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terça-feira, 17 de março de 2009

Subsídios para a História de uma polémica (II)

Waldemar Paradela de Abreu, editor da Referendo, publica o livro de Augusto de Mascarenhas Barreto O Português Cristóvão Colombo Agente Secreto do Rei Dom João II em 1988 do qual ainda no mesmo ano, em Setembro, se publica uma segunda edição – ou se calhar, mais propriamente, uma segunda impressão.
O livro em si poucas, ou nenhumas, novidades apresenta em relação ao que outros autores já haviam escrito em Portugal desde que em 1915-1916 Patrocínio Ribeiro teve a duvidosa honra de primeiro reclamar a nacionalidade portuguesa para Cristóvão Colombo na refutação que fez de Celso Garcia de la Riega, ideias essas que mereceram três edições.
Pouco acrescentando ao que anteriormente havia sido escrito, mantendo praticamente os mesmos erros e acrescentando outros de sua lavra, o que consta no livro de Mascarenhas Barreto é dado como se de grande originalidade e descoberta do seu autor se tratasse. É uma simples desonestidade intelectual, mas nada de mais, pois há que vender o produto a um grande público que não tem, propriamente, memória de bibliófilo, o que já não acontece com os especialistas.
Precisamente porque os especialistas sabem de bibliografias (e têm mais com que se preocupar do que com o trabalho de amadores a fazerem pela vida) ignoraram o livro de Mascarenhas Barreto – ou pelo menos não foram lestos a cantarem hossanas como o autor desejaria, mas de modo algum impediram que propagandeasse as suas ideias como muito bem quis e entendeu.
Tanto assim foi que a própria Academia de Marinha – uma instituição que contava (e conta) entre os seus membros alguns dos mais prestigiados especialistas em História da Marinha e dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa – lhe abriu as portas para que pudesse aí apresentar as suas ideias. Como se isso não bastasse, a mesma instituição publicou essa comunicação em 1990 (por esta altura também deverá ter ocorrido uma comunicação do mesmo autor na Sociedade de Geografia de Lisboa).
Estas atenções da Academia de Marinha são tão mais louváveis, quanto, desde muito cedo, Mascarenhas Barreto não se coibiu em trazer para a praça pública um debate que deveria processar-se no meio científico. E isso é ainda mais lamentável quando rapidamente começa a recorrer à insinuação, ao insulto e, até mesmo, ao logro.
Fosse uma estratégia comercial, pressa em obter reconhecimento (numa área onde se leva décadas a obtê-lo) ou simples maus-fígados, Mascarenhas Barreto enveredou por uma via agressiva de apresentação e defesa das suas ideias, sem que lhe faltassem lugares onde o pudesse fazer. O jornal Correio da Manhã facultou-lhe um espaço onde, livremente, apresentou o que lhe ia na alma, sem, durante muito tempo, qualquer oposição ou réplica. O primeiro destes artigos, seis meses depois da segunda impressão do livro, é publicado em 13 de Março de 1989 com o título Os Caluniadores do Infante D. Henrique e, em pouco tempo, mais de duas dezenas de outros são passados nas rotativas do mesmo jornal.


A. Mascarenhas Barreto, «Os Caluniadores do Infante D. Henrique (I)», Correio da Manhã, 13-3-1989, pp. 2-3.
(Clicar na imagem para ampliar)

À parte do amontoado de factos, interpretações e notas pseudo-eruditos, e portanto pouco esclarecedores de um qualquer problema histórico - além de a maior parte deles não serem coevos ou respeitarem à época do Navegador (e que se destinam somente a impressionar os leigos) – sobressai o modo displicente como se refere a alguns dos mais notáveis historiadores portugueses desde Luciano Pereira da Silva até Luís de Albuquerque, ao qual alude depreciativamente várias vezes quando não se lhe dirige abertamente de forma desagradavelmente negligente. Não é que os erros, imprecisões e interpretações alternativas não devam ser apresentados, o que não cai bem é a duplicidade de comportamento, pois na dedicatória que fizera a Luís de Albuquerque desfizera-se subservientemente em encómios, enquanto que publicamente insinua falta de patriotismo, motivações políticas e desmandos na gestão da coisa pública.


A. Mascarenhas Barreto, [«Dedicatória a Luís de Albuquerque»], in Luís de Albuquerque, Dúvidas e Certezas..., I, p. 173.
(Clicar na imagem para ampliar)

A pretexto da protecção da honra do Infante D. Henrique, serve-se de um jornal de grande tiragem e muito popular para levar a cabo um vingança privada contra aqueles que considera servirem interesses nefastos ao país, defendendo alternativamente uma visão já ultrapassada da História e da política – se é que alguma vez as concepções que defende foram dominantes.
Sem grande subtileza, o auto-intitulado historiador Mascarenhas Barreto, desmascara os por si considerados pseudo-historiadores que ousaram denegrir o mito criado ao longo de séculos em torno da imagem do Infante D. Henrique. No entanto, sem qualquer propósita relação com o Infante, mete Cristóvão Colombo ao barulho – afinal a (quase) sua grande tese – e lá vem o Salvador Fernandes Zarco cujo nome descobriu depois de outros terem inventado um Cristóvão de Cólos, um Simão Palha ou um Salvador Gonçalves Zarco – outros agora querem-no D. Diogo, o Zombie, ou ainda Salvador Henriques Zarco, mas enfim...
Neste esforço acaba por se esquecer de explicar ao grande público como chegou a tão fabulosa descoberta, mas há que deixar os leitores na expectativa para que comprem o livro. Também não explica aqui, nem noutro lado, porque é que só ele usou uma sigla cabalística e mais ninguém antes ou depois dele.



A. Mascarenhas Barreto, «Os Caluniadores do Infante D. Henrique (II)», Correio da Manhã, 14-3-1989, pp. 2-3.
(Clicar na imagem para ampliar)

Como quase todos os amadores que incautamente metem as mãos no passado, Mascarenhas Barreto revela grande dificuldade em lidar com o tempo histórico. A diacronia e a sincronia estão completamente ausentes no discurso, na interpretação e no uso dos conceitos. Como consequência cai no pecado mortal do historiador: o anacronismo. Mas isso não o impede mostrar complexos negativos em relação aos graus académicos e ao ofício de historiador enquanto actividade individual cujo mérito é de reconhecimento exclusivo pelos pares. Ao amesquinhá-los, tanto nestes artigos como no que publicará no Diabo, está a manifestar o sentido de inferioridade que continuará a afligir os partidários destas ideias pouco consistentes mais de vinte anos depois de dar início a estas diatribes.
Parafraseando um grande professor, um licenciado em Direito intitula-se jurista; um em Economia, economista, etc. No entanto, os licenciados em História (bem como a maior parte dos que se dedicam à História) não se intitulam historiadores e arranjam sempre uma qualquer outra designação para definir o seu trabalho. Na comunidade historiográfica o grau académico detido e a proveniência do mesmo são pouco relevantes, pois a competência manifestar-se-á pelo trabalho desenvolvido. Assim sendo a designação historiador é geralmente um atributo, como que um título de reconhecimento, dado aos autores já falecidos e de mérito firmado.
Se Mascarenhas Barreto, com toda a legitimidade, queria ser um historiador tinha de esperar para ver o seu trabalho reconhecido como sendo historiográfico; tinha de sujeitá-lo ao normal processo de reconhecimento deste ofício, que é a discussão e a crítica pela (e dentro da) comunidade historiográfica. Mas o mais notável de tudo isto nem é o esforço propagandístico (insultos à parte) de Augusto Mascarenhas Barreto. O espantoso é que vinte anos depois ainda haja quem leve este disparate a sério, chegando ao ridículo de, muitas vezes, chamar a si a autoria de ficções que, na realidade, são pertença de outros.

sábado, 8 de dezembro de 2007

História Democrática

Se a História fosse uma democracia Cristóvão Colombo seria indubitavelmente português e isto caso a votação em que fosse eleito escapasse à impugnação por fraude.
Infelizmente a História ainda não pode ser uma democracia, por isso os valores que a fundamentam têm de continuar a ser os de há muito definidos pelas boas práticas da comunidade historiográfica.
Ainda assim, mantenhamos a ficção por mais algum tempo (até final do ano) e façamos mais uma tentativa para fazer a História Democrática.
Partindo então do resultado da votação anterior, em que Cristóvão Colombo foi dado como português, pergunta-se agora qual o seu verdadeiro nome, já que ninguém de bom gosto no Portugal de então baptizaria um filho com o nome por que o Almirante das Índias de Castela ficou conhecido neste lado da Península.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Rui de Pina x Garcia de Resende

A Crónica de Rui de Pina ficou manuscrita até ao final do século XVIII, já a obra de Garcia de Resende sobre o Príncipe Perfeito teve diversas edições ao longo dos séculos.
Garcia de Resende teve acesso ao manuscrito de Pina e usou-o como era usual na época, e não só porque este não era do conhecimento geral. Fez nisso o que outros também faziam: umas vezes citavam os autores, outras nem por isso. A citação, se é forma de fundamentar o que se diz, também é uma maneira demonstrar erudição, de mostrar o que se leu. É certo que pelo seu tempo já havia quem citasse outros autores a que recorria. Eram principalmente académicos, gente que frequentara as universidades ou que estudara formalmente com mestres já imbuídos do espírito da Renascença. Não é por acaso que ainda hoje se identifica a escola frequentada por uma pessoa pela maneira como faz as referências, como faz uma citação ou uma transcrição de texto antigo.
Garcia de Resende, privando muito de perto com D. João II, é talvez a pessoa que em todo o Reino melhor devia conhecer o rei. O relato que faz manifesta isso mesmo e essa é a sua principal intenção.
Os aspectos públicos da acção de D. João II já haviam sido tratados – e bem – pelo cronista oficial, Rui de Pina. Garcia de Resende, no final da vida, não terá querido perder tempo escrevendo penosamente de novo o que já estava feito. Limitou-se assim a copiar Pina, melhorando-lhe o estilo, corrigindo-o ou acrescentando-o quando achou necessário.

Alexandre Herculano é o fundador da historiografia contemporânea portuguesa, mas a ideologia que professava e que lhe permitiu lançar as bases dessa nova historiografia também lhe condicionou e enviesou frequentemente a análise histórica. Amando a Idade Média, desprezava a Moderna (contra o espírito da qual lutou activamente) e assim se permitiu a diminuir tudo o que era moderno. Rui de Pina e Garcia de Resende não escaparam assim ao desprezo a que votava quase tudo o que era dessa época e é esse mesmo desprezo que o leva a chamar plagiador a Resende. Ao aplicar-lhe um conceito muito caro ao seu tempo, cai no pecado mortal do historiador, o anacronismo; ao deixar-se levar pela ideologia revela uma das fraquezas humanas que, por vezes, tem tolhido o progresso da História.

A obra de Pina depois de escrita ficou inédita por alguns séculos por isso poderia ter ficado calado e nunca ter escrito a célebre palavra «italiano» e hoje não seria reputado de mentiroso. Resende, quando escreve, poderia ter dito que Cristóvão Colombo – por exemplo – era português de Colos, que se chamava Simão Palha e fôra usado para dar um império a Castela quando esta não tinha nenhum, pois nessa altura já não haveria qualquer motivo para manter secreto o suposto logro que D. João II teria montado. Resende, lendo «italiano» em Pina, sem qualquer razão que o justificasse não corrigiu esse dado e reproduziu-o acriticamente, quando era tão fácil omitir essa palavra.
Mas é evidente que Resende é um dos conspiradores, quiçá se não mesmo a autoridade por detrás de todo o pretenso embuste colombino.

Hoje denegrir-se Garcia de Resende com o único fim de eliminar um testemunho coevo passível de corroborar Pina, além de ruindade pura e simples, é desprezar a crítica como método historiográfico.


Transcreve-se agora parte do texto de Veríssimo Serrão sobre o plágio, ou não, de Garcia de Resende de que Rui de Pina seria a vítima.
Quer-nos parecer que a análise de Costa Pimpão é a mais válida para bem situar o assunto. Se o chamado plágio equivale a uma cópia literária, nem todas as cópias podem entender-se como plágios, tudo depende das condições em que se operou a transposição e do limite e finalidades que ela atingiu. O manuscrito de Rui de Pina achava-se na livraria real e era acessível a quem o quisesse manusear. Assim teria feito Resende, talvez para ajuizar da matéria em que a sua obra deveria respeitar a Croniqua, evitando narrações distintas do mesmo acontecimento. Os cânones da época não obrigavam um autor a citar fontes manuscritas, pelo que o silêncio de Garcia de Resende em relação ao cronista oficial, já então falecido, não pode traduzir um sentimento de má fé ou impudor. Ressalvada a intenção, inquire-se: onde e até que limite, Resende utilizou a obra de Rui de Pina?
Sendo-lhe possível utilizar o prólogo da Croniqua – quem podia, ao tempo, verificar o esbulho? –, o nosso autor não o fez, preferindo redigir um intróito sobre «as virtudes, feições, costumes e manhas» de D. João II. Para o efeito, serviu-se de muitas ideias do capítulo LXXXII do cronista, que alargou com o testemunho próprio. Quando se comparam os dois textos, a informação de Resende, quanto a dados íntimos, é de tal modo completa que deixa a perder de vista o relato de Pina. Seguindo o mesmo rastro, Resende teve o dom de transformar uma tela numa vistosa galeria pictórica em que o monarca e o homem são amplamente focados. Rui de Pina vira D. João II à distância, ainda que vivesse junto da corte, ao passo que o nosso autor conheceu-o na privança diária. Não entra quem pretende no mundo íntimo de um grande personagem: é preciso amá-lo, conhecê-lo e ter dons para o retratar. «A mim Garcia de Resende não tinha porta», enquanto os outros cortesãos «entravão apenas quando elRey o mandava».
O facto resulta em abono de Resende, uma vez que as suas páginas constituem o primeiro traçado psicológico, em matéria cronística, que se ergueu em Portugal. O nosso autor não quis redigir a história de um reinado, mas apenas a vida de um homem que fora príncipe e monarca. Por isso, consagrou os primeiros vinte e um capítulos à fase anterior ao «saimento» de 1481, enquanto na Croniqua de Rui de Pina essa matéria não existe. Entendia Resende não se compreender a realeza, sem a visão humana das «virtudes, feições, costumes e manhas» de D. João II.
O duplo rasto começa a verificar-se no capítulo II de Pina, que corresponde ao capítulo XXV de Resende e que descreve a fundação de S. Jorge da Mina. Daí por diante os dois textos caminham a par e nem sempre com desfavor para o poeta-cortesão, que em muitos casos retocou a prosa seca e enfastiante do cronista e lhe introduziu um fermento literário de sabor mais agradável. Como já escrevemos, a «história» de Resende contém o mais bem acabado figurino literário dos escritores do seu tempo. E basta comparar o capítulo XXVI, sobre a abertura das Cortes de Évora de 1481, com o capítulo III de Rui de Pina para ajuizar da distância estilística que os separa. Garcia de Resende utiliza uma prosa chã e natural, com um adjectivo adequado e uma frase bem talhada, que deixa na sombra o relato do cronista oficial.
O confronto segue, mais ou menos, até à cerimónia da transladação dos restos de D. João II, da catedral de Silves para o Mosteiro da Batalha, que corresponde aos capítulos LXXX de Pina e CCXIV de Resende. Este corrigiu muitas frases, alterou palavras e completou assuntos. As diferenças de pormenor avolumam-se no cotejo das obras: enquanto o cronista narra, de preferência, a história interna, os percursos régios, as relações diplomáticas, os feitos de África e cristianização do gentio, Garcia de Resende ocupa-se desses acontecimentos, ainda que com menos relevo, mas prefere a história íntima do monarca: episódios, falas, sentenças e anedotas que desvendam o homem mais do que o próprio rei. O conjunto informativo nem de longe se compara com o testemunho de Rui de Pina.
De todo o exposto pode concluir-se que Resende «trabalhou» a obra manuscrita de Pina com arranjos e interpolações de marca própria. Se em vários capítulos, sobretudo nos que se prendem à acção governativa, predomina o decalque, de outros apenas ressalta a apropriação de ideias que adaptou ao seu jeito. Mas em outras partes não nos resta dúvida de que Resende foi um escritor original, servindo-se da sua experiência de cortesão e da sua lembrança de confidente para trazer um contributo que lhe pertence de direito próprio.
Joaquim Veríssimo Serrão, «Prefácio», Crónica de D. João II e Miscelânea, Lisboa, INCM, imp. 1991, pp. XXXI-XXXIV.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Cristóvão Colombo - Salvador Fernandes Zarco ou Salvador Henriques Zarco?

Acredito que Cristóval Cólon era filho do Infante D. Henrique...
«TESE DE MANUEL ROSA [Picoense]: “Colombo, espião e português”», entrevistado por Rui Messias, Diário Insular, Angra do Heroísmo, 11 Fev. 2007.


Houve um autor que desejou que Cristóvão Colombo tivesse origens nobres e por isso atribuiu-lhe como progenitor o infante D. Fernando, baptizando-o – ou circuncidando-o – com o nome de Salvador Fernandes Zarco.
Nesta tese existe pouca coisa de coerente e racional, mas se há algo de lógico, por retorcido que seja, é o patronímico Fernandes, que significa filho de Fernando.
Manuel Rosa apoia firmemente esta posição, achando ser a melhor hipótese para o verdadeiro nome de Cristóvão Colombo português. No entanto, vem agora dizer crer que o Almirante era filho (necessariamente tardio) do infante D. Henrique, pondo de lado o pouco que de lógico havia na certeza do primeiro autor acima referido: o Fernandes.
Assim, seguindo esta linha de raciocínio – que se sabe ser muito fraco –, a hipótese mais provável para o nome secreto português do descobridor do Novo Mundo deverá ser Salvador Henriques Zarco, já que Henriques é o patronímico de... Henrique.
Este novo nome deita por terra o esforço de decifração cabalística que levou ao Fernandes, tal como também já tinham caído por terra todos os outros nomes anteriores originados pelo mesmo processo irracional. Uma outra alternativa é voltar à lúdica Cabala e tentar sacar dela novos designativos, caso em que teremos certamente um patronímico Henriques, embora ainda não se consiga imaginar que outros nomes e apelidos o poderão acompanhar.

Esta é a minha contribuição para o aumento da confusão da onomástica colombina, a qual regista já – e enunciando rapidamente de memória – os seguintes nomes: Cristóvão de Colos (e estranhamente não de Cuba), Simão Palha, Salvador Gonçalves Zarco, Salvador Fernandes Zarco e Salvador Henriques Zarco, este último condicionado às considerações feitas no parágrafo anterior.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Pestana Júnior: Christopher Columbus, a.k.a. Simão Palha

PESTANA Jr. D. Cristóbal Colom ou Symam Palha na História e na Cabala, Lisboa, Imprensa Lucas, imp. 1928.


Pestana Júnior starts his thesis with a brief critique of Patrocínio Ribeiro, after the short praise required by convention. He allows for some merit on Ribeiro’s part, essentially for having discovered the inversion that enabled him to read Colos – not to have done it would not have gone down very well – but points him out as a poor Latinist and eventually casts aside his main conclusion, one that had been obtained through the use of the supposedly praiseworthy method.
However, Patrocínio Ribeiro will have influenced Pestana Júnior in ways of which the latter was not conscious – or at least did not explicitly admit – in that, such as Ribeiro, Pestana Jr. also lost a few nights around Cristopher Columbus’ sigla.
He doubted the Admiral’s Genoese origin through the reading of contemporary documentation – as did all the others, it should be noted – and was convinced that the mystery – always the mystery – was in his signature – obviously! How do they all get there?
Reflection and critique make him reject XPO FERENS as Christoferens, as this is an unknown way of writing the name Cristóvão. Good at Latin, unlike Ribeiro, palaeography lets him down – as it does many others – and he thus rejects XPO as Cristo, but ends up by embracing the Greek-Latin mixture and reading Cristo – confusing? So it should be!
He questions the function of the cross over XPO and the «“baton” that contains FERENS» - his quotation marks – and it is not anymore Cólon, comma. Pestana Júnior’s palaeography, which had already showed itself to be on the weak side, here sinks irretrievably.
The elaborate method of the mirror set up and developed by Ribeiro leads him to the following salad of Greek characters:

ΧWΛΑS.WΛΧΑS.ΛΑΧΑS.WΧΧΑSW.ΜΥΑ.SWΛYS
XPO FERENS

which, converted into Latin characters – if some of them are not already present above – results in:

colas, olcas, lacas, occaso, mya, solis,
christo ferens


«Ferens» still causes noise in this thesis, since according to the authors mentioned it is not Greek but Latin, which results in the above-mentioned Greek-Latin mixture that will make it possible to arrive at Christopher Columbus’ identity. Later, as has been seen and will further be seen, and in order to lighten up all the darkness surrounding the Admiral, Hebrew elements will also be added.
To return to the Greek text, it translates as follows:
«I am, such as Mya, the one that brings Christendom the precious pearls, the emeralds and the gems through the distant sunset».
Unquote, p. XCIV. I cannot unfortunately ascertain the correction of the translation as it does sound like Greek to me!
To the Latin FERENS at the end of the Greek salad an outlying X is now added. This fact will go on disturbing the author, but he will return to it.
A sudden inspiration emerges. Or was it a revelation?
Says the author, pp. XCV-XCVI: «The possibility then arose of relating Columbus with Miguel Molyart, who in the general study had appeared as an agent for the Perfect Prince (King John II, TN) and who was no other than the owner of the Alvarenga entail, Bernardo de Vasconcelos, married to Violante de Almeida of the Palha family from Évora. At a given moment the metathesis takes place: Colom is simply Colmo = Palha (Straw TN)»
It should be noted that, according to Pestana Jr., Miguel Molyart is an anagram of Bernardo (Brynaldo, in the name’s old form) de Vasconcelos, the Miguel element arising out of another, more far-fetched, anagram which is not relevant here.

To cut a long story short, after a few more pentagonal cabalistical contortions, the final deciphering is arrived at: «That is what you call me, Simão Moniz». And, to add a nice touch, he makes the trace over XPO slide until it crosses the «baton» - and not colon – and obtains «XPO FERENS †» which he reads thus: «Christo ferens crucem». The one that brings the cross to Christ; the Cyrenaic; Simon (pp. C-CI).
One then arrives at Christopher Columbus’ name which is none other than: Simão Palha!


It is all in here.
The falsely-named Columbus, whose true identity is hidden behind a Greek-Latin cabalistical sigla, is no solitary case. Molyart, a.k.a. Bernardo de Vasconcelos, the owner of the Alvarenga entail, is just such an instance. One fraud is thus explained, or rather, justified, with another fraud. If there is one, then there must be two, or better, if there are two, then necessarily there is also one. A piece of incontrovertible evidence, a historical document, who cares? Serendipity and that, I’m afraid, is that.
Another conclusion which, if not then arrived at, will later be taken to extremes, arises from the linking of hasty conclusions which become premises that lead to new and more awe-inspiring conclusions, in a cycle with no foreseeable end in sight.
Miguel Molyart is John II’s agent – and an agent becomes a secret agent.
Miguel Molyart is someone’s alias; so must Christopher Columbus be.
One is an (secret) agent, therefore the other must necessarily be one as well.
And thus is History written.


quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Pestana Júnior - Genealogia de Cristóvão Colombo, aliás Simão Palha

PESTANA Jr., D. Cristóbal Colom ou Symam Palha na História e na Cabala, Lisboa, Imprensa Lucas, imp. 1928.
(Genealogia de Cristóvão Colombo/Simão Palha,
realizada a partir do livro de Pestana Jr.)

Confesso que de todos os candidatos à verdadeira identidade de Cristóvão Colombo a decifração de Pestana Júnior é a que mais me atrai. A proposta de Patrocínio Ribeiro é atraente pela sua simplicidade e ingenuidade, no entanto a do ex-ministro das Finanças é deveras interessante pelo método empregue, que é afinal um dos que mais contribuiu para o progresso da ciência: a descoberta acidental. Por isso só pode ser verdadeira.

domingo, 28 de janeiro de 2007

Pestana Júnior - Cristóvão Colombo, aliás Simão Palha

(Manuel Gregório Pestana Júnior)

PESTANA Jr., D. Cristóbal Colom ou Symam Palha na História e na Cabala, Lisboa, Imprensa Lucas, imp. 1928.

Pestana Júnior começa a sua tese com uma breve crítica a Patrocínio Ribeiro, depois do curto elogio que a praxe impõe. Dá-lhe algum mérito principalmente por ter descoberto a inversão que lhe possibilitou ler Colos – não o fazer até cairia mal – mas aponta-o como fraco latinista e acaba por descartar a sua conclusão principal e que fora obtida pelo tal método meritório.
Contudo Patrocínio Ribeiro terá exercido outras influências sobre Pestana Júnior sem que este tenha tomado consciência disso – ou pelo menos não o admitiu peremptoriamente – pois tal como Ribeiro, Pestana Jr. também perdeu noites de volta da sigla de Cristóvão Colombo.

Desconfiou da genovesidade do Almirante pela leitura da documentação coeva – como todos os outros, diga-se – e ficou convencido que o mistério – sempre o mistério – estava na assinatura – claro! Como é que todos vão lá parar?
A reflexão e a crítica levam-no a recusar XPO FERENS como Christoferens, pois é uma forma desconhecida de grafar o nome Cristóvão. Bom no latim, ao contrário de Ribeiro, falha na paleografia – como muitos outros – e assim recusa XPO como Cristo, mas acaba por convir na mistura greco-latina para no fim acabar por ler Cristo – confuso? Não é para menos!
Questiona a função do traço sobre XPO e o «“bastão” a conter o FERENS» – as aspas são do Autor – e já não é Cólon, vírgula. A paleografia de Pestana Júnior que já dera mostras de ser fracota aqui afunda-se irremediavelmente.
O complicado método do espelho criado por Ribeiro e por si desenvolvido leva-o à seguinte salada de letras gregas, que se passa a citar:

ΧWΛΑS.WΛΧΑS.ΛΑΧΑS.WΧΧΑSW.ΜΥΑ.SWΛYS
XPO FERENS

O que vertido em caracteres latinos – se é que em cima já não os há – dá:

colas, olcas, lacas, occaso, mya, solis,
christo ferens

«Ferens» continua a causar ruído nesta tese já que segundo os autores citados não é grego mas sim latim, o que dá a tal mistura greco-latina que permitirá chegar à identidade de Cristóvão Colombo. Mais tarde, como já se viu e mais se verá, e para iluminar toda a obscuridade que rodeia o Almirante, ainda se vão juntar os elementos hebraicos.
Voltando ao texto grego, este traduz-se do seguinte modo:
«Eu sou, qual Mya aquele que traz à Cristandade as pérolas, as esmeraldas e as gomas preciosas pelo longínquo ocaso do sol».
Fim de citação, p. XCIV. Infelizmente não posso aferir da correcção da tradução já que para mim é... grego!
Ao latino FERENS no fim da salada grega junta-se agora um X que fica de fora. Este último facto irá continuar a perturbar o Autor mas lá voltará mais tarde.
Surge então um rasgo de inspiração. Ou tratou-se de uma revelação?
Diz o Autor, pp. XCV-XCVI: «Apareceu-nos então a possibilidade de aparentar Colombo com Miguel Molyart, que no estudo geral nos surgira como agente do Príncipe Perfeito e que mais não era que o morgado de Alvarenga, Bernardo de Vasconcelos, casado com Violante de Almeida, casa dos Palhas de Évora.
Num momento ocorre a metátese: Colom é simplesmente Colmo = Palha!!»
Note-se que, segundo Pestana Jr., Miguel Molyart é um anagrama de Bernardo (Byrnaldo, na grafia antiga do nome) de Vasconcelos, aparecendo o Miguel dum outro anagrama bem mais rebuscado e não é aqui relevante para o caso.
Tornando curta uma história longa, após mais uns contorcionismos cabalísticos pentagonais, chega-se à decifração final: «A mim Simão Moniz chamais assim».
E para compor o ramalhete faz deslizar o traço sobreposto em XPO até cruzar o «bastão» – e não cólon – e obtém «XPO FERENS †», lendo: «Christo ferens crucem». O que leva a cruz a Cristo, o Cireneu: Simão (pp. C-CI).
Chega-se então ao nome de Cristóvão Colombo, que é, nada mais nada menos: Simão Palha!

Está cá tudo.
O Colombo, com um nome falso, cuja verdadeira identidade se oculta atrás duma sigla cabalística greco-latina, não é caso único. Molyart, aliás Bernardo de Vasconcelos, morgado de Alvarenga, é exemplo disso. Fundamenta-se, ou melhor, justifica-se assim uma fraude com outra fraude. Se há uma também há duas, ou melhor, se há duas, então e necessariamente há uma. A prova irrefutável, o documento histórico, o que é isso? Serendipismo e já está.
Outra conclusão, à qual se se não chega então, será mais tarde levada ao paroxismo, resulta dum encadeamento de conclusões precipitadas que se transformam em premissas que levam a novas e mais extasiantes conclusões, num ciclo sem fim previsível à vista.
Miguel Molyart é agente de D. João II – agente dá em agente secreto.
Miguel Molyart é pseudónimo de alguém; Cristóvão Colombo também.
Um é agente (secreto) o outro necessariamente também o é.
E assim se faz a História.


terça-feira, 21 de novembro de 2006

Os censores ao serviço da pseudo-história colombina na Wikipédia

195.83.48.80
195.83.48.86
195.83.48.87
195.83.48.88
81.67.162.93
83.132.32.238

Exemplos de texto apagados na secção de debate do artigo

NORMAS DA WIKIPÉDIA E OUTRAS CONSIDERAÇÕES (COMENTÁRIO APAGADO VÁRIAS VEZES)
Normas da Wikipédia e outras considerações
De acordo com as normas da Wikipédia este artigo não cumpre os seguintes requisitos:
Não apresenta factos, mas sim opiniões.
Faz experiências colocando teorias sem base factual como se de verdades absolutas se tratasse.
Faz publicidade a um recente livro sobre Colombo provavelmente com objectivos comerciais.
Todos os factos compilados, estudados e analisados por historiadores e estudiosos do tema ao longo de centenas de anos são considerados pouco sérios. Apenas o é quem redigiu o actual artigo de Colombo.
As hipóteses são todas válidas têm é de ser comprovadas e neste artigo não há referência a fontes.
A Wikipédia quer factos e não hipóteses, teses ou especulações.
O artigo, tal como está e a continuar nesta linha, parece assentar no livro referido, o qual pela sua recente edição ainda não foi criticado pela comunidade científica.
O livro em causa segue teorias que têm sido sistematicamente refutadas pela comunidade científica, logo maior razão existe para que as informações por ele veiculadas sejam tomadas com a máxima reserva.
Na eventualidade das hipóteses veiculadas por esse livro se confirmarem, no todo ou em parte, devem constar em texto apenas as informações tidas como essenciais com a devida referência bibliográfica em nota. O nome dos autores e o seu livro deve constar somente na bibliografia, nunca em corpo de texto.
O artigo é sobre Colombo e não sobre quem escreveu sobre Colombo, isso é um outro artigo. Esse sim sobre as teorias existentes à volta de Colombo onde se poderão contrapor as diferentes teses e hipóteses.
É de mau tom ficar como está! Para além disso existem inúmeros trabalhos que seguem a mesma linha dos autores mencionados e que não são referidos. E já não se refere aqui os outros trabalhos de História de numerosos historiadores.— (...) 14:58, 20 Novembro 2006 (UTC)

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Quem julga que é para me apagar os meus comentários? Se eu procedesse da mesma forma há que tempos que o artigo sobre Colomobo português tinha sido revertido para uma edicão de 2005. Pelo menos não envergonha os portugueses em geral e eu em particular! A censura é a arma dos que não têm argumentos. Veja-se o que aconteceu com a Inquisição e com a Pide. Por mais que se queira as pessoas pensam e sabem a diferença entre propagandas e História.—[o mesmo nome de utilizador de acima] 14:58, 20 Novembro 2006 (UTC)

Quem tem medo de ser confrontado com a crítica?
Como é que alguém pode querer silenciar ideias num sítio como este onde tudo fica registado?
Será que há gente tão estúpida que pensa que pelo simples apagar do que foi dito, as ideias desaparecem?
Será que os apoiantes, como se de um jogo de futebol se tratasse, desta tese absurda, julgam que por silenciar ideias discordantes estas deixam de existir?
Só quero ver quanto tempo é que estas observações vão permanecer no texto principal antes dos censores actuarem com a sua tacanha tesoura.


Da Censura em nome da verdade
O que se está a passar começa a ser vergonhoso.
Não se pode calar opiniões só porque não se gosta delas.
Esse tipo de comportamento é indigno de gente que pretende defender a verdade; uma verdade que parece querer impor-se pela violência como se fazia nos Reinos de Castela e Aragão do tempo de Cristóvão Colombo.
Quem defende as ideias expressas neste artigo teme porventura o exame crítico das mesmas?
Que motivos dissimulados movem quem tem e patrocina este tipo de comportamento inquisitorial?
Aliás, se alguém defende que o homem não se chama Cristóvão Colombo, porque não vai então para a entrada criada com o nome de um dos pretensos descobridores do Novo Mundo. Esta aqui é a entrada de Cristóvão Colombo e não a de Simão Palha, Salvador Gonçalves ou Fernandes Zarco ou de qualquer outro personagem ficcional criado sabe-se lá com que fins.
Agora deixe-se aqui fazer o que se deve fazer. Não me venham com a defesa do bom nome de Portugal, da sua honra ou do que quer que seja nesta linha ideológica bafienta e passadista, porque o bom nome de Portugal defende-se com o bom trabalho que hoje aqui se faz e não com invenções, censura e basófia. –(...) 23:29, 20 Novembro 2006 (UTC)