terça-feira, 12 de Dezembro de 2006

A Nacionalidade Portuguesa de Cristóvão Colombo e as Quinas



Em A Nacionalidade Portuguesa de Cristovam Colombo, pp. 51-53, Patrocínio Ribeiro vê nas armas de Colombo mais um elemento de prova ao constatar que as cinco âncoras têm a mesma disposição em X que as Quinas dos escudetes de Portugal.
Barbosa Soeiro, como visto anteriormente, dá início à interpretação cabalística; esta, desenfreada nas mãos de outros autores, vai atingir o paroxismo em O Português Cristóvão Colombo..., que na p. 544 vai mais longe que qualquer outro na interpretação das armas, não escapando, inclusive, o esquisito detalhe na base:

(...) esta inovação – pretensamente consentida por Colon-Zarco – é passível de justificação, por representar, no chefe da ponta, a câmara esotérica; e Câmara era o nome de nobilitação concedido a João Gonçalves Zarco e transmitido a todos os seus descendentes. E em banda vê-se o símbolo alquímico-templário da crisopeia: o ouro conseguido sobre a prata da argentopeia. Também a representação da «terra firme» no terceiro quartel do escudo se justifica, porque Colón-Zarco (conquanto só a tivesse explorado, para os Reis Católicos, no decurso da sua 4ª viagem às Antilhas, em 1504) já declará-la tê-la descoberto muito antes da primeira expedição. Quanto ao quarto quartel do escudo, reservado pelos Soberanos de Espanha pa «las armas vuestras que solíades tener», supõe-se logicamente que seriam os besantes (não de prata como os das «quinas» das armas de Portugal e dos Infantes, mas de ouro), em campo azul, que o almirante, precavidamente, teria substituído por ancoretes (ou ancorotes), correspondentes aos angoroths hebraicos, ou seja, precisamente, as mesmas moedas simbólicas. E segundo a nossa tese, tê-lo-ia feito para que o supusessem filho de uma Henriques e não de uma Zarco de comprometedora ascendência judaica.

Desta pérola para cá, é o ocaso.

6 comentários:

Anónimo disse...

Os senhores tambem são convidados para conferencias e escrevem livros ou dedicam o tempo a mandar bitaites na internet?

Português Racional disse...

Abençoados bitaites! Ainda há gente lógica racional historicista e séria em Portugal... :)Mesmo que não aceitem colocar os seus nomes na net a par dos comerciais da História que singram como moda efémera na actualidade.
Aliás, há um abismo entre cientistas da História e amadores, quando estes depois de lerem se recusam a entender o anteriormente publicado contrário aos seus interesses comerciais. O sr. Manuel Rosa aliás age como um iberista: deseja comprovar (sem documentos...) um Colombo "ibérico", o que é de chorar a rir quando se sabe que ele foi o instrumento de grande logro perpetrado a Isabel a Católica por D. João II. Aragão ficou separado da expansão castelhana e do seu futuro império, restrito ao seu império comercial mediterrâneo ao qual sucedeu o império português em importância na Europa. A concorrência recente era apenas a de Castela a Portugal.

Eu pergunto ao sr. Rosa: aonde estão a História, a Língua, os interesses comuns, ou a Cultura ibéricas? Isso existe ou existiu alguma vez? Tanto como nós portugueses falamos europeu e tivemos uma história paralela à da Penínsual Europeia de que fazemos parte, não lhe parece?
Nem ao menos sabe que as palavras ibérico e espanhol são há já 500 anos designação de mero encapotamento politicamente correcto da nação castelhana e dos seus objectivos cultural e politicamente imperialistas sobre os restantes povos das Espanhas, incluindo Portugal?

Assim sendo, o sr. Rosa, afirmando-se tão patriota, vem agora divulgar o nome castelhano de COLÓN em Portugal. Decerto lhe repugnam as formas portuguesa coeva, COLOM, ou universal, COLOMBO. Porque ainda não percebeu que se o Colom não foi o tecelão falsificado por italianos embusteiros em oitocentos, como há 7 anos atrás e muito antes dele a Ciência Histórica reconheceu, isso não faz com que não tenha sido nado na na República de Génova... e muito menos português natural. Até prova documental definitiva em contrário.

Anónimo disse...

Português irRacional,

O Discovery Channel divolgou que os ossos do Diego Colon não são os ossos do Giacomo Colombo são ossos de um homem com mais 10 anos de idade.
Agora onde estão os teus factos que os Colombos eram os mesmos Colons?
Ou vais dizer que estamos a falar de Colombos equivocados?

Não seja irracional até ao fim.

Anónimo disse...

Parece que não sabem a sua geografia "A Península Ibérica é uma península da Europa localizada no sudoeste deste continente. É ocupada por três estados, Portugal, Espanha e Andorra, e um território britânico, Gibraltar."

Português Racional disse...

1. "O Discovery Channel divolgou que os ossos do Diego Colon não são os ossos do Giacomo Colombo são ossos de um homem com mais 10 anos de idade."

A isto já alguém respondeu em Génea Portugal, demonstrando que as análises efectuadas pelos cientistas têm suficiente margem de erro indicadas nas suas próprias conclusões, para que delas se possa tirar qualquer ilação segura...

http://genealogia.netopia.pt/forum/msg.php?id=137877#lista

Aliás, não confunda: nunca afirmei que Colombo fosse filho do tecelão, como quer implicar, mas o facto dessa filiação ser duvidosa não o torna português, nem menos italiano... só isso.

2. "Parece que não sabem a sua geografia "A Península Ibérica é uma península da Europa localizada no sudoeste deste continente. É ocupada por três estados, Portugal, Espanha e Andorra, e um território britânico, Gibraltar."

Apendo consigo que Andorra e Gibraltar partilham da "glória" de Colombo... :))) Quanto a Andorra, sendo um Estado catalão, faz sentido sim senhor, pois essa pode-se dizer ibérica com propriedade no uso do termo. Parece-me é que, ou o sr. "Anónimo" não sabe a sua História, ou não sabe entender o que lê. Se quer fazer História relativa a espaços geográficos, reduzidos ou alargados, pode fazê-lo. Desde simples monografias locais à História Mundial. Mas não a afirme patriota: o patriotismo não se aplica a espaços geográficos, não é espacial, é temporal: aplica-se a nações, com ou sem território próprio, cujos habitantes partilham uma história comum. Não é o caso da Península Hispânica (passada a chamar-se também Península Ibérica apenas depois da chegada dos Borbons a Madrid no sc. XVIII, por conveniência política de Castela, que já expliquei anteriormente). Esta tem várias histórias nacionais centrífugas, não centrípetas, histórias que como quaisquer histórias por vezes se tocam, mas geralmente divergem.

As nações não precisam de Estado para serem nações. Nem os Estados podem ser confundidos com nações. Além disso, falar de Espanha, ou de História de Espanha antes do sc. XVIII é erro comum, mas erro. Só há Estado espanhol com os Borbons. No tempo de Colombo, Aragão e Castela vivem apenas uma união pessoal, com interesses por vezes comuns, outras bem diferentes, nomeadamente no comércio e na política externa. Fernando o Católico tentou aliás impedir a união pessoal das coroas aragonesa e castelhana, voltando a casar com Germana de Foix para esse efeito. Se o filho varão que nasceu desse casamento não tivesse morrido pequeno, apenas Castela teria caido nas mãos dos Habsburgos. Não Aragão. De qualquer forma, a coroa aragonesa mantém-se separada com Fernando V, que é o tempo de Colombo... E é ela quem está profundamente implicada comercial e militarmente em Itália e nas ilhas italianas. Não Castela. No tempo de Colombo nem sequer aliás alguém poderia prever que Aragão e Castela se manteriam unidas. Isso é ver o passado à luz do presente... Quanto à meta dos Habsburgos, depois de Carlos V, é a união da Europa sob o seu ceptro e mantendo-a católica. A Europa toda, não apenas a Península Hispânica.

Faço-lhe ainda notar que querer fazer coincidir o conceito de identidade nacional com o conceito geográfico é exactamente a táctica do imperialismo cultural castelhano desde sempre, que nasce procurando imitar o modelo do seu vizinho francês, este mais bem sucedido. Como agora vivemos o tempo da Península Europeia e do Estado multi-nacional que nela se quer constituir, penso que se defender o Colombo como europeu, que sem dúvida foi, e não como "ibérico" - palavra cujo uso muito espantaria os coevos de Colombo, que viviam ainda o final dos tempos da Res Pública Christiana, da consciência europeia cristã unitária antecessora do actual projecto europeu, anteriormente ao conceito de Estado centralista moderno - estará então dentro da verdade.

Termino dizendo que analisar e descrever a História do passado em termos do presente, com (pré-)conceitos do presente, é erro primário, embora muito seguido infelizmente.

picapau disse...

Os comentarios de Portugues racional sao muito acertados. No començo do reinado dos Reis Católicos havia na Península Ibérica 5 estados independentes: Portugal, Castela, Catalunha-Aragao, Navarra e Granada, coisa que muitos historiadores parecem ignorar. Por exemplo, as "Capitulaciones de Santa Fé" do 17 de abril de 1492, signado entre Colom e os Reis Católicos está arquivado no Arquivo Real de Aragao (Arxiu Reial de Catalunya), e nao como fosse de esperar no Arquivo Real de Castela en Simancas. Quem signa o acordo por parte dos reis, é Johan de Coloma, secretário do rei Fernando de Aragao. E um documento da Cancelleria catalana. Em Simancas só há cópias posteriores do documento.