(...) Eu Joha[m] Gonçallvez Zargo cavalero da cassa do Ifante dom Anrique e regedor por ho dito senhor em a sua ilha da Madeyra em o Fonchal e seus termos (...)
(Excerto da leitura, transcrição e edição feitas a partir do documento apresentado em O Mistério Colombo Revelado, p. 399)
Os autores do referido livro lêem Zarqo e não Zargo e já se mostrará porquê.
Como se pode ver na segunda imagem, João Gonçalves Zarco é referido pelo tabelião que faz este documento como sendo Zargo e não Zarqo. O próprio João Gonçalves assina Zargo, como se pode ver nesta primeira imagem.

É Zargo e não Zarqo como facilmente se comprova comparando o g de Zargo com o g de Gonçalves ou o g de regedor – são praticamente iguais.


Se dúvida persistir continue-se a comparar e veja-se como o tabelião, ou o seu escrivão, desenha o q em Henrique (grafado anriq, tendo o q um traço sobreposto indicando tratar-se de abreviatura) ou ainda como desenha o q (que isolado com um traço sobreposto é abreviatura de pronome, conjunção, advérbio ou locução), que .


Lendo-se Zarqo e não Zargo permite aos autores darem um salto para zarqa, que dizem ser uma letra hebraica, e mergulharem em divagações hebraico-cabalistas sobre as quais nesta nota crítica não se entrará, ficando a crítica para a via hebraica para pessoa mais competente. Quanto à Cabala, não é um método historiográfico.
Uma última nota de ironia para referir que, e baseado unicamente no que se vê neste documento, o indivíduo conhecido por João Gonçalves Zarco não é João Gonçalves Zarco, pois não assinava assim, assinava João Gonçalves Zargo. Entenda-se deste modo: Cristóvão Colombo nunca terá assinado Colombo, por isso...
(Texto revisto em 6-12-2006 23:05 para tornar mais clara a ideia por detrás do discurso.)