quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

A nobreza


(British Library, Manuscrito Sloane 2435, fl. 85.)

Uma das premissas em que se baseia a pseudo-história da família de Colombo é que um mero mercador ou um filho de tecelões não podia ascender à nobreza. No entanto, tanto os casos conhecidos como as fontes ensinam-nos o contrário, a começar logo pelo documento aqui republicado que mostra como e porquê Cristóvão Colombo recebe os títulos que recebeu.

Mas já antes a crónica de D. João I desmistifica isso duma forma exemplar.
D. João I para ascender ao trono beneficiou de alguns apoios de pessoas de estrato social pouco elevado e como forma de reconhecimento o rei recompensou alguns dos seus apoiantes com títulos de nobreza. Esta sua característica mereceu-lhe o cognome O da Boa Memória.
Veja-se agora o que diz um conceituado autor de genealogias sobre a nobreza (fidalgo):

Explicação dos Foros
N. 19 - Todo o Fidalgo se pode filhar logo que for baptizado no foro do seu pay, ou Avo, e se for Moço Fidalgo, se pode logo acrecentar não havendo de servir no Paço. O filho de Fidalgo que se filhou de novo, se pode igualmente filhar logo. Poucas veses da ElRey o foro de Fidalgo, da primeira instancia e muito menos o de Moço Fidalgo, mas se o der se poderá com os outros acrecentar; o que ordinariamente se dá he o Foro de Fidalgo Cavalleiro com moradia ordinária, e para isto he necessário concorrão na pessoa a quem faz esta mercê estas qualidades = sangue puro = servisso qualeficado = Nobresa conhecida = ou ao menos a deve provar pellos quatro avos. Porem as veses são os servissos taes que o Rey dispensa em tudo para dar Foro de Fidalgo de que há muitos esemplos, como foi no tempo do Rey D. João 4 no anno de 1653 que deo o Foro de Fidalgo ao valente Henrique Dias homem preto, fasendo a guerra no Brasil no posto de Sargento Mor, e Coronel de hum Regimento de Pretos em que obrou proezas, do qual se não sabe de pays. (Manuel José da Costa Felgueiras Gaio, Nobiliário das Famílias de Portugal, Tomo 1, Braga, 1938, pp. 17-18)
Segundo as regras eram necessárias várias qualidades para se poder ser fidalgo:
1. Sangue puro (sem sangue de negro, mouro ou judeu);
2. Serviços qualificados (entendido geralmente como serviços em campo de batalha, mas que pode incluir os serviços nas letras ou outros serviços como os empréstimos ao Rei ou à sua casa);
3. Nobreza conhecida (viver e ser reconhecido pela sociedade como nobre, sem ter um ofício mecânico ou usar as mãos para garantir o seu sustento).
Ainda de acordo com Felgueiras Gaio, a falta dum ou mais itens de classificação não era impeditivo duma determinada pessoa passar a ser nobre. O rei pela sua autoridade podia tornar nobre alguém que se distinguisse “por sua própria ciência” independentemente do parecer de ordenações e doutores em contrário.
Esta conclusão é corroborada por muitos exemplos que surgem nas Chancelarias Régias onde se registavam estes e outros acontecimentos duma forma sistemática.
Vejamos um filho de mercador que passou a ser cavaleiro:
Confirmação de cavaleiro, Almeirim, 16/2/1551
António Lopes morador em Goa, filho de João Lopes Romeiro mercador morador em Lisboa apresentou alvará de António da Silveira, capitão e governador de Diu. António destacou-se na batalha que teve com Cojecasar capitão do rei de Cambaia e por isso o armara cavaleiro. O rei confirmou essa nomeação (ANTT, Chancelaria de D. João III. Privilégios, Livro 4, fl. 144.)
Ou os criados dum nobre que passaram a usar do privilégio de fidalgos:

Privilégio de fidalgo
A 17/11/1567 em Lisboa Jorge Fernandes Lamada (?) morador em Coruche apresenta alvará de D. João III para que pudesse gozar do privilégio de fidalgo concedido aos criados de Diogo Lopes cavaleiro fidalgo da casa real tal como a mulher Guiomar Dinis (ANTT, Chancelaria de D. Sebastião e D. Henrique. Privilégios, Livro 5, fl. 141-141 v.)
E um homem negro que é cavaleiro vassalo:
Privilégio de herança, Lisboa, 9/2/1550
A D. Martinho, homem preto, morador na Mina, cavaleiro vassalo é confirmado o alvará dado a seu pai Domingos para que sua mulher e filhos possam herdar os seus bens e não outra pessoa como é costume dos naturais da terra (ANTT, Chancelaria de D. João III. Privilégios, Livro 4, fl. 260 v.)
O caso dos cristãos-novos e mercadores Castro do Rio que passaram a ser fidalgos de solar:
Carta de fidalgo, 9/7/1561
A Diogo de Castro do Rio por “alguns justos respeitos que me a isso moveram” foi feito fidalgo com solar conhecido tal como seu irmão Luís de Castro do Rio. O solar é a quinta do Rio e as armas: campo de prata (...) (ANTT, Chancelaria de D. Sebastião e D. Henrique. Privilégios, Livro 2, fl. 124-124 v.)

(Palácio dos Correio-Mor da família Gomes da Mata)

Ou o dos cristãos-novos mercadores Gomes de Elvas que passaram a Gomes da Mata, também com solar e considerados fidalgos de costados. Estes também são conhecidos como os Correio-Mor:
Alvará a Luís Gomes de Elvas, Valladolid, 18/2/1606
Por respeito aos serviços de Luís Gomes de Elvas e seus filhos António Gomes de Elvas, Pêro António, João Gomes e Duarte Reimão fez-se mercê de fidalguia a todos, seus filhos e netos assim como descendentes. Não podem ser obrigados a contribuir para nenhuma finta (...) que se peça a gente de nação ou de negócio que tivesse nome de perdão. Por isso os seus nomes e de seus antepassados devem ser borrados de qualquer livro ou memória que houver de fintas e lançamentos que se faz à gente de nação e todos os passados de empréstimos e contribuições que se pediram aos homens de nação ou de negócio. Seus nomes terão de ser borrados nos livros, cadernos e papéis onde constarem (ANTT, Chancelaria de Filipe II. Privilégios, Livro 3, fls. 137 v.-138.)
Resumindo e concluindo, existem vários exemplos na História de Portugal de pessoas consideradas de estrato inferior que ascendem à nobreza confirmando-se que a hierarquização da sociedade não é estática, mas sim permeável. Existem sempre movimentos de ascensão e de decadência.

Concluindo, Cristóvão Colombo propõe-se a dar aos Reis Católicos um império, coisa com que estavam muito longe de sonhar. Como recompensa por tão grande serviço só pede para si e para os seus as honras que recebeu. São grandes? Também os territórios e as riquezas que estes ofereciam o eram.
(Última actualização: 11-09-2008 15:30)

20 comentários:

Colon-o-Novo disse...

Senhor F. V. F.,

Ninguém questiona que um grande feito como foi dar o Novo Mundo a Castela merecia que o responsável fosse premiado e feito "nobre", "fidalgo" etc.
Não é isso que aconteceu. Seja honesto.
C. Colon era casado em Portugal com uma senhora nobre com a qual nunca se poderia casar se ele não fosse nobre.
C. Colon usava armas antes de fazer a descoberta.
C. Colon é nomeado "DON" no contracto mesmo sem ter feito nada.
Os filhos de C. Colon foram feitos pajens da corte de Castela meses antes de C. Colon levantar âncoras.
Vai-me dizer que os reis pagaram-lhe em adiantado pelos resultados que não sabiam se íam ter?
Vai-me dizer que D. João II casou-o com uma Comendadeira de Santiago porque vía neste tecelão promessa de ele vir a ser grande e famoso 20 anos mais tarde?
Onde está a carta de 1479 assinada por D. Afonso V que nobilitou o tecedor de lã COLOMBO por salvar a vida do rei?

Porque é que continuadamente suspende a realidade e os factos?


Manuel Rosa

João Carlos disse...

Eu dou-lhe a resposta: é que este nosso amigo, é tipicamente a mentalidade portuguesa. É que enquanto os estrangeiros proclamam há séculos que o Cristóvão é deles, mesmo possivelmente não sendo, a mentalidade portuguesa é outra: «nós não somos dignos de pensar uma coisa dessas», mesmo que as provas apontem para o facto. E isto é verdade para o Colombo, como é verdade para muitas outras coisas neste país. A «pequenês do português» prova-se por ter tido a possibilidade de ser uma potência no mundo, e acabou quando começou no séc XVI, num país de «pequeninos». No séc XVII, senão estou em erro, um espião ao serviço da Inglaterra, contava ao rei em ar de gozo, como após os feitos alcançados por alguns portugueses, foram quase que ignorados pelo poder real que vigorava em Portugal. Em troca, dizia, Vasco da Gama tinha apenas recebido pouco mais que um punhado de terra. O que este autor tenta fazer, é tentar impor, recorrendo às mais diversas formas e artimanhas, a mesma mentalidade. É lamentável, mas é assim. Mas a verdade, vem sempre ao de cima...

Roberto disse...

Confundir o estatuto de Cavaleiro como o de Fidalgo pode ter sido uma distracção. Apresentar um exemplo de nobilitação do reinado de Filipe II como representativo do reinado de D. João II já será considerado por alguns como "derrapagem". Meter no artigo um exemplo de nobilitação do reinado de D. João IV já é "pseudo-história". A intenção do artigo é bem vinda - pena que não tenha encontrado nada da época de Colombo.

J. C. S. J. disse...

Colombo dom, Gama também;
Colombo almirante, Gama também;
Colombo vice-rei, Gama também.
Colombo sem mais, Gama conde.
Resultado:
Colombo 3 - 4 Gama.
Colombo enganou-se no caminho (erro crasso próprio de aventureiro), Gama não (é o resultado de melhor ciência própria de trabalho de equipa).
Os descendentes de Vasco da Gama foram vice-reis da Índia, capitães de inúmeras fortalezas, altos dirigentes do Reino, senhores de vastos domínios...

F. V. F. disse...

Manuel Rosa
A premissa que uma pessoa de estrato inferior não pode casar acima da sua condição é ERRADA. Todas as conclusões que daí derivem incorrem em erro.
Tal como já se teve oportunidade de provar nesta página, qualquer pessoa podia ter armas, estas tinham é de ser reconhecidas, ou não… Existem várias reacções da nobreza contra a utilização de armas sem se ter passado pelos trâmites legais definidos para o seu uso. Qualquer estudioso de genealogias o pode informar sobre isso.
Os pajens da corte eram jovens das famílias dos próprios cortesãos e dos conhecidos e amigos desses cortesãos. Até mesmo plebeus. A tendência da aristocracia é a perpetuação do seu estatuto social. Não é pois de estranhar que Colombo andando em negociações com os Reis Católicos durante algum tempo conhecesse e se relacionasse com cortesãos, afinal alguém o introduziu no meio.
Que se saiba a “Comendadeira de Santiago” já estava morta e enterrada quando o seu viúvo andava de volta dos reis em Castela para lhe financiarem a viagem.
Quem disse que D. Afonso V nobilitou Colombo é que tem de provar isso. Eu nunca me pronunciei sobre tal.

João Carlos
Somos todos cidadãos do mundo, portanto a nacionalidade de Colombo é irrelevante e não entendo a História como um serviço a causas, sejam elas quais forem. No entanto, e por outras razões, concordo consigo, a verdade é como o azeite, por mais voltas que se dê vem sempre ao de cima.

Roberto
Perdeu a oportunidade de aprender alguma coisa sem manifestar a sua ignorância. Cavaleiro, no caso em apreço, e fidalgo fazem parte da nobreza, são apenas graus, estratos hierárquicos ou o que lhe quiser chamar do estatuto de nobreza.
Apresentei vários exemplos de ascensão ao estatuto de nobreza desde a segunda metade do século XVI ao século XVII pois é esse o espaço temporal que gosto e me interessa. Nunca me interessei particularmente pela época e figura de Colombo, aliás uma personagem demasiado sobrevalorizada. Contudo, devo dizer-lhe que na época posterior à de Colombo as qualidades necessárias à ascensão à nobreza eram muito mais rígidas e controladas – existe uma codificação que antes não existia ou era ainda demasiado embrionária.
Se ao acaso se encontram estes exemplos, imagine-se os mais que haverá. Isto nem é apenas a ponta do iceberg, é só mesmo um pico.

Anónimo disse...

"Os descendentes de Vasco da Gama foram vice-reis da Índia, capitães de inúmeras fortalezas, altos dirigentes do Reino, senhores de vastos domínios..."

hmmmm...... E os descendentes de Colombo foram de volta tecer lã para Génova? É isso?
Grandes campeões da verdade que os senhores são!!!!!!!!!!!!

João Carlos disse...

Então se, embora por outras razões, concorda comigo, devia reconhecer que as origens de Colombo, sempre foram controversas. A tese do genovês, embora tenha oficialmente sido aceite, nunca foi unânime, o que significa que desde sempre houve investigadores que pelas mais diversas razões não se contentaram com as provas que a defendem. É normal, que com o passar do tempo, novas provas surjam e venham ao de cima. Que uma nova concepção das origens enfraqueça a tese oficial e ganhe força para, não como uma certeza adquirida, mas como uma hipótese, seja exposta. Você tem as suas razões, outros investigadores têm outras. Repare, que eu até posso dizer muita coisa acerca das origens de Cristóvão Colombo, inclusivamente apresentar o que à partida parecem ser provas, mas outro qualquer também o pode fazer e chegar a conclusões diferentes. Quanto aos meios utilizados, cabe á comunidade dos investigadores científicos, pronunciar-se se esses meios estão validados do ponto de vista científico. É que eu acho que o senhor ainda não percebeu que por mais explicações que dê, e que por mais acusações que faça de que os que defendem a tese portuguesa é que estão mal, contínua a não convencer, pelo menos quem percebe alguma coisa de ciência. E isso é verdade para eles, como é verdade para si. O que está em causa, não é saber se ele era genovês ou se era português, o que está aqui em causa é saber se os métodos seguidos são válidos do ponto vista científico ou não. Isso é que é importante. E repare que, mesmo que o senhor e os outros sigam métodos cientificamente válidos, não têm que chegar a um consenso. O que é importante é que as regras do método científico sejam válidas e nada mais. Até lá, enquanto não existirem documentos oficiais que demonstrem que esses investigadores violaram as regras do método científico, a sua tese vale tanto como a deles, por mais posts que publique, o que, por tal facto, a hipótese que eles apresentam, até prova em contrário, é perfeitamente válida. Como diz, nós somos de facto cidadãos do mundo, mas os italianos e os espanhóis também são, o que não os impede de defenderem aquilo que acham que é seu, mesmo podendo não estarem correctos. A nós portugueses cabe-nos defender aquilo que achamos que é nosso, ou pelo menos devíamos defender. Mas penso, como já disse, que nisso, somos diferentes deles, e ao contrário defendemos os outros, mesmo não tendo a certeza de que eles estão certos. Podem existir, mas que eu saiba não devem existir, investigadores italianos ou espanhóis a defenderem a tese portuguesa. Pelo contrário, a nossa «pequenês», permite-nos tomar como certas, provas que nunca foram consensuais e que ainda por cima são dos outros. Somos como somos.

J. C. S. J. disse...

História oficial é pseudo-história.

J. C. S. J. disse...

Ao anónimo,

São tiradas dessas que fazem a pseudo-história: descontextualização ou incompreensão do que se lê.

O final do meu comentário incidia sobre a afirmação de que o papel de Vasco da Gama não foi suficiente reconhecido, como o A. do comentário parece fazer crer ao parafrasear alguém não identificado para justificar a sua ideia. Não se referia comparativamente a Colombo, só mostrava que Gama e descendência receberam amplas recompensas para os padrões da época e para as possibilidades político-económicas de então.

João Carlos disse...

Ah «História oficial é pseudo-história»?!... Costuma-se dizer que «Pela boca morre o peixe». O próprio autor j.c.s.j. chega ao ponto de se refutar a si próprio. Primeiro está contra as provas dos que defendem a tese portuguesa e tentam refutar a tese italiana, depois vem dizer que a tese italiana (a do Genovês)é uma pseudo-história. Então contraria-se a ele próprio. Afinal no que é que ficamos?!... Não ficamos em nada. Este blog, do ponto de vsita científico, não tem qualquer fundamento, e esta constituí apenas mais uma prova disso.

J. C. S. J. disse...

Faz tanto sentido falar em História Oficial como falar em Física Oficial, Química Oficial, Sociologia Oficial e assim por diante (leia-se neste espaço qualquer ciência que exista). Se alguém me disser que investiga Física Oficial eu sei que estou perante um charlatão; se alguém me disser que faz História Oficial... enfim, acho que os nossos leitores já perceberam a ideia – e que me desculpem se com esta manifestação do óbvio pareço estar a tomá-los por mentecaptos, a verdade é que não estou.
Por outro lado, se alguém persistir em referir-se à História acrescentando-lhe o adjectivo de Oficial está, implicitamente, a afirmar a existência duma outra história não-oficial. Ora, se a erradamente designada de História Oficial para ser validada é obrigada pelo seu método a cumprir com as normas definidas ao longo dos tempos pela comunidade historiográfica, o que é que valida a história não-oficial?

Anónimo disse...

J. C. S. J.,
Você está correcto a "História Oficial"neste caso é uma pseudo-história. A história oficial entenda-se como aquela que os que trabalham no oficio de historiadores têm impingido pelo mundo fora. É essa oficial que é ensinada nas escolas.
Mas existe outra que não é oficialmente aceite pelos oficiais de história mas que parece ser mais verdadeira.
Sabia que em alguns paízes muçulmanos ensinam na escola que o holocausto nunca aconteceu? Essa é a História Oficial aceite a ser ensinada pelos censuradores.
Assim também é a história oficial do genovês que este blog insiste em forçar sem terem uma só prova concreta da verdade dela e ajudam dessa forma a manter a censura.
Porque não virar as coisa e apontar os pontos prós e contra de cada uma das versões?

Pedro Garcia

João Carlos disse...

Não sei diga-me você, são vocês que concordam com ela!... São vocês que deveriam responder. O que penso é que tem que existir documentos, sejam eles quais forem, que publicados por organismos da especialidade nomeadamente Universidades, Institutos etc, que são organismos oficiais, e que reúnam consenso entre os investigadores de que os que defendem a tese portuguesa, não obedecem às regras do método científico. Como, até agora que eu saiba, isso não existe, digo o que já disse. A tese deles, até prova em contrário, é perfeitamente válida, e continuará a ser, se nunca for provado aquilo do que os acusam. Não me venham dizer, que organismos perfeitamente credenciados e, portanto, emitindo opiniões oficiais e, portanto, à partida, válidas do ponto de vista científico, são charlatães. Não é um blogue como este, que tem poder algum para afirmar seja aquilo que for, porque isto é amadorismo. Eu posso escrever montes de blogues a denunciar uma suposta violação do método científico, convencer muita gente, e no entanto, isso não tem qualquer valor do ponto de vista científico. E se estiver a enganar as pessoas, porque não obedeço ao método científico, isso sim é charlatanismo.Só passa a ter valor, quando profissionais credenciados por organismos devidamente reconhecidos analisam os factos e emitem uma opinião favorável àquilo que digo, havendo um consenso entre todos os investigadores. Porque isso é que é ciência. A ciência não é aquilo que cada um acha, ela tem métodos e desde que eles sejam seguidos, não interessa o que cada investigador conclui, eu já o disse. O que interessa, é que os diferentes profissionais da ciência devidamente identificados, em consenso concluam, se num determinado estudo, foram seguidas as regras estabelecidas pelos método científico ou não. Portanto, não me venha falar em física oficial, em química oficial, quando ninguém extravasou da história para a física e para a química. Se percebe alguma coisa de ciência, deverá reconhecer que há métodos que têm que ser seguidos e que quem está devidamente habilitado para o fazer, só está habilitado porque existem organismos oficializados pelos estados, para o fazer, senão até um pedreiro ou outra pessoa qualquer, vinha dar lições de história, de física ou de outra ciência. Acha que isso tem algum fundamento? Então, são esses profissionais verdadeiramente reconhecidos e identificados que devem emitir uma opinião, se as regras do método científico são válidas ou não numa determindada tese. Não é em blogues, onde os autores se identificam por iniciais, que têm que emitir seja aquilo que for, porque senão, por este andar, qualquer dia até o gasolineiro faz uma investigação sobre o Cristóvão e resolve dizer que ele nasceu na América ou na terra dele e publica num blogue. Isso sim, é charlatanismo. Não pode ser. Este blogue não tem validade do ponto de vista científico sobre aquilo que diz, enquanto não existirem documentos emitidos por organismos reconhecidos pelos diferentes estados que emitam uma opinião sobre o assunto. Até lá, até prova em contrário, a tese portuguesa é perfeitamente válida,

J. C. S. J. disse...

Posições bem na linha de Belarmino.
Se a História é oficial, então é pseudo-história, seja aqui, seja no Irão, seja na China ou qualquer outro lugar onde haja um organismo que seja com o objectivo institucional de dizer o que é verdade e o que é mentira. Leia 1984 de G. Orwell e como aí se descreve os atributos do Ministério da Verdade.
Quanto ao acreditar-se nas «evidências» alternativas ao que designais por História Oficial, estais no vosso direito, afinal estando a Física e a Cosmologia no nível de desenvolvimento em que estão a maioria das pessoas ainda credita na astrologia.
A Razão ainda tem um longo caminho a percorrer.

Belmira Sampayo disse...

E quanto ao acreditar no que diz aqui?

"Então, são esses profissionais verdadeiramente reconhecidos e identificados que devem emitir uma opinião, se as regras do método científico são válidas ou não numa determindada tese."

"O que penso é que tem que existir documentos, sejam eles quais forem, que publicados por organismos da especialidade nomeadamente Universidades, Institutos etc, que são organismos oficiais, e que reúnam consenso entre os investigadores de que os que defendem a tese portuguesa, não obedecem às regras do método científico. Como, até agora que eu saiba, isso não existe, digo o que já disse. A tese deles, até prova em contrário, é perfeitamente válida, e continuará a ser, se nunca for provado aquilo do que os acusam."

Vocé gosta de andar aos zigzag J.C.J.S.

O João ai acertou em cheio no seu ponto fraco!

J. C. S. J. disse...

A Cabala é, de facto, uma ciência auxiliar da História; aliás, tal como a astrologia, o tarot e os búzios.
Mas o que mais me espanta é ninguém ainda ter encontrado num arquivo o famoso Salvador Fernandes Zarco, também conhecido por Salvador Gonçalves Zarco, ou Salvador Henriques Zarco, ou Simão Palha, ou Cristóvão de Cólos - a incompetência dos historiadores é mesmo infinita, se calhar por não incluirem a Cabala entre os seus instrumentos de ofício.
Também me espanta como ainda há ingénuos a acreditarem nessas patranhas.

A pseudo-história declara inválida toda a documentação que não serve os propósitos dos seus criadores e, em alternativa, oferece ideias ocas e sem qualquer suporte documental.

«O que penso é que tem que existir documentos, sejam eles quais forem...»
Mas quais documentos?
Se acham que há documentos «sejam eles quais forem», e se forem minimamente competentes para tanto, procurem-nos e publiquem-nos (sem se esquecerem de os referenciar como deve ser)! Abandonem a atitude parasitária dos que esperam que lhes façam a papinha.
Quem fica embasbacado com uma palavra em Rui de Pina só revela uma coisa: ignorância do que são as fontes manuscritas.
E contra esta ignorância só há um remédio: lê-las; ler muitas, de diferentes temáticas e épocas.

Roberto Oliveira disse...

Olá, para um site deste porte não vejo como eu poderia negar a minha imagem digital que contém o meu rosto, no cavaleiro com o dragão sobrevoando e que ainda leva a minha assinatura na parte inferior, Roberto Oliveira. Esta imagem, como eu disse, é da minha criação e ilustra os meus poemas de de outros tantos conhecidos autores. O meu site é reconhecido pela UNESCO e dispomos de direntos autorais. O meu email é robnetrj@hotmail.com
Atenciosamente,
Roberto Oliveira, owner do www.mundopoeta.net e www.ferrol.info

F. V. F. disse...

Prezado Roberto Oliveira,

Apresento-lhe as minhas desculpas pelo sucedido.
Retirei a imagem da Internet dum sítio que não recordo, não tendo reparado em limitações impostas ao seu uso.
Entretanto, já removi a imagem deste texto bem como do álbum do «Picasa» associado à minha conta neste blogue.

Com os melhores cumprimentos

Anónimo disse...

Meu caro, tenho visitado constantemente o teu Blog e percebo que o seu trabalho é muito valioso e merecedor de todo crédito. Disponha de alguma ajuda que eu possa oferecer e de quaisquer conteúdos que for do seu agrado em: www.mundopoeta.net - Com profunda admiração e respeito, Roberto Oliveira - robnetrj

J. C. S. J. disse...

Fica registada a oferta
Obrigado