terça-feira, 16 de outubro de 2007

Cristóvão Colombo – falsas premissas

Muito da (falsa) polémica colombina parte de falsas premissas. Um exemplo tem sido dado por um dos comentadores deste sítio que, como outros, por vezes é demasiado insistente querendo-nos obrigar a dizer o que honestamente não podemos dizer.

Eu penso que você, enquanto muito bom historiador que proclama ser, tem neste caso, e graças a este espaço, a inteira responsabilidade do ónus da prova.
Por favor, não complique com falsos propostos algo de simples, não fuja mais a perguntas tão simples com subterfúgios tão escolásticos:
Quantas autorizações foram dadas por D. João II para membros da sua Ordem [de Santiago] casarem com estrangeiros plebeus?
Mais alguma vez no século XV um plebeu estrangeiro casou com uma comendadeira da Ordem de Santiago?
Será que o próprio irmão de Cristóvão Colombo podia ter um "negócio de cartografia" naquela época de mare clausum e de conspirações contra o rei de Portugal?
PS: Faço-lhe até o favor de poder escolher uma das três perguntas como testemunho da minha boa fé.
Ramon de Mello - Historiador especializado no Quattrocento italiano.
Terça-feira, Outubro 16, 2007 9:18:00 AM
[Comentário deixado num texto anterior, para aqui copiado e corrigido.]

1. Em lado algum (aqui ou noutro sítio) alguém me viu a alardear as minhas qualidades de historiador.
2. Enquanto arguente não tenho de provar a veracidade duma tese (Colombo Português, etc.), antes pelo contrário, tenho de procurar tudo o que nela há de frágil para demonstrar a sua inconsistência, cabendo ao(s) autor(es) demonstrar com provas e sólidos argumentos lógicos a veracidade do que diz(em).
3. O referido em 2. é evidente para qualquer cientista, mas já não o é para o pseudocientista.
4. A Lógica é a maior contribuição da Escolástica para o pensamento universal, não se menospreze.
5. Ninguém sabe quantas autorizações foram dadas para as meninas de Santos casarem, se é que por sistema eram dadas licenças, e ainda menos se sabe quantas dessas putativas licenças foram concedidas para matrimónio com estrangeiros.
6. Não foi encontrada fonte primária que demonstre Filipa Moniz, residente em Santos, ser a filha de Bartolomeu Perestrelo e ter casado com Cristóvão Colombo. O facto de não se conhecer fonte primária demonstrando o referido casamento, mais do que permitir a conclusão de elevado estatuto de Colombo, autoriza a dedução condicionada de que outros matrimónios envolvendo gente do mesmo nível do futuro Almirante também não deixaram registo. Por aqui se vê que a pergunta formulada não tem resposta viável e resulta duma falha de Lógica.
7. Juntar irmão de Cristóvão Colombo, cartografia, Mare Clausum e conspirações contra D. João II numa frase tão curta e desta forma é também uma bela falácia a que, para ser perfeita, só falta a inclusão da Política de Segredo. Esta é uma técnica muito querida da pseudociência e do seu subproduto, a pseudo-história: fazem-se várias afirmações, agarrando em coisas distintas, cada uma delas merecedora de análise particular, e apresentam-se como premissas, evidências claras e inquestionáveis, que forçam a dedução no sentido desejado.

5 comentários:

Ramon de Mello disse...

Criticar a pergunta sob todos os pontos de vista possíveis (neste caso 7), e nunca, mas nunca, admitir que simplesmente, ignora, propositadamente ou não, a resposta.

Este é o método dos pseudocientificos aos quais você julga se opor!


Creio que aqui o problema fundamental não se circunscreve a problemática do sangue luso de Cristovao Colom'. Para que fiquemos bem entendidos, o problema substancial que aqui se coloca é a forma irracional como o senhor e a sua "clique" tem vindo a tratar este tema (acabo de observar as outras paginas).
Qualquer pessoa, historiador ou não, português ou não, com um mínimo de sentimento patriótico, iria Logicamente partir do pressuposto que CColom podia ter sido um grande homem do seu pais, pondo a parte vários países da UE e qualquer nação em volta desta. Esta postura é ainda mais acentuada para quem ensina o papel de Portugal durante o século XV (mare clausum, politica de sigilo,busca do prestes João etc).

Um individuo com um mínimo de conhecimentos históricos sobre a polémica em torno de Cristovao Colom tem toda a legitimidade em analisar a naturalidade de Colom com base na historia da sua própria nação. Isto não deveria passar de uma hipotse com igual valor as outras hipotses sobre a origem de Colom claro, no entanto, saliento de novo que, o Sentido da pesquisa tem todo direito em ser iniciado a partir da teoria proposta pelo seu próprio pais, para progressivamente comparar os dados "nacionais" com os dados de outras teses. Ou seja, quem tem o privilegio de ser português deve aceitar de primeira mão a teoria portuguesa sobre Colom e nunca nega-la antes da sua primeira leitura. Isto é o que se continua a fazer aqui e é pura deslealdade para os seus leitores.
Um historiador deve contentar-se com a possibilidade de um Colom podendo ter sido do seu pais, alias, nunca na vida li um historiador a fazer troça de possibilidade tão gratificante para o seu pais. Nunca na vida li tantas analises a documentos com um sentido previamente dirigido para um resultado contrario ao que se obteria com a mais perfeita das objectividades. Nunca senti tanto preconceito como nestes estudos históricos apresentados pelo blog.
Pois quando vocé não nega claramente um Colom português, já nos sentimos que a vossa conclusão não se ira afastar muito do tom imposto do inicio até ao fim do texto. Parece mesmo que o Sr tem cabulas inéditas mas que por prestigio académico pretende não revelar a sua omnisciência de maneira abrupta. De uma forma ou de outra, tal processo serve o intuito de nunca danificar a sua imagem de historiador..."sem problemas por resolver". Infelizmente para si, a nossa comunidade privilegia quem procura a verdade a todo custo, e repugna quem declama te-la encontrada com a maior das facilidades.

Você não é nenhum juiz para tratar este tema de maneira tão "pseudo" objectiva e imparcial. Você esta em primeiro plano para proteger e declamar a nossa historia ao mundo.
Repito, você não é nenhum juiz, você é historiador Português!

Escandaloso é ver o Sr e os seus colegas a negar a todo custo uma qualquer hipotse de um Colom português mesmo antes de terem posto em causa qualquer outra teoria, seja ela genovesa, espanhola etc. Aqui poderíamos utilizar o termo de "antipatrias", mas a reacção seria assassina, também ja eu estou a ficar com PRE-sentimentos.
Não, isto é tudo uma questão de Ego corporatista e garanto-lhe que não lhe trará fama nenhuma, antes pelo contrario, é que os tempos mudaram meu caro Sr J. C. J. S.

Afinal quem tem medo de apresentar provas?
Quem usa da escolástica até a nauseá para pervertir perguntas tão básicas como aquelas referidas acima?
Quem tem um ego de corporatista tão incomensurável que o faz encarar a sua profissão como se de uma missão celestial se tratasse?
Quem não quer enfrentar duvidas e incertezas históricas?


Em soma, quem é que aqui pratica a politica de avestruz?

Ficarei atento aos próximos contributos que vossa excelência ira facultar-nos, neste sitio e no vosso espaço de trabalho (cujo lugar irei certamente descobrir em breve por todos os meios).
Acrescento também que irei alertar todos os meus colegas, historiadores e outros professores, sobre o tratamento que aqui se faz a historia portuguesa por alguém que realmente, e isto vem mesmo a calhar, parece ter um ego fortemente "mal alivinhado".
Deixe estar que a provocaçãozinha feita na minha consagrada mensagem não ficara impune. Assim escusado sera dizer-lhe que não lhe envio quaisquer cumprimentos.

Até muito breve.
Ramon de Mello

Anónimo disse...

Desta vez não teve direito a primeira pagina. A fama ja incomoda, que tristeza

Ana Maria Breiner disse...

"Infelizmente para si, a nossa comunidade privilegia quem procura a verdade a todo custo, e repugna quem declama te-la encontrada com a maior das facilidades."

Subscrevo por completo a estas palavras.
O meu confrade não podia estar mais certo.

Parece ser impossível que só em Portugal se encontre este comportamento digno de estrangeiros 'super' pre-conceituosos e de uma extrema ma fé.

Acho que os autores deste blog são pessoas arrogantes e destestaveis , sem qualquer escrúpulos para protegerem o tal brilho do ego "mal alinhavado".

Não sou a única.

Ana Maria Breiner

Ana Maria Breiner disse...

Adenda:

"falsa) polémica colombina" ??!

Mas afinal em que mundo é que vivem vocês?

Ana Maria Breiner

Anónimo disse...

catarina

para mim e uma tristeza mas vai-lhe acontecer mais coisas tenho muita pena