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sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Sobre o uso de armas em Castela

... em castella vemos o dito costume [de ter armas] guardarsse que muytos dos comüs tomão armas quaës querë E de direyto comuü o podem fazer com tamto q não tomem armas alheas...



António Rodrigues[1], Tratado Geral de Nobreza,
Porto, Biblioteca Pública Municipal, 1931, p. 62.

[1] Principal Rei de Armas «Portugal» (1512-1560).

domingo, 4 de março de 2007

As Armas e os Barões, trocados!?

Segue-se mais uma contribuição dos nossos leitores.



Como muito insistente e permanentemente tem sido divulgado, por mui conhecida personagem a “nossa” “estoriografia” contemporânea, com o acordo de alguma douta fiel e “acólita freguesia”, Cristóvão Colombo, perdão Colón, e os manos, Bartolomeu e Diogo, cumprindo com os reais desígnios, ter-se-ão passado a terras de Castela, para, em deliberada e premeditada espionagem, enviarem as castelhanas naus à Índia.

Para o dito efeito, parece dizer-nos aquela supra distinta individualidade, que os três Colombos, perdão Colóns, ter-se-ão vistos coagidos a trocarem os seus reais apelidos, por aqueles por que ficariam conhecidos para a posteridade, pois o “decoro moral”, e a espionagem assim o teria exigido e imposto.


Com esta “metamórfica” operação, os três reais senhores, não só terão mudado de apelido, mas, ao que parece, também, de aspecto, pois no “pátrio solo” terão deixado de poder ser reconhecidos como membros da real família, para o serem da “estirpe” Colombo, perdão Colón, com que a divina “Pomba” terá obrado prodigioso milagre.

Neste maravilhoso milagre, todavia, a famosa “ave” terá manchado a escrita, pois, o nosso distinto “estoriador”, não obstante os seus quinze anos de árdua “inquirição”, se vê confrontado, no ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2007, em inusitada e circunstancial descoberta do que diz ser as verdadeiras armas de Cristóvão Colombo, perdão, Colón, que em exuberante júbilo propalou.


Assim, não obstante a miraculosa mudança, terão permanecido, como indelével marca, as verdadeiras armas do famoso descobridor, o que tudo inculca e converge, segundo a “sábia” opinião, para a dita descoberta da verdade.

Ora, não deixa de ser curioso senão estranho, que tendo sido ocultas as suas reais origens, se tenha dado a conhecer à posteridade as suas verdadeiras armas, o nome das esposas, dos cunhados...!

Ou terão estes, de igual modo, sido trocados por virtude da consequente espionagem?

E, nestes termos, os nomes, que hoje temos, terão sido todos forjados?


Eduardo Albuquerque


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Primeira imagem representando a Luxúria.
Lust, The Morgan Library, Robinet Testard, Book of Hours, France, Poitiers, ca. 1475, MS M.1001, fol. 98r.
As restantes são as bem conhecidas armas do Almirante das Índias de Castela.



segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

As armas de Cristóvão Colombo

Um excerto da carta de Isabel de Castela que confere brasão de armas a Cristóvão Colombo é publicada em 1927 por Patrocínio Ribeiro.[1]

«... un castillo é um Leon, que Nós vos damos por armas: conviene a saber, el Castillo de color dourado en campo verde, en el cuadro del escudo de nuestras armas en la alto a mano derecha, y en el outro cuadro alto a la mano isquierda un Leon de purpura en campo blanco rampando de verde, y en outro cuadro bajo a la mano derecha unas islas douradas en ondas de mar, y en outro cuadro bajo a la mana izquierda las armas vuestras que sabiades tener, las cuales armas sean por vuestras armas e de vuestros fijos y descendientes para siempre, jamas...»

E conclui de imediato e sem mais nada:

O brasão que Colombo anteriormente adoptára para si, por sua alta recreação, decerto, — «las vuestras armas que sabiades tener» segundo refere o documento, — era muito significativo e revelador: um escudo com cinco ancoras, dispostas da mesma maneira que as quinas dos cinco escudetes da bandeira de Portugal! Parece que por esta maneira grafico-simbolico o misterioso nauta, que tão ciosamente escondia em Espanha a sua vida preterita, pretendeu soerguer um poucochinho o veu com que ocultava a sua verdadeira nacionalidade luzitana... Este numero simbolico das cinco ancoras — em confronto com as cinco quinas, e com os cinco escudetes da nossa gloriosa bandeira, — revela o misterio. Colombo era português, porque só um português buscaria uma analogia simbolica com o pavilhão épico das quinas!
Manuel Rosa[2] apresenta uma citação muito parecida mas, tal como Ribeiro (que não é mencionado), não referencia a fonte, o que é sistemático em ambos e impeditivo da necessária confirmação dos dados apresentados.
Neste capítulo, além de se tecerem considerações várias como se algum ajuste de contas houvesse a fazer, há uma dispersão por temas marginais, secundaríssimos e esotéricos que em vez de esclarecerem só mistificam. Fazem-se declarações de fé[3], remonta-se ao conde D. Henrique de Portucale para procurar um entroncamento borgonhês, passa-se pela simbologia rosacruziana, para acabar por reconhecer a «tamanha escassez dos factos»[4] e de nada se ter avançado neste capítulo que adiante algo ao que Patrocínio Ribeiro escrevera.

Se as armas apresentadas são as de Cristóvão Colombo e se, para efeitos de discussão académica, as âncoras são legítimas, ou seja, «las armas vuestras que sabiades tener» antes de 1493, então ter-se-á que procurar entre as famílias portuguesas (e estrangeiras!) aquelas que têm âncoras anteriores a essa data e ver se nelas se pode encaixar o navegador de forma mais plausível do que tem sido feito até aqui.
Não sendo âncoras os elementos que deveriam figurar, mas outros quaisquer em X, então dever-se-á fazer o mesmo que em cima foi enunciado.
Mas também se se enveredar pelo caminho «dos elementos que deveriam figurar mas não figuram», então todas as famílias brasonadas antes dessa data são candidatas a parentes de Cristóvão Colombo.
Mas também, ainda, os elementos que constam na ponta inferior do escudo, e que não são referidos pela carta da rainha D. Isabel, deveriam merecer atenção na pesquisa de acordo com os critérios e considerações acima enunciados.

Um problema de outra ordem é o de se saber se Cristóvão Colombo tinha ou não tinha armas antes de 1493.
Na ausência de fontes que o atestem ou desmintam não se pode saber. O que não invalida a possibilidade de se colocar toda uma série de hipóteses que, como tais, nunca serão certezas. É que a possibilidade de fazer História tem limites e quando estes são atingidos há que ter a humildade de o reconhecer e de não inventar.

Como hipóteses, e não como certezas do que quer que seja, e partindo de determinados pressupostos também eles hipotéticos, convinha considerar o seguinte:
Assumindo que Cristóvão Colombo não tinha armas, este poderia ter insinuado ou declarado possuí-las e nunca ter feito prova disso, acabando o poder, voluntária ou involuntariamente, por acreditar, esquecer o assunto ou, não acreditando, deixar-se ludibriar. Afinal um almirante, vice-rei, etc. tem de ter alguma dignidade e pedigree, além de que a própria dignidade que o estado devia apresentar a isso impelia.
Querendo o poder omitir as armas originais de Cristóvão Colombo por este ser o português (ou qualquer outro) que se diz ser, não omitiria também, e se calhar mais facilmente, a falta destas por qualquer razão, como por exemplo pelas razões acima referidas?
Se a rigidez, apresentada quase como canónica, da atribuição, reconhecimento e vigilância das armas era tanta, então porque é que hoje não abundam por todos os arquivos os registos das suas atribuições, confirmações, reconhecimentos e reprovações? Afinal, se a heráldica era assim tão importante, esses registos deveriam ter sido religiosamente guardados e sobrevivido até aos nossos dias. Mas havendo essa rigidez, não havia sempre a possibilidade da excepção pela simples vontade régia que em Portugal, por exemplo, se exprimia na forma escrita sob a fórmula «de minha certa ciência e poder absoluto... sem embargo da ordenação e do parecer dos doutores», o que na prática, e no extremo, permitia ao rei ser senhor absoluto impondo a sua vontade ao arrepio da Lei?

Como se referiu, a possibilidade da História está limitada às fontes disponíveis. Para além delas fica-se limitado à formulação de hipóteses e conjecturas cuja plausibilidade está condicionada pelas possibilidades epocais e argumentação racional. Ora, plausibilidade, possibilidade epocal e argumentação racional não são objectiváveis e é nelas que residem grande parte das verdadeiras polémicas em História. Isto já de si é verdadeiramente complicado, tornando-se ainda mais quando pelo meio aparece quem se recuse a operar com os mesmos valores.

[1] Patrocínio Ribeiro, A Nacionalidade Portuguesa de Cristovam Colombo, 1927, p. 51.
[2] Manuel da Silva Rosa & Eric J. Steele, O Mistério Colombo Revelado, 2006, cap. XVII.
[3] «De acordo com a nossa crença de que Colon era um membro da realeza portuguesa (...)», Id., Ib., p. 525.
[4] Id. ib., p. 526.

domingo, 17 de dezembro de 2006

As armas de Cristóvão Colombo, as Quinas, e as outras

Como anteriormente mostrei, há outras famílias em cujas armas figuram cinco elementos repetidos dispostos em X. Os exemplos apresentados foram escolhidos de forma perfeitamente casual, mas duvido que tenham maiores relações sanguíneas com a família real que a maioria das restantes famílias brasonadas de Portugal.
Barbosa Soeiro escrevinhou sobre armas de Colombo e das Quinas nacionais, fez uns poucos jogos de geometria (e mais poderiam ser feitos) para chegar ao ponto de partida: Cristóvão Colombo era português! Este método historiográfico fez escola e quase 80 anos depois é retomado e adaptado no Mistério Colombo Revelado, p. 524 e ss. Só que em vez de pontos e linhas trabalha-se agora com círculos.
Há explicação de origem coeva para três quartos do escudo (a saber: castelo invoca Castela, leão o reino do mesmo nome, as ilhas as terras descobertas) e estando reservado o último para as armas de família, aonde acabaram por figurar as tidas por enigmáticas âncoras.
Estas âncoras têm sido vistas sob as mais especulativas e delirantes perspectivas, excepto pela mais óbvia e normativa da armaria que é o representarem serviço naval de relevo. Se Colombo anteriormente não tinha armas, e para não ficar o campo vazio, o que é que lá havia de pôr e que mais sentido fizesse?

O que é que significam as imagens acima apresentadas?
Não sei. Diga-mo quem souber. A mim pareceu-me um exercício engraçado.

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

A Nacionalidade Portuguesa de Cristóvão Colombo e as Quinas



Em A Nacionalidade Portuguesa de Cristovam Colombo, pp. 51-53, Patrocínio Ribeiro vê nas armas de Colombo mais um elemento de prova ao constatar que as cinco âncoras têm a mesma disposição em X que as Quinas dos escudetes de Portugal.
Barbosa Soeiro, como visto anteriormente, dá início à interpretação cabalística; esta, desenfreada nas mãos de outros autores, vai atingir o paroxismo em O Português Cristóvão Colombo..., que na p. 544 vai mais longe que qualquer outro na interpretação das armas, não escapando, inclusive, o esquisito detalhe na base:

(...) esta inovação – pretensamente consentida por Colon-Zarco – é passível de justificação, por representar, no chefe da ponta, a câmara esotérica; e Câmara era o nome de nobilitação concedido a João Gonçalves Zarco e transmitido a todos os seus descendentes. E em banda vê-se o símbolo alquímico-templário da crisopeia: o ouro conseguido sobre a prata da argentopeia. Também a representação da «terra firme» no terceiro quartel do escudo se justifica, porque Colón-Zarco (conquanto só a tivesse explorado, para os Reis Católicos, no decurso da sua 4ª viagem às Antilhas, em 1504) já declará-la tê-la descoberto muito antes da primeira expedição. Quanto ao quarto quartel do escudo, reservado pelos Soberanos de Espanha pa «las armas vuestras que solíades tener», supõe-se logicamente que seriam os besantes (não de prata como os das «quinas» das armas de Portugal e dos Infantes, mas de ouro), em campo azul, que o almirante, precavidamente, teria substituído por ancoretes (ou ancorotes), correspondentes aos angoroths hebraicos, ou seja, precisamente, as mesmas moedas simbólicas. E segundo a nossa tese, tê-lo-ia feito para que o supusessem filho de uma Henriques e não de uma Zarco de comprometedora ascendência judaica.

Desta pérola para cá, é o ocaso.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

As armas de Cristóvão Colombo e as Quinas

Como é que se explicam estas armas cabalisticamente?

Em cima, da esquerda para a direita: Armas de Barbudo, Guedes, Coutinho.
Em baixo, pela mesma ordem: Machado, Maldonado, Velho.
(in Genea)

Em que é que diferem de parte das armas de Cristóvão Colombo e das «Quinas» das armas nacionais?