sexta-feira, 25 de maio de 2007

A Mulher de Colombo - Nicolau Florentino (5)

FLORENTINO, Nicolau; A Mulher de Colombo, Lisboa, Pap. e Tipografia Guedes, 1892, pp. 49-59.


Texto Integral




IV
D. ISABEL MONIZ, TUTORA DE SEUS FILHOS.
A VENDA DE PORTO SANTO A PEDRO CORREIA. — UMA QUESTÃO DE FAMÍLIA.
A VINDA DE CRISTÓVÃO COLOMBO PARA A MADEIRA.
ÉPOCA DO SEU NASCIMENTO; SUA ORIGEM E A NATURALIDADE.
CASAMENTO DE COLOMBO E DE D. FILIPA MONIZ DE MELO.
A VIDA OBSCURA DOS DOIS CÔNJUGES.
NASCIMENTO DO SEU ÚNICO FILHO E MORTE DE D. FILIPA.



URPREENDIDA pela viuvez, D. Isabel Moniz pouco tempo vacilou entre as recordações de seu marido, que a prendiam a Porto Santo, e a impossibilidade de continuar a viver na capitania, tendo de prover a sua subsistência e das duas crianças que lhe ficaram, por um trabalho de administração imensamente superior às suas forças de mulher, e que tão caro custara ao infeliz Bartolomeu.
O filho mais velho, que tinha o mesmo nome do pai, contava apenas sete anos de idade e a irmãzinha Filipa menos dois do que ele. Verdade é que para a administração da capitania durante a menoridade do herdeiro, o 2.° Bartolomeu, fôra D. Isabel nomeada tutora conjuntamente com seu irmão Diogo Gil Moniz; mas este preocupado com os negócios da sua casa, que o obrigavam a uma vida errante, pouco tempo dispunha para assistir às exigências duma tutoria, que não podia dispensar a presença enérgica dum homem.
Nestas circunstâncias imperiosas, D. Isabel Moniz deixou Porto Santo e recolheu-se com seus filhos ao Machico, instalando-se em casa de seu pai Vasco Martins Moniz, sempre extremoso para com a filha durante a vida do marido e agasalhando-a depois na viuvez, a ela e aos netos, com os recursos da sua fortuna e os tesouros do seu coração amantíssimo.
Se até ali a exploração de Porto Santo não se recomendava pelas seus lucros, tendo aliás à sua frente um homem do temperamento nervoso de Bartolomeu Perestrelo, faltando ele ou quem o substituísse pelo menos com metade do afã e ousadia, dessa época em diante a ilha tornar-se-ia um sorvedouro mais improdutivo de cuidados e de dinheiro.
Temendo estes resultados negativos que, sobre o gravâme da situação económica do casal, far-se-iam sentir no futuro de seu filho, D. Isabel combinou com o outro tutor vender-se a capitania a Pedro Correia da Cunha, cunhado do menor, pois que, como vimos, era casado com D. Izeu Perestrelo, filha do segundo matrimónio de Bartolomeu.
O preço desta transacção diz-se ser de 300$000 réis em dinheiro de contado, pago por uma vez, e réis 30$000 de juro cada ano. Por outro lado o infante D. Henrique, confirmando o acto da venda por carta de 17 de Maio de 1458, fala de uma tença de 10$000 réis.
«... a dita ilha cuja jurdiçom he minha, a meu prazimento se convieram e trautaram por parte do dito moço com Pero Correa fidalgo da minha casa, o mostrador desta, em tal maneyra que a dito Pero Correa leixou ao dito moço dez mil réis, que de mim avía cada hum anno de tença por seu casamento por mil dobras a rezom de cento e vinte réis por dobra segundo hordenaçom do reyno».
D. Afonso V, ratificou a carta de seu tio em 17 de Agosto de 1459.
Livre de cuidados pelo trespasse da capitania de Porto Santo, D. Isabel Moniz, que teria então pouco mais de vinte e cinco anos de idade, fugiu a novas afeições e dedicou-se exclusivamente ao amor e educação de seus filhos. Para isso deviam-lhe ter valido de muito os elementos de que dispunha na casa paterna, onde se encontrava o que havia de mais distinto na carreira das armas a par de homens de muito sofrível cabedal literário para aquele tempo.
Criado neste meio poderosamente educativo o pequeno Bartolomeu revelou bem cedo a sua coragem e inclinação pela vida militar, partindo para as guerras que continuamente trazíamos na África, ora por ambição de novas conquistas, ora por necessidade de manter contra as sublevações locais os domínios conquistados.
Ainda que as posses de D. Isabel Moniz fossem pouco folgadas, envidou todos os sacrifícios para que nada faltasse ao filho nas incertezas da fortuna que ia procurar, e ele se apresentasse armado e equipado, incluindo outros acessórios mais ou menos dispendiosos de representação, pelos quais era costume aquilatar-se a procedência fidalga e opulenta dos mancebos que iam servir a pátria e o rei.
Bartolomeu Perestrelo veio à corte, escudado pelas relações influentes de Vasco Moniz, seu avô e pela memória simpática de seu pai, embarcando aqui numa armada prestes a fazer-se de vela para Larache, quando ele chegou a Lisboa. ([1])
Voltando à Madeira depois de cinco anos de ausência, aproximadamente, e instigado por seu cunhado Mem Rodrigues de Vasconcelos, promoveu uma demanda a Pedro Correia para anulação do contracto de venda de Porto Santo, feita por sua mãe e por seu tio Diogo Moniz. Mercê dos meios eficazes empregados por Mem Rodrigues a causa foi julgada a favor de Bartolomeu, e este reintegrado na posse da capitania por despacho de 15 de Março de 1473, devendo com os rendimentos da ilha embolsar o cunhado das importâncias dele havidas até então, conforme o estipulado no respectivo contrato. ([2])
D. Isabel Moniz devia com razão ficar contrariada e sentida por este acto repentino e um tanto excepcional de seu filho, que, esquecendo os sacrifícios maternais para se deixar levar pelas sugestões vingativas de Mem Rodrigues contra Pedro Correia, em vez do abraço filial suspirado com o seu regresso, reprovava-lhe tão formalmente os actos da sua tutoria.
Da mesma maneira que D. Isabel, muitas viúvas, lutando com falta de meios e com outras dificuldades para a administração de senhorios herdados por filhos menores, trespassavam a propriedade a troco de benefícios mais ou menos equivalentes e que, quando lhes não permitissem um desafogo económico, eram líquidos de despesas de custeio, de trabalhos e consumições para arrecadarem as rendas. Mesmo em casos especiais que conhecemos, e nos quais a importância das transacções representava apenas bom negócio para o comprador ou era desviado do seu fim legítimo, o primeiro passo dos filhos, chagados à maioridade, era declarar a sua conformação com os actos da tutoria e pedir ao rei que os validasse, prevenindo assim quaisquer reclamações dos futuros herdeiros.
Por isso avaliamos bem o grande desgosto de D. Isabel Moniz, como as altas pressões que determinaram D. Afonso V a reconsiderar em 1473 sobre o seu acto de confirmação de 1459.
Separado Bartolomeu Perestrelo menos amorosamente de sua mãe, ficou esta com uma única compensação aos pertinazes dissabores da sua vida. Restava-lhe sua filha D. Filipa, cujo carinho lhe mitigara as saudades do filho à aventura em África; e com ela se encontrava outra vez a sós nesta mesquinha intriga de família.
Teria então D. Filipa Moniz de Melo de vinte a vinte e um anos, não lhe passando talvez pelos devaneios dourados dessa idade o pensamento de vir a ser a preferida do coração de um homem, a quem os destinos reservavam uma importância histórica e um nome universal, que ele também, por certo, estava longe até de fantasiar na obscuridade profissional dos seus primeiros anos.
Referimo-nos a Cristóvão Colombo, que em 1474 veio para a Madeira ([3]) trazido na grande corrente de patrícios seus — os Spinolas, Cezares, Uzadamari, Cataneos Salvagos, Lomellinos, Dorias, Grimaldi, etc., etc., corrente derivada, sobre tudo, durante o meado e o declínio do século XV das costas da Itália para aquele arquipélago, e daqui para o continente.
Como eles, Colombo vinha em busca de fortuna a Portugal, de cuja atracção sobre os povos da Europa já nos ocupámos mais atrás com a possível particularidade. Oriundo de uma família operária, que teve por berço o vale de Fontanabuona, confins de Génova, o festejado navegador nasceu perto da cidade deste nome, onde seu pai Domenico Colombo tinha já fixado residência em 1430, exercendo o mister de tecelão de lãs (lanerio) que foi o meio de vida de quase todos os membros desta família, incluindo o próprio Cristóvão Colombo antes de partir para Portugal. ([4])
Revezes económicos ou a necessidade de arranjar o pecúlio indispensável para a viagem de seu filho, ou conjuntamente os dois motivos, obrigaram Domenico a vender em 1473 um ou dois prédios de casas que tinha em Génova, achando-se nesse ano com sua família em Savona, onde Cristóvão figura pela última vez como testemunha num acto judicial de 7 de Agosto daquele mesmo ano.
Ao tempo da sua vinda contava ele trinta e oito ou vinte e oito anos de idade, se aceitarmos dum lado a afirmação de André Bernaldes de que Colombo, seu amigo e hóspede, na época do seu falecimento, 1506, contava setenta anos, ou se do outro nos ativermos mais confiadamente a investigações modernas, que dão o almirante nascido em 1446.
Aportado à Madeira, o ousado genovês tratou logo de se relacionar com as famílias importantes do arquipélago, utilizando a camaradagem dos seus outros conterrâneos já ali estabelecidos e insinuando-se pelo seu todo simpático, pela sua linguagem fluente em que muitos viram provas de ilustração, e, finalmente, pela conhecida predisposição fraternal para com os imigrantes italianos, que haviam provado bem, quer no granjeio da vida, pelo que tocava à benevolência dos chefes de família, quer nas aventuras amorosas e formosíssimos produtos de cruzamento, quanto às raparigas, que viam com desespero a galharda mocidade portuguesa debandar para a África, morrendo por lá solteira, ou voltando branqueada pelas intempéries do oceano e dos combates.
A própria D. Filipa Moniz de Melo que se diz fôra moça muy lynda sintetizava a casa na aliança dos Monizes e dos Perestrelos, já lotada também com o sangue dos Teixeiras; e este esbocêto rápido, incidental, de D. Filipa feito por um genealogista, revela-nos um casamento de simples afeição com Cristóvão Colombo.
A despeito do muito que procuramos, não vimos sequer uma referência clara a dote que ela houvesse recebido, ou a bens herdados de seu pai. E o que podia o velho Bartolomeu ter-lhe deixado, ele que enterrou tudo em Porto Santo? A mãe, D. Isabel Moniz viu-se impelida a abrigar-se na casa paterna para criar e educar convenientemente os dois órfãos; o avô, o velho Vasco Moniz, apesar de muito rico tinha nada menos do que dezasseis filhos, os bastantes para torná-lo pobre; por fim, o cofre real também, ao que averiguamos, não se abriu para animar o futuro daquele enlace tão simpático.
É possível, porém, que nalgum recesso, a que não pudemos chegar, se encontrem dados que modifiquem a nossa opinião. Se vierem a aparecer, é menos uma impressão triste que nos causa o viver doméstico de D. Filipa Moniz e de seu marido.
Por outra parte, o que trouxe Cristóvão Colombo de Génova? Se alguma coisa lhe coube no produto da venda feita pelo pai nas vésperas da sua partida, pouco lhe podia sobejar das despesas de viagem para se manter nos primeiros tempos até que a fortuna lhe sorrisse ou encarreirasse num meio de vida qualquer. E o caso é que ele devia ter mourejado, já para se sustentar em solteiro, já para acudir parcamente às exigências indispensáveis do seu lar conjugal. Desenhou cartas de marcar? Abriu casa de venda e hospedaria? Exerceu qualquer outro ramo de actividade, que se venha a conjecturar ou a descobrir? Eis de certo uma questão importante para o estudo de Cristóvão Colombo, descobridor da América; mas de ordem muito secundária para Cristóvão Colombo, marido de D. Filipa Moniz de Melo.
Na pobreza singela, com que os dois se nos apresentam, vemo-los atraídos por uma afeição mútua, que os laços do matrimónio vieram consagrar em 1475, com todas as probabilidades. ([5]) o acto religioso celebrou-se no Machico e parece que em seguida os dois esposos foram em companhia de D. Isabel viver para o Funchal, residência preferida por Colombo, pois que assim ficava em contacto mais directo com todo o movimento marítimo. ([6])
Em 1476 nasceu Diogo Colombo, único fruto deste matrimónio, cuja pequena fecundidade tem sido para nós objecto de reparo, atendendo a procedência sadia de Colombo e de D. Filipa e ao que alguns escritores nos deixam entrever a respeito da época do falecimento desta senhora.
No trabalho genealógico de Pina Loureiro, cujos 28 volumes de original nos têm servido de muito, acabamos de ver confirmada a suspeita de que a morte da mulher de Colombo tem de se aproximar bastante do nascimento de seu filho. Adiante do nome de D. Filipa lê-se a notícia sumária: que pouco viveu depois do nascimento de seu filho. Morreria ela de parto? Gozaria apenas alguns dias ou semanas da ventura inefável de ser mãe?
Aquela espécie de revelação, que de per si não pode precisar uma época, há um facto da vida de Colombo que se associa com um certo valor lógico para torná-la menos vaga, e o qual também nos havia impressionado. É o da partida do arrojado navegador para as regiões árcticas em 1477.
Note-se: Colombo casou em 75, nasceu-lhe um filho em 76 e partiu para uma viagem arriscadíssima em 77, sem que a isso a houvessem obrigado quaisquer compromissos notórios ou planos traçados de antemão e amadurecidos. A sucessão rápida dos três factos tem o que quer que seja de misterioso pela precipitação do último. É pouco aceitável tanto ao raciocínio como ao coração que a vida pacífica de Colombo e de D. Filipa, vendo a sua união abençoada e o seu pobre lar em festa pelo nascimento dum filho, fosse no ano seguinte bruscamente perturba da por uma longa separação sem um motivo súbito e imperioso.
A frase acima transcrita e o facto desta separação um tanto violenta concorrem em estreita harmonia para se fixar a época da morte de D. Filipa entre a do nascimento de seu filho e a da viagem de seu marido aos mares do norte.
A avó do recém-nascido substituir-lhe-ia a mãe no amor e cuidados, de que a morte o privara aos primeiros sorrisos da infância; o pai, lancinado profundamente no seu coração de esposo apaixonado, tomara uma das resoluções extremas, em que desfecham as grandes crises do sofrimento moral.
Como quer que fosse, é inegável que D. Filipa morreu muito nova ainda. Mesmo que admitíssemos livremente a hipótese dela haver vivido até às proximidades de 1484, em que Cristóvão Colombo passou ao reino vizinho, não iria além dos 30 anos de idade. Mas inclinamo-nos a crer com o possível fundamento que não teria mais do que vinte e cinco.
Foi bem cedo para morrer, principalmente quando o futuro reservava nos seus segredos intangíveis dias de glória e de fortuna, em que lhe cabia uma parte para compensá-la das privações padecidas pela desventura pertinaz de seu pai e por amor do homem pobre, como ela, a quem ligou os seus destinos.
Faleceu D. Filipa Moniz de Melo no Funchal e, segundo se conclui de vários elementos, foi sepultada na sé da mesma cidade. ([7])

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[1] Para que as notas não avolumem mais do que o texto, deixamos de referir-nos a muitos documentos curiosos, que serão publicados se viermos a concluir o trabalho, de que extractamos o presente opúsculo. Todavia, como espécimen dos progressos da ciência náutica naquela época, damos na íntegra o parecer acerca do rumo mais curto, que os navios tinham de seguir para Larache.
«Senhor = eu estyve com os pylotos que em esta cydade estam partycando sobre a nosa hyda do cabo de Santa Maria. Senhor, Larache demora a rota ao sueste e ca-le ao susueste e Azamor imos tomar por o sul bj legoas a borlavento da banda de Anafe e se majs o vosa alteza qyser que a vosa armada va a borlavento sera neçesaryo governarmos hüa syngradura a qarta do sueste e hyremos tomar o cabo do Camelo que som doze legoas de Azamor e qando achegarem a fundo de çem braças reconheceram a terra bem e depoys da terra conhecyda iram por aqele fundo ate sobre Azamor e depois que vyrem Azamor aguardaram mor bonança e bom vento e bõa maree pera irem dentro. — estes pylotos he Joham da Rua — Joham Gonsalvez — Gonsalo Pynto — Antonio d’Oliveira — Symam Lourenço — Gaspar Fernandez = Gaspar Affonso.»
[2] Não encontrámos provas de Pedro Correia da Cunha haver fixado a sua residência em Porto Santo, durante o tempo da sua capitania, nem tão pouco na ilha Graciosa, de que foi donatário, e para onde alguns escritores dizem que ele partira em 1485. Pelo contrário, o que achamos de mais positivo é que ele viveu na sua quinta da Charneca, termo de Lisboa, onde também faleceu em 1499. Igualmente não vemos justificado o epíteto de aventureiro que se deu a Pedro Correia e a fama de navegador, que lhe atribuíram.
[3] A época da vinda de Colombo varia segundo diversos escritores de 1470 a l474, prevalecendo este último ano, tanto em vista de muitos factos da sua vida, que não cabem no ponta de vista especial destas notas, como do que em seguida se vai ler.
[4] Consta de alguns actos onde ele figurou de testemunha com declaração desse ofício.
[5] Em algumas datas concordamos com o trabalho consciencioso do erudito académico D. José Maria Asensio — Los restos de Cristóval Colon están en la Habana — Sevilha, 1881.
[6] Porto Santo também disputa a glória de haver sido residência temporária de Cristóvão Colombo. Não atinamos com a causa que o houvesse atraído para ali. A sogra e a mulher estavam desligadas da capitania desde 1458 a 1473 pelo trespasse desta a Pedro Correia, e por certo que depois da sentença, que na última data anulou a favor do filho a venda feita por D. Isabel, esta não lhe iria pedir hospedagem.
Colombo, mal comparado com o Santo Lenho, apesar das suas colossais proporções históricas, saiu pequeno para as muitas terras, que lhe disputam o berço, a casa e o túmulo.
[7] A vida de Colombo em Portugal e a de sua família foram sempre romantizadas até pelos únicos que nos podiam fornecer dados mais seguros e verdadeiros para reconstituí-las. Neste caos, porém, vai-se fazendo alguma luz. Dos seus escritos autobiográficos, dos que se atribuem a D. Fernando seu filho bastardo e das declarações de D. Diogo Colombo seu filho legítimo, estão hoje documentalmente contestados vários pontos, o que nos obriga a pôr de reserva aqueles, sobre que a história ainda não pronunciou o seu veredictum.
A lenda dos seus amores em Lisboa, o falecimento de sua mulher nesta cidade e a sua sepultura numa capela do Carmo, tudo isso fica tão deslocado na engrenagem de épocas, pessoas, lugares e factos averiguados, que não necessita de grandes esforços para cair pela base.
Ainda diligenciámos ver se os restos mortais de D. Filipa seriam trasladados da Madeira para aquele convento. Não há notícia de tal, apesar dos registos de enterramentos se encontrarem ainda hoje sofrivelmente completos. Daria, pois, talvez origem a essa versão o saber-se da existência da capela de Nossa Senhora da Piedade fundada no Carmo por Gil Aires, casado com D. Leonor Moniz, da ilustre família da sogra de Colombo.


5 comentários:

J. C. S. J. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
J. C. S. J. disse...

Cristovam Colon enviou a seguinte mensagem:

«Então, ja fartaram-se de copia-colar ?»

Anónimo disse...

Quem era Nicolau Florentino?

J. C. S. J. disse...

Consta que Nicolau Florentino seria o pseudónimo de António Maria de Freitas.

Afonso Pizarro disse...

"Consta"...E por que razão um "pseudómino"????

Só nos falta um outro "António" desfarçado de texano contar-nos a historia de Maria Antonieta...