concepções geográficas de Cristóbal Colon, São Paulo, Secção Gráfica da Univ. de São Paulo, 1954, pp. 201-209, Sep. da Revista de História, n.º 19.
  • NAIA, Alexandre Gaspar da. Colombo e Colon: mentiras transitórias e verdades eternas, Lisboa, Petrony, 1956.
  • NAIA, Alexandre Gaspar da. Cristóbal Colon: instrumento da política portuguesa de expansão ultramarina, Coimbra, Coimbra Ed., 1950.
  • NAIA, Alexandre Gaspar da. D. João II e Cristóbal Colón: factores complementares na consecução de um mesmo objectivo, Coimbra, Coimbra Ed., 1951.
  • NAIA, Alexandre Gaspar da. O problema colombino resolvido, São Paulo, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, 1954, pp. 353-384, Sep. da Revista de História, n.º 18.

sábado, 25 de novembro de 2006

Preconceitos

No Forum da GENEA decorrem várias discussões em torno de Colombo. A maior parte com contributos de grande valor que aconselho a sua consulta a quem esteja interessado em fontes e citações dessas fontes. Posso já avançar que a maior parte dos cronistas e documentos contemporâneos de Colombo apontam que a sua origem é italiana ou genovesa.
Mas, resolvi verificar uma outra linha de discussão que se prendia com a possibilidade de Colombo ser judeu. E então descobri algumas pérolas:
De acordo com um dos intervenientes as provas de ADN indicavam que Colombo não era judeu porque o ADN era dum europeu! Para além disso era ruivo e tinha olhos azuis.
Não podia ser judeu porque casou com a sobrinha do guarda-costas do rei e tinha um brasão de armas em Portugal, para além disso comunicava directamente com o rei de Portugal.

Ficamos a saber que os judeus não são europeus, não têm cabelo ruivo ou olhos azuis. Assim como também não tinham brasões de armas e muito menos comunicariam com o rei português. Fica-se também a saber que quem proferiu tais afirmações não conhece minimamente a sociedade portuguesa da Idade Moderna.

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Bibliografia da refutação (02)

  • ALBUQUERQUE, Luís de. Colombo - Columbus, Lisboa, CTT, 1992.
  • ALBUQUERQUE, Luís Mendonça de. Dúvidas e Certezas na História dos Descobrimentos Portugueses, 2 vols., Lisboa, Círculo de Leitores, imp. 1991.
    Especialmente o vol. I, cap. X, «Lá vem Cristóvão Colombo, que tem muito que contar...», pp. 105-175.
  • COSTA, António Domingues de Sousa. «Cristovão Colombo e o Cónego de Lisboa Fernando Martins de Reriz, Destinatário da Carta de Paulo Toscanelli sobre os Descobrimentos Marítimos», Antonianum, n.º 65, Roma, Pontificium Athenaeum Antonianum, 1990.
  • LANCASTRE e TÁVORA, Luís de. Colombo, a Cabala e o Delírio, Lisboa, Quetzal, 1991.
  • MARQUES, Alfredo Pinheiro. «Epilogue: Triumph for da Gama and Disgrace for Columbus», Portugal: the Pathfinder. Journeys from the Medieval toward the Modern World. 1300-ca.1600, ed. de George Winius, Madison, Luso-Brazilian Review-University of Wisconsin, 1995, pp. 363-372.
  • MARQUES, Alfredo Pinheiro. «O Sucesso de Vasco da Gama e a Desgraça de Cristóvão Colombo», Las Relaciones entre Portugal y Castilla en la Epoca de los Descubrimientos y la Expansion Colonial. Actas del Congresso Hispano-Português (Salamanca, 1992), ed. de Ana Maria Carabias Torres, Salamanca, Universidad de Salamanca - Sociedad V Centenário del Tratado de Tordesillas, 1994, pp. 181-194.
    Reed. Biblos. Revista da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, vol. LXX, Coimbra, FLUC, 1994, pp. 119-137.
  • MARQUES, Alfredo Pinheiro. «Os Objectivos e as Teses deste Livro», Portugal e o Descobrimento Europeu da América. Cristovão Colombo e os Portugueses, 2ª ed., Lisboa, Círculo de Leitores, 1992.
  • MARQUES, Alfredo Pinheiro. As Teorias Fantasiosas do Colombo "Português", Lisboa, Quetzal, 1991.
  • MOURA, Vasco Graça. Cristóvão Colombo e a Floresta das Asneiras, Lisboa, Quetzal, 1991.
  • SÃO PAYO, Luís de Mello Vaz de. «Carta aberta a um “curioso” de Genealogia», Armas e Troféus, IX Série, T. I, 1999, pp. 181-248.
  • SÃO PAYO, Luís de Mello Vaz de. «Carta aberta a um agente secreto», Armas e Troféus, VII Série, T. I, 1996, pp. 5-53.
  • SÃO PAYO, Luís de Mello Vaz de. «Primeira Carta Aberta a Mascarenhas Barreto», Armas e Troféus, VI Série, T. VI, 1994, pp. 5-52.

in Genea


Última actualização: 8-2-2008

Assinatura de Colombo (03)

Um coisa que intrigou bastante os autores do Colombo Revelado foi o que identificaram como um monograma composto por várias letras sobrepostas, a saber: S de Salvador; F de Fernandes; e Z de Zarco. Assim, Cristóvão Colombo passou a ser Salvador Fernandes Zarco de acordo com a teoria dos autores.
Para a provar apresentam na p. 411 uma série de fotografias de documentos onde consta o famoso monograma perto da assinatura.


Olhando, somente para as fotografias sem conhecer os documentos e sem saber quem são os seus autores pode-se chegar às seguintes conclusões:
O chamado monograma é apenas a abreviatura de POR ou PRO com um maneirismo (algo que, ao longo dos tempos, é muito comum em início e fim de palavra), ou seja, é um P cortado (ver Borges Nunes, Abreviaturas Paleográficas, Lisboa, Faculdade de Letras, 1981, pp. 7 e 8 ou então passar uma temporada na Torre do Tombo a consultar documentação dos séculos XV e XVI).
Como é que se sabe que é uma abreviatura que se desenvolve por POR?
Porque se lê: “Por tu padre que te ama como a sy” onde se segue a assinatura.


“Por tu padre que te ama” seguida da assinatura.

“Por tu padre que te ama mas que a sí /” seguida da assinatura.

A foto 4 apresenta um exemplo de maneirismo final que serve para trancar a linha.
"Memorial del Almirante don Christoval pera su hijo don Diogo Colon /"

A foto 5 apresenta a abreviatura de POR logo seguida da assinatura. Mas, comparando esta assinatura com as anteriores, verifica-se que a forma de escrever o X, o P e o til por cima do XPO é diferente, o que quer dizer que esta assinatura foi feita por alguém que conhecia muito bem a assinatura do Almirante, talvez o seu escrivão, que assinou por ele. Deste modo quer dizer que esse alguém assinou POR Cristóvão.

Assinatura de Colombo (02)

Os autores do Colombo Revelado referem na p. 410 que na assinatura de Colombo em vez de FERENS devia estar FERNES porque isso é que é a abreviatura de Fernandes.
Os mesmos autores que consideram Cristóvão Colombo, letrado de alta nobreza e conhecedor de diversas ciências não se espantam que o Almirante sistematicamente não saiba assinar o seu próprio nome.
Para além disso, Colombo não assinalava que se tratava duma abreviatura colocando um til ou sinal diacrítico por cima da palavra, tal como sempre fazia com XPO. Isto leva-me a concluir que afinal pode não ser uma abreviatura, e menos ainda será FERNANDES.
Tendo os autores razão, todos os documentos onde consta a assinatura de Colombo estão errados. Isto porque os autores têm a teoria que FERNES é a abreviatura de Fernandes e que XPO não é a abreviatura de Cristo mas sim Salvador. Assim sendo Cristóvão Colombo passou a chamar-se Salvador Fernandes de acordo com os mesmos. Por outros caminhos chegam à mesma conclusão que outros antes deles.
Os autores para provarem que o Fernandes vindo do FERNES que lá devia estar, mas não está (todas as assinaturas estão bem nítidas que é FERENS escrito em maiúsculas para não haver confusão), apresentam uma legenda dum quadro do século XVIII escrita em espanhol onde consta FERNZ (com o til indicando uma abreviatura).
Bom, a abreviatura em português do século XV e posteriores pode ser Ferz, Fez, Ffrrz ou Ffrz todas com til claro. Nunca encontrei uma abreviatura semelhante para Fernandes, muito menos sem um qualquer sinal diacrítico.

Brandão Ferreira - Cristovão Colom (01)

Dá-se aqui início a uma série de comentários ao artigo de João José Brandão Ferreira, «A Questão Cristóvam Colom e a sua Actualidade para Portugal», Revista Militar, Maio 2006.
Este artigo mostra como as ideias veiculadas pela pseudo-história são apropriadas e reinterpretadas para serem postas ao serviço de ideais ou visões determinadas da sociedade.
Com esta observação não se quer significar que a História seja imune ao seu uso para fins ideológicos, contudo uma coisa é partir para uma reflexão política, ideológica, filosófica, ou qualquer outra com base na História outra coisa é fazer o mesmo partindo de pseudo-histórias. É que se num debate, ou pior ainda, numa acção, as premissas são diferentes os resultados necessariamente também o serão.

-*-

A História de Portugal regista no seu seio um número considerável de mistérios ou de questões que até hoje não foram completamente esclarecidos.

O mesmo sucede com a História Universal. Não há nenhuma especificidade portuguesa nos mistérios.

Estão neste caso entre muitas:
– A questão sobre o “milagre” de Ourique;


Os milagres são objecto da História? E será que Deus existe? E se existe dar-se-á ao trabalho de intervir nos assuntos humanos? E intervindo nuns, porque não noutros bem mais prementes, moralmente falando?

– O que se passou nas primeiras cortes de Lamego;
– As navegações para Ocidente a partir dos Açores;
– O que aconteceu ao espólio do Infante D. Henrique;
– O significado do Políptico de S. Vicente de Fora;
– O que se passou em termos de navegações entre a viagem de Bartolomeu Dias e a preparação da Armada de Vasco da Gama;
– O afastamento de Pedro Álvares Cabral de qualquer vida pública após a viagem em que descobriu oficialmente o Brasil;


Poderá simplesmente ter-se reformado, indo viver dos rendimentos.

– A reforma das Ordens Militares ao tempo de D. João III;

Isto é um problema?

– O desaparecimento de D. Sebastião em Alcácer Quibir;

Ao referir desaparecimento em vez de morte é porque tem dúvidas. Crerá assim no Mito do Encoberto?

– O Processo dos Távoras;
– A expulsão dos Jesuítas;
– O porquê da construção do convento de Mafra;
– A morte de D. João VI;
– O assassinato do Rei D. Carlos I;
– O desaparecimento das jóias da coroa portuguesa;
– E, mais recentemente, a morte do General Humberto Delgado e o caso Angoche.


Um bom rol de enigmas ao qual se poderia juntar outros, como por exemplo, a morte de D. João II, o porquê da Inquisição, a morte de Sá Carneiro ou o caso Saltillo.

Com tantos e aliciantes desafios é espantoso verificar quão diminuta tem sido a curiosidade dos portugueses em geral, em aprofundar estas matérias, o que apenas encontra paralelo no desprezo a eles dedicado pelos poderes públicos e pela comunidade científica.

Destaques meus. Há tantos aliciantes que alguns têm de ficar de fora.
Que poderes públicos a fazer história? Quer-se criar um Ministério da História que patrocine e vele pela ortodoxia da corrente ideológica que no momento detiver o poder?
As prioridades da comunidade científica não são as das comunidades pseudocientíficas.

Assinatura de Colombo e o Colombo Revelado

XPO são letras gregas que constituem a abreviatura de Cristo.
Ferens é latim e segundo o próprio autor (p. 27) designa uma forma verbal no presente que indica o movimento de fazer a travessia e transportar, trazer e levar. Ou seja, o movimento de ir e vir. Portanto pode significar apenas vam (forma antiga de vão). Assim, XPO + FERENS quer apenas dizer Cristovam ou Cristóvão em português de hoje.
O traço oblíquo final é “decifrado” como Colon pelo autor. No entanto o traço final (por vezes dois) é um sinal ortográfico que indica final de período, parágrafo ou documento. Era utilizado como hoje se usa o ponto e servia também para trancar o texto. Veja-se por ex. as imagens p. 115, fig. 4.1; p. 231, fig. 6.5A; p. 276, fig. 8.5. Isto só para recorrer a documentos que o próprio autor apresenta pois o mais comum paleógrafo está mais que habituado a eles.
Ainda hoje na linguagem html o sinal / quer dizer final ou fim de instrução.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Cuba (02)

Homenagem a Cristóvão Colon
A Câmara Municipal de Cuba, a Fundação Alentejo - Terra Mãe e o Núcleo de Amigos da Cuba irão levar a efeito, no próximo dia 28 de Outubro, na vila de Cuba, uma homenagem a Cristóvão Colon, com a inauguração de um monumento ao navegador no largo central da vila (actual Largo do Tribunal) e atribuindo o seu nome ao mesmo. A cerimónia terá início às 11h00m.
Trata-se de uma homenagem a tão ilustre navegador que sempre escondeu as suas origens e verdadeira identidade e que recentemente notáveis historiadores e pesquisadores concluíram ser português, nascido no Alentejo em Cuba, filho de D. Fernando então Duque de Beja e de Dona Isabel Gonçalves Zarco.
O dia escolhido para esta homenagem corresponde ao dia em que, há 514 anos, o navegador aportou à ilha a que deu o nome de Cuba.

Revista Municipal, Cuba, Setembro, 2006, p. 18.


Com este acto público e com a devida aprovação das entidades municipais a tese do Colombo Português torna-se «história oficial».
Só espero que em breve não tenham de novamente mudar o nome à praça, pois é muito aborrecido ter de alterar constantemente os endereços junto das entidades públicas, privadas... e municipais.

terça-feira, 21 de novembro de 2006

Os censores ao serviço da pseudo-história colombina na Wikipédia

195.83.48.80
195.83.48.86
195.83.48.87
195.83.48.88
81.67.162.93
83.132.32.238

Exemplos de texto apagados na secção de debate do artigo

NORMAS DA WIKIPÉDIA E OUTRAS CONSIDERAÇÕES (COMENTÁRIO APAGADO VÁRIAS VEZES)
Normas da Wikipédia e outras considerações
De acordo com as normas da Wikipédia este artigo não cumpre os seguintes requisitos:
Não apresenta factos, mas sim opiniões.
Faz experiências colocando teorias sem base factual como se de verdades absolutas se tratasse.
Faz publicidade a um recente livro sobre Colombo provavelmente com objectivos comerciais.
Todos os factos compilados, estudados e analisados por historiadores e estudiosos do tema ao longo de centenas de anos são considerados pouco sérios. Apenas o é quem redigiu o actual artigo de Colombo.
As hipóteses são todas válidas têm é de ser comprovadas e neste artigo não há referência a fontes.
A Wikipédia quer factos e não hipóteses, teses ou especulações.
O artigo, tal como está e a continuar nesta linha, parece assentar no livro referido, o qual pela sua recente edição ainda não foi criticado pela comunidade científica.
O livro em causa segue teorias que têm sido sistematicamente refutadas pela comunidade científica, logo maior razão existe para que as informações por ele veiculadas sejam tomadas com a máxima reserva.
Na eventualidade das hipóteses veiculadas por esse livro se confirmarem, no todo ou em parte, devem constar em texto apenas as informações tidas como essenciais com a devida referência bibliográfica em nota. O nome dos autores e o seu livro deve constar somente na bibliografia, nunca em corpo de texto.
O artigo é sobre Colombo e não sobre quem escreveu sobre Colombo, isso é um outro artigo. Esse sim sobre as teorias existentes à volta de Colombo onde se poderão contrapor as diferentes teses e hipóteses.
É de mau tom ficar como está! Para além disso existem inúmeros trabalhos que seguem a mesma linha dos autores mencionados e que não são referidos. E já não se refere aqui os outros trabalhos de História de numerosos historiadores.— (...) 14:58, 20 Novembro 2006 (UTC)

-*-

Quem julga que é para me apagar os meus comentários? Se eu procedesse da mesma forma há que tempos que o artigo sobre Colomobo português tinha sido revertido para uma edicão de 2005. Pelo menos não envergonha os portugueses em geral e eu em particular! A censura é a arma dos que não têm argumentos. Veja-se o que aconteceu com a Inquisição e com a Pide. Por mais que se queira as pessoas pensam e sabem a diferença entre propagandas e História.—[o mesmo nome de utilizador de acima] 14:58, 20 Novembro 2006 (UTC)

Quem tem medo de ser confrontado com a crítica?
Como é que alguém pode querer silenciar ideias num sítio como este onde tudo fica registado?
Será que há gente tão estúpida que pensa que pelo simples apagar do que foi dito, as ideias desaparecem?
Será que os apoiantes, como se de um jogo de futebol se tratasse, desta tese absurda, julgam que por silenciar ideias discordantes estas deixam de existir?
Só quero ver quanto tempo é que estas observações vão permanecer no texto principal antes dos censores actuarem com a sua tacanha tesoura.


Da Censura em nome da verdade
O que se está a passar começa a ser vergonhoso.
Não se pode calar opiniões só porque não se gosta delas.
Esse tipo de comportamento é indigno de gente que pretende defender a verdade; uma verdade que parece querer impor-se pela violência como se fazia nos Reinos de Castela e Aragão do tempo de Cristóvão Colombo.
Quem defende as ideias expressas neste artigo teme porventura o exame crítico das mesmas?
Que motivos dissimulados movem quem tem e patrocina este tipo de comportamento inquisitorial?
Aliás, se alguém defende que o homem não se chama Cristóvão Colombo, porque não vai então para a entrada criada com o nome de um dos pretensos descobridores do Novo Mundo. Esta aqui é a entrada de Cristóvão Colombo e não a de Simão Palha, Salvador Gonçalves ou Fernandes Zarco ou de qualquer outro personagem ficcional criado sabe-se lá com que fins.
Agora deixe-se aqui fazer o que se deve fazer. Não me venham com a defesa do bom nome de Portugal, da sua honra ou do que quer que seja nesta linha ideológica bafienta e passadista, porque o bom nome de Portugal defende-se com o bom trabalho que hoje aqui se faz e não com invenções, censura e basófia. –(...) 23:29, 20 Novembro 2006 (UTC)

Nuova Raccolta Colombiana (1)

  • AGOSTO, Aldo, et. al. Nuova Raccolta Colombiana [n.º 4]. I document genovesi e liguri, 2 vols., Roma, Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato, imp. 1992-1993.
  • AIRALDI, Gabriella; FORMISANO, Luciano, eds. Nuova Raccolta Colombiana [n.º 5]. La scoperta nelle relazioni sincrone degli italiani, Roma, Instituto Poligrafico e Zecca dello Stato, imp. 1996.
    Texto paralelo em latim e italiano.
  • ANGHIERA, Pietro Martire de. Nuova Raccolta Colombiana [n.º 6]. La scoperta del nuovo mondo negli scritti di Pietro Martire d'Anguiera, ed. Ernesto Lunardi, Elisa Magioncalda, Rosanna Mazzacane, Roma, Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato, imp. 1988.
  • BALDACCI, Osvaldo. Nuova Raccolta Colombiana. Atlante colombiano della grande scoperta, Roma, Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato, imp. 1993.
    Fac-símile, mapas.
  • BELLINI, Giuseppe; MARTINI, Dario G. Nuova Raccolta Colombiana [n.º 18]. Colombo e la scoperta nelle grandi opere letterarie, Roma, Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato, imp. 1992.
  • CARACI, Ilaria Luzzana. Nuova Raccolta Colombiana [n.º 21]. Amerigo Vespucci, 2 vols., Roma, Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato, 1996-1999.
  • COLOMBO, Cristóvão. Nuova Raccolta Colombiana [n.º 1]. Il giornale di bordo. Libro de la prima navigazione e scoperta delle Indie, introd. e notas de Paolo Emilio Tavani e Consuelo Varela, 2 vols., Roma, Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato, imp. 1988.
    Abordam-se problemas paleográficos, linguísticos e literárias.
  • COLOMBO, Cristóvão. Nuova Raccolta Colombiana [n.º 2]. Relazione e lettere sul secondo, terzo e quarto viaggio, ed. de Paolo Emilio Taviani, et al., 2 vols., Roma, Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato, imp. 1992.
  • FERRO, Gaetano, et. al. Nuova Raccolta Colombiana [n.º 11]. La Liguria e Genova al tempo di Colombo, 2 vols., Roma, Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato, imp. 1988.
    Um vol. de mapas.
  • GAY, Franco. et. al. Nuova Raccolta Colombiana [n.º 17]. Le navi di Cristoforo Colombo, Roma, Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato, imp. 1993.
  • LAS CASAS, Bartolomé de. Nuova Raccolta Colombiana [n.º 9]. Le scoperte di Cristoforo Colombo nei testi di Bartolomeo de las Casas, ed. Francesca Cantú, 2 vols., Roma, Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato, imp. 1993.
  • MANZANO MANZANO, Juan. Nuova Raccolta Colombiana [n.º 15]. Cristoforo Colombo. Setti anni decisivi della sua vita: 1485-1492, Roma, Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato, imp. 1990.
  • PISTARINO, Geo. Nuova Raccolta Colombiana [n.º 12]. Chio dei genovesi nel tempo di Cristoforo Colombo, Roma, Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato, [1995].
  • UNALI, Anna, ed. Nuova Raccolta Colombiana [n.º 12]. Le scoperta di Cristoforo Colombo nelle testimonianze di Diego Alvarez Chanca e di Andrés Bernáldez, Roma, Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato, imp. 1990.Textos paralelos dos documentos em espanhol e italiano.

Nota: Estes livros podem encontrar-se na Biblioteca da Universidade de Coimbra.

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

A Intolerância e a Pacatez

No que diz respeito às teorias de Colombo ser português não tenho nada a opor, contudo as teorias têm de ser provadas e devem ainda ser sujeitas à crítica. Se não há provas ou indícios e se estes não sobrevivem à crítica quem propõe tais teorias tem de ter a humildade de dizer que não sabe.
Chocam-me as pessoas que acusam a comunidade científica de intolerância, corporativismo e de elitismo e logo a seguir sejam os primeiros a ter tais comportamentos. Senão veja-se:
Recentemente consultei a Wikipédia e resolvi ver edições do mesmo artigo em línguas diferentes. Qual não foi o meu espanto ao ver dois excelentes artigos sobre a biografia e percurso de Cristóvão Colombo em inglês e espanhol e por contraponto em português estava um pequeno e mal amanhado conjunto de confusões. Resolvi então perguntar pelo rigor científico e fazer várias propostas. Resultado: apagaram as minhas críticas sistematicamente, mesmo depois de eu voltar a colocá-las em discussão.
Ou seja, quem acusa de intolerância é o primeiro a apagar os contributos dos outros, quando são vários a fazê-lo há corporativismo e revela ainda um elitismo e mania de superioridade que enoja. Quem detém a Verdade são os iluminados defensores do Colombo português, os outros são todos tão estúpidos que não percebem nada, nem nunca perceberam.
Também me choca que as pessoas que podem dar um contributo e que sabem do assunto fiquem caladas permitindo que vinguem as ideias e as propagandas construídas à volta do Colombo português.
A resposta é que não vale a pena e que é muito cansativo. Bom, e assim fica o artigo da Wikipédia escrito por maus escritores de ficção por demissão dos que percebem do assunto.
Quem fizer como eu e verificar as versões em diferentes línguas pode concluir que os portugueses estão a dormir na forma ou que não são bons profissionais. A ideia que fica é de que os portugueses inventam histórias e não sabem fazer um trabalho científico. Por causa disso é que a maior parte da historiografia estrangeira tem credibilidade e a portuguesa nem sequer é mencionada!
A pacatez paga-se e se não forem os estudiosos a defenderem o seu trabalho concerteza que não são os ficcionistas a fazê-lo!

Cuba

À quarta ilha chamou Juana (e não Juanina) o que poderia parecer que estaria a honrar o herdeiro espanhol príncipe Don Juan. Mas porque não estaria Colom a pensar no seu verdadeiro rei e senhor, D. João II? Para eventualmente não suscitar interpretações dúbias, deixou cair este nome e passou a denominar aquela grande ilha por Cuba, terra da sua naturalidade como também deixou oculto na sigla que quase sempre acompanhou os seus textos, etc.
(Brandão Ferreira, «A Questão Cristóvam Colom e a sua Actualidade para Portugal», Revista Militar, Maio 2006).

Além do príncipe das Astúrias se chamar João, o pai de Isabel a Católica era João II, rei de Castela; O pai de Fernando o Católico era João II, rei de Aragão. Deste modo, dificilmente há razão para criar confusão com o homónimo rei de Portugal.
Juana (que em português se pode escrever sem escândalo Joana) era o nome da mãe de Fernando II de Aragão (o Católico) e da filha deste e de Isabel que acabou por ser a sua herdeira.
Chamar Joana à ilha não seria uma homenagem a esta(s)?
Aliás, não se descortina qual seria a diferença entre Juana e Juanina.
Há bastas razões para que a ilha recebesse o nome que recebeu, contudo alegar-se-á que Colombo jogou com todas estas ambiguidades, pois realmente pensava no Príncipe Perfeito, e foi para desfazer estas ambiguidades que chamou à ilha Cuba – um nome único, o da sua terra.
Mas ainda se voltará a este assunto.

domingo, 19 de novembro de 2006

Revista Militar e Colombo

A Revista Militar, inadvertidamente sem dúvida, também entrou no combate colombino ao dar espaço para João José Brandão Ferreira publicar «A Questão Cristóvão Colom e a sua Actualidade para Portugal».
Estas distracções se, por um lado, servem para desmentir a queixa dos pseudo-historiadores de que o Estado Português é cúmplice no esbulho da merecida fama que Cristóvão Colombo deve ter, por outro lado, vêm lançar o descrédito sobre esse mesmo Estado, ao dar a impressão que concorda com esses desatinos. Deste modo arriscamo-nos realmente a que estes delírios se transformem na História Oficial.
Obviamente que não se pode confundir o Estado com uma revista, mesmo que esta tenha a chancela das suas forças armadas. Mas também é verdade que uma revista como esta é lida por um vasto público, ainda mais quando está disponível na Internet.
Assim, a imagem das forças armadas portugueses não sai muito beneficiada.

sábado, 18 de novembro de 2006

No começo duma leitura do Mistério Colombo

Ainda não li o livro de Manuel da Silva Rosa e Eric J. Steele e confesso que com tantos livros para ler e comprar me custará bastante fazê-lo. Por agora, limito-me à leitura do texto que está disponível na Internet* e isso merecerá, sem dúvida, alguns comentários além deste que segue.

Para já duas pequenas observações e ambas relativas à página 24.
1. Não sei de quem é a autoria do livro. Se de Mascarenhas Barreto, donde as premissas são copiadas; se dos autores, cujo nome figura na capa; se de Silva Rosa, pois é que se escreve: «Esta viagem levou-nos, a mim e ao meu colaborador (...)». O realce é meu e a implicação parece-me óbvia.
2. Os autores não se assumem como historiadores, embora eu esteja disposto a considerá-los como tal se se verificar que estamos perante uma obra historiográfica. Referem que querem investigar como um detective «e não como os historiadores têm feito». Logo não são historiadores e por isso vão fazer melhor.

Este último ponto leva a conclusões preocupantes ainda mais porque, nas palavras dos autores, os historiadores «inventam» e «forjam», além de no caso Cristóvão Colombo serem burros, incompetentes e inúteis, e isto pelo que se deduz do que já foi lido. Tendo os historiadores todos estes defeitos, não os terão também nos outros casos que investigam, estudam e concluem? Por esta via não se mina toda a historiografia feita por historiadores, deixando assim o campo livre a todos os que pretendem negar alguma coisa bem mais séria na História que a nacionalidade de Cristóvão Colombo, como, por exemplo, o assassínio dos judeus na II Grande Guerra Mundial?

Felizmente para o bem da verdade os autores convenientemente demarcam-se deste ofício.

Actualização de 5-11-2008:

A hiperligação para a Introdução do livro deixou de funcionar.

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Fontes (01)

  • VARELA, Consuelo; AGUIRRE, Isabel. La caída de Cristobal Colón. El juicio de Bobadilla, Madrid, Marcial Pons, 2006.
ISBN: 8496467287


Trad. Portuguesa:

  • VARELA, Consuelo; AGUIRRE, Isabel. Colombo - A Queda do Mito, Casal de Cambra, Caleidoscópio, 2007.

Tem em apêndice a edição paleográfica da cópia do processo conduzido por Bobadilla.

ISBN - 978-989-8010-60-5




Última actualização: 14-3-2007

Bibliografia da refutação (01)

  • ALBUQUERQUE, Luís Mendonça de. Dúvidas e Certezas na História dos Descobrimentos Portugueses, 2 vols., Lisboa, Círculo de Leitores, imp. 1991.

Especialmente o vol. I, cap. X, «Lá vem Cristóvão Colombo, que tem muito que contar...», pp. 105-175.

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Apresentação

O ano da morte de Cristóvão Colombo é mais uma oportunidade para relançar sobre as origens e vida do Almirante das Índias de Castela velhas teorias que embora já amplamente rebatidas conseguem ganhar sempre novo alento, obrigando à constante repetição dos mesmos trabalhos e argumentos para a refutação dos erros quando não das fraudes.
Com seriedade e, quando for necessário, com humor, reunir-se-ão os erros e as fraudes, juntando-se-lhes as respectivas correcções quando possível e sempre que alguém tiver disponibilidade (sim, porque aqui trabalha-se de graça).



Bibliografia da controvérsia (01)

  • BARRETO, Augusto Mascarenhas. O Português Cristóvão Colombo Agente Secreto do rei D. João II, 2.ª ed., Lisboa, Referendo, 1988.
  • BARRETO, Augusto Mascarenhas. Colombo Português. Provas documentais, 2 vols., Lisboa, Nova Arrancada, imp. 1997.
  • FERREIRA, João José Brandão. «A Questão Cristóvam Colom e a sua Actualidade para Portugal», Revista Militar, Maio 2006.
  • ROSA, Manuel da Silva; STEELE, Eric J. O Mistério Colombo Revelado, Lisboa, Ésquilo, 2006.
  • SILVA, Manuel Luciano da; SILVA, Sílvia Jorge. Cristóvão Colom (Colombo) era Português, QuidNovi, 2006.