sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Cristóvão Colombo: O Enigma – Manoel de Oliveira

O realizador de cinema Manoel de Oliveira vai estrear o seu novo filme no festival de Veneza.
A última obra do decano do cinema mundial chama-se Cristóvão Colombo – O Enigma e baseia-se no livro de Luciano da Silva e de Sílvia Jorge, Cristóvão Cólon era Português; a sua exibição será extraconcurso.
Normalmente um romance ou um filme histórico não me merece qualquer comentário público, já que ninguém minimamente bem formado toma isso por História tal como noutras obras de ficção ninguém no seu perfeito juízo questiona a existência de fadas, elfos ou orcs.
O próprio realizador diz que «Não se trata de um filme científico ou histórico, nem de carácter propriamente biográfico, mas sim de uma ficção de teor romanesco, evocativa da grandiosa gesta dos Descobrimentos Marítimos».
Assim vejo-me forçado a concordar com a primeira parte do que Manoel de Oliveira diz, mas sinto-me triste pela escolha da figura para invocar a «grandiosa gesta dos Descobrimentos Marítimos». Cristóvão Colombo só é grande porque se enganou redondamente e pelo caminho encontrou um continente onde por um acaso da História se localiza hoje a maior potência económica do mundo e como tal é um bom mercado para o seu filme, mesmo que ele não venha a ser um blockbuster.
Querendo evocar a épica dos descobrimentos poderia escolher inúmeros outros navegadores desde o mais famoso Vasco da Gama até aos menos vistosos Gil Eanes, Bartolomeu Dias ou até uma ficção em torno de Duarte Pacheco Pereira (ou uma figura inventada) e a exploração das correntes e ventos do Atlântico Sul, um feito de génio como nunca até aí levado a cabo pela humanidade.
Mas se quisesse ser politicamente incorrecto – o que também é uma boa fórmula para o sucesso de bilheteira – poderia pegar em figuras como D. Francisco de Almeida, Afonso de Albuquerque ou até, de novo, Duarte Pacheco Pereira a sustentar o cerco de Cochim.
Agora uma coisa garanto, não sou eu que vou gastar do meu bolso para ver um filme baseado numa tese fraudulenta sobre uma figura menor inventada para satisfazer egos mal alinhavados.

22 comentários:

sas disse...

"...descobre por acaso!"
"...não vou gastar dinheiro para ver um filme baseado numa fraude!!!"

ah,ah,ah...

pois eu vou gastar o que for preciso para o ver!

Esta linha de pensamento, que acabei de ler, é um verdadeiro tratado de ignorância...pior, é um atentado à minha inteligência.
Não faz mal, eu devo ser um asno de raça apurada, de elite!
Ah, Ah,...o que vale é que a ignorância de uns é a boa disposição de outros. Continuem assim, pois preciso de me rir.
O meu muito obrigado aos pseudo-columbinos por este momento lúdico.

Anónimo disse...

"Agora uma coisa garanto, não sou eu que vou gastar do meu bolso para ver um filme baseado numa tese fraudulenta sobre uma figura menor inventada para satisfazer egos mal alinhavados."

Egos mal alinhavados?

Olhe meu amigo, perante factos ha boatos.

Vocé ja sabe bem disso e seria melhor para o seu ego chacinado pela falta de reconhecimento do seu trabalho historico, que nao insulte pessoas que nao conhece e que admite que documentos validamente historicos nao se comparam a rumores e cronicas plagiadas!!


Afinal, quem é que tu pensas ser para nos dar a tua opiniao publica?!

Um abraço de muito boa vontade.

J. C. S. J. disse...

«Afinal, quem é que tu pensas ser para nos dar a tua opiniao publica?!»

Artigo 37.º, § 1, CRP

Anónimo disse...

Realmente, o que este interviniente quiz dizer é que a vossa opiniao nao conta para nada senao para vocé expressar o tal ego "chacinado" com a ajuda de alguns insultos (lindo), que interesse temos em conhecer a vossa opinião? Nenhum.

Mas bem, ambos sabemos que o que vai ficar na historia é o "Misterio Colombo revelado" e o papel desempenhado por Manuel Rosa, nao a historieta repetida por um qualquer J. C. S. J. e os seus blogs de opiniões e documentos desprovidos de qualquer excepcionalidade.

Cumprimentos.

Anónimo disse...

""...não vou gastar dinheiro para ver um filme baseado numa fraude!!!""

Sim, o filme é baseado numa fraude, parece que apos estes anos todos o senhor aprendeu qualquer coisa.


Lembre-se:

As ideias trabalham-se, partilham-se, trocam-se.

As opiniões são como quistos mentais, egoistas e sem qualquer riqueza de ressucinio.


Um abraço.
TBF

Anónimo disse...

O que é um ressucinio?

F. V. F. disse...

Para o anónimo dos quistos:
ver

Ramon de Mello disse...

Quantas autorisaçoes foram dadas por D.Joao II para as membras da sua ordem casarem com estrangeiros plebeus?

Mais alguma vez no seculo XV um plebeu estrangeiro casou com uma comandadeira da ordem de Santiago?

Sera que o proprio irmao de Cristovao Colombo podia ter um "negocio" de cartografia" naquela epoca de mare clausum e de conspiraçoes contra o rei de Portugal?

Obrigado
R. de Mello

Ramon de Mello disse...

Obrigado por este silencio tão revelador da vossa ignorancia.

Mais uma vez obrigado.

J. C. S. J. disse...

Sr. Ramon de Mello,

Não se respondeu por as perguntas serem falaciosas e qualquer resposta obrigar primeiro à demonstração da falácia para depois remeter para muito do que neste blogue já se escreveu.

Ramon de Mello disse...

Perguntas falaciosas?

A definição da falacia não se enquadra as perguntas previamente colocadas. Aconselho vossa excelencia a consultar a ultima versão do dicionario editado pela Porto Editora.

São perguntas como outras, e é obvio que so as coloca por não terem sido tratadas neste blog, portanto não ha razão para não esclarecerem duvidas tão basicas como estas.

E afinal quem é que tem medo de apresentar provas?

J. C. S. J. disse...

Relevando-lhe o acinte da pergunta, e digo-lhe que no meu dicionário, entre outras definições, falácia é, na Lógica, toda a inferência errónea, não válida. Para mais e melhores definições consulte, por favor, uma das ligações na barra lateral desta página.

A sua pergunta, partindo dum falso pressuposto, conduz a uma resposta predeterminada que não pode ser verdadeira.
Por isso, e a título de exemplo, devolvo-lhe a falácia e pergunto quantas autorizações deu D. João II para mulheres de Santos casarem com homens da alta-nobreza? Até facilito mais, quantas autorizações foram dadas para casarem?

Anónimo disse...

Eu penso que você, enquanto muito bom historiador que proclama ser, tem neste caso, e graças a este espaço, a inteira responsabilidade do ónus da prova.

Por favor, não complique com falsos propostos algo de simples, não fuge mais a perguntas tão simples com subterfúgios tão escolásticos :

Quantas autorizações foram dadas por D.João II para as membras da sua ordem casarem com estrangeiros plebeus?

Mais alguma vez no século XV um plebeu estrangeiro casou com uma comandadeira da ordem de Santiago?

Será que o próprio irmão de Cristóvão Colombo podia ter um "negocio de cartografia" naquela época de mare clausum e de conspirações contra o rei de Portugal?

PS: Faço-lhe até o favor de poder escolher uma das três perguntas como testemunho da minha boa fé.

Ramon de Mello - Historiador especializado no quattrocento italiano.

F. V. F. disse...

Ninguém no seu perfeito juízo proclama ser muito bom historiador, para além de ser excesso de confiança revela um ego gigante inamovível e fechado a qualquer tipo de crítica. O Sr. Ramon de Mello pode verificar pelas postagens e comentários dos autores desta página que quando se erra reconhece-se o erro.
Refere que JCSJ, e os outros autores por arrasto, têm o ónus da prova. Trata-se da inversão total do método científico!
Imaginemos que alguém estuda uma doença e escreve um livro em que diz ser uma enfermidade causada por um vírus, mas depois pede aos seus colegas e à sociedade em geral que prove ser isso a verdade. Acharia isso plausível? Isso revelaria por parte do “médico” uma perfeita ignorância, oportunismo e arrogância.
Quem apresenta uma tese, um estudo ou um trabalho tem de saber defender as suas ideias com bases sólidas e tem obviamente de provar o que disse. Não pode estar à espera que quem lê vá provar que é verdade. O objectivo do leitor é questionar e verificar se as provas de quem escreve são sólidas ou não.

F. V. F. disse...

Esqueci-me, Sr. Historiador
Já que é especialista no Quattrocento Italiano pode começar já a rever as origens italianas de Colombo.
A sociedade agradece.

Ramon de Mello disse...

As perguntas foram dirigidas ao autor da mensagem de origem.
O sr, ou Sra F.V.F, se não tem uma onça de coragem para revelar o verdadeiro nome como eu o estou a fazer, que faça pelo menos o esforço de não se intrometer onde não foi chamado.

Acredito, com um pequeno sorriso de duvida, que o Sr. J. C. J. S ja deve ser bem crescido para poder responder sozinho.
Portanto, as perguntas mais simples ficam em suspenso, sabe se là porqué.

Cumprimentos

F. V. F. disse...

Caro Ramon Mello
Tem toda a razão, estou a intrometer-me num diálogo duma página em que sou um dos autores. Aquilo que um anónimo pode fazer, a mim está-me vedado, pois só me identifiquei com iniciais tal como os meus colegas "bloguistas".
Talvez não saiba mas é prática comum na blogosfera a possibilidade de qualquer um poder comentar o que foi escrito, até de anónimos.
Um Bom Dia.

F. V. F. disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
F. V. F. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
J. C. S. J. disse...

FVF,

Talvez te lembres daquele professor que num seminário disse mais ou menos o seguinte:
«Qualquer licenciado em Direito se diz jurista; qualquer outro em Economia se diz economista ou um em Antropologia se diz antropólogo, etc. Só nós, licenciados em História, é que nunca temos a coragem de dizermos que somos historiadores porque nunca nos julgamos à altura e, portanto, dignos de usarmos esse título».

Anónimo disse...

A História é património comum. Por isso, não devemos deixá la cair em más mãos.”
Georges Duby
(Filosofo francês em entrevista concedida
ao “L’Express” de 14/2/92)
Se há factos evidentes de Colombo ser português, mesmo que tenha sido uma triste figura sem prestigio para Portugal, porquê deixar que a História esteja errada?
Deixaremos que ele seja um falso Genovês ou Castelhano?
Artur Moura

J. C. S. J. disse...

G. Duby é um dos mais influentes historiadores do século XX e a mim marcou-me definitivamente.

Precisamente por não se poder deixar cair a História nas mãos de qualquer um é que este blogue foi criado: a História é algo de demasiado sério para se deixar que seja manipulada por interesses obscuros ou adulterada para satisfação de egos pessoais.