terça-feira, 11 de setembro de 2007

Filipa Moniz - especulação em torno dum fragmento

O documento que tem estado em causa nos últimos tempos, sendo apresentado como um fragmento sem qualquer referência arquivística esconde o sentido integral do seu conteúdo. Como tal não permite a sua total compreensão e nesta forma o seu valor é completamente nulo.
No entanto, tendo-o por base, vou-me permitir algumas especulações.


Neste fragmento consta uma data muito interessante e poderá lançar por terra alguma da pseudo-história que tem sido apresentada como história.
Logo na segunda linha apresenta a expressão cuja grafia actualizada reza o seguinte: «trinta e cinco anos quatro dias do mês de Janeiro», pelo que se presume terem-se reunido a partes deste contrato no dia 4 de Janeiro de 1435.
  • Filipa Moniz, esposa de Cristóvão Colombo, foi mãe de Diogo Colombo, em 1475, 1476, 1479 ou 1480 – os autores variam sobre esta data.
  • Presumindo que o acto referenciado no documento é no ano 1435 (pois em 1535 Filipa Moniz estava morta e enterrada há muito tempo) vão deste ano a 1475 quarenta anos, ou 45 anos se se considerar o ano de 1480.
  • Para Filipa Moniz, mulher de Cristóvão Colombo, participar ou ser referida num acto notarial deste género deverá estar já na idade da razão, digamos 15 anos, pelo que em 1475 terá 55 anos de idade e em 1480 já será sexagenária, mas mesmo que tenha só 10 anos de idade, é fácil de fazer as contas…
  • Qual a idade limite da fertilidade feminina no século XV?
  • Cristóvão Colombo, da mais alta nobreza bastarda, se não mesmo bastardo da realeza, não arranjou esposa mais jovem para casar?
  • Casaria Cristóvão Colombo com uma mulher, quiçá, trinta anos mais velha?



    Adenda (12-9-2007):
    Já que Manuel Rosa resolveu tornar pública a existência dum documento que alegadamente resolve as dúvidas existentes sobre Filipa Moniz, pede-se aqui publicamente que dê a referência arquivística do dito de modo a proceder-se à verificação do mesmo. Pois só as provas verificáveis são admissíveis na ciência.

    14 comentários:

    Anónimo disse...

    Esta tudo dito.
    "o seu valor é completamente nulo.
    No entanto, tendo-o por base, vou-me permitir algumas especulações."



    Coevos, vocês sempre argumentaram com base em coevos, sera que desta vez, de maneira completamente parcial e subjetiva, o Senhor Coelho e F.V.F (possivelmente uma mesma e unica pessoa) ja não acreditam em todos os documentos "COEVOS" que referem Filipa Moniz como sendo DONA ???

    Cumprimentos
    TBF

    Anónimo disse...

    Adenda: Trata-se na pergunta dos mesmos coevos utilizados como argumento contra a teoria de um Colombo português.

    F. V. F. disse...

    Coevo - Do latim coevus, que tem a mesma idade, o mesmo que coetâneo e contemporâneo.
    Os documentos coevos são aqueles que são produzidos na mesma altura em que as pessoas viveram e os acontecimentos tiveram lugar. Deste tipo de documentos extraem-se informações mais próximas da realidade. Para mais dúvidas consultar um bom dicionário de português e os vários manuais de historiografia, nos capítulos referentes ao método histórico e à heurística e hermenêutica.

    SAS disse...

    Adenda (12-9-2007):
    Já que Manuel Rosa resolveu tornar pública a existência dum documento que alegadamente resolve as dúvidas existentes sobre Filipa Moniz, pede-se aqui publicamente que dê a referência arquivística do dito de modo a proceder-se à verificação do mesmo. Pois só as provas verificáveis são admissíveis na ciência.

    Se realmente tivessem lido o livro de Manuel Rosa tal pedido seria inutil.



    "Não é necessário ler uma obra inteira para a criticar: basta entender do assunto por outras obras".... " - Blog Pseudo-Historia Colombina


    No comments.

    J. C. S. J. disse...

    Mea Culpa.
    Escapou-me no meio de tanto ruído que o livro tem e agora também não tenho acesso ao mesmo.
    No entanto, há muita gente que não leu - nem vai ler - o livro mas que gostaria de poder confirmar - ou negar - a validade do documento para a determinação de quem é Filipa Moniz, esposa de Cristóvão Colombo.
    E afinal quem é que tem medo de apresentar provas?

    Anónimo disse...

    Caro J. C. S. J.,

    Eu dei a informação completa sobre o documento no meu livro parece que ainda não o leu.

    A pequena imagem somente para mostrar o nome de Filipa Moniz que meti no meu site foi para alertar que em 500 anos em Portugal somente se encontrou este documento relacionado com C. Colôn porque tanto ele como a sua esposa eram insignificantes no pensamento dos investigadores no que tem a ver com PORTUGAL.
    Tão insignificantes que este documento mesmo sendo revistado em 1992 passou sem ninguém dar por isso pelas mãos de quem o encontrou. Pois foi por ler um estudo desse mesmo investigador que eu tive que lhe apontar quem era a Filipa Moniz comendadeira de quem ele falava. (Sabe Deus quantos outros documentos foram vistos na T.T. cujos laços ao Almirante ninguém entendeu!)


    Nos anos seguintes este documento irá ser conhecido pelo mundo fora como a prova que nega a história do tecelão ter-se apaixonado por uma nobre pobre cuja mãe não podia mais pagar rendas em Santos.

    O documento é prova que Filipa Moniz era uma dona comendadeira em Santos e vivia lá recebendo rendas da sua comenda e não pagando.

    Concentre-se em investigar os nossos documentos e deixe lá o tecelão genovês da mão que esse não tem nada a ver com Portugal nem com Colôn.

    Manuel Rosa (continuando a desmascarar o impostor Colombo)

    Anónimo disse...

    Caro J. C. S. J.,

    Eu dei a informação completa sobre o documento no meu livro parece que ainda não o leu.

    A pequena imagem somente para mostrar o nome de Filipa Moniz que meti no meu site foi para alertar que em 500 anos em Portugal somente se encontrou este documento relacionado com C. Colôn porque tanto ele como a sua esposa eram insignificantes no pensamento dos investigadores no que tem a ver com PORTUGAL.
    Fui eu que tive que alertar ao investigador que escreveu em 1992 sobre Filipa Moniz como comendadeira em Santos, que essa comendadeira era esposa de C. Colôn. (Sabe Deus quantos outros documentos da T.T. relacionados com C. Colôn foram vistos mas não entendidos.)

    Nos anos seguintes este documento irá ser conhecido pelo mundo fora como a prova que nega a história do tecelão ter-se apaixonado por uma nobre pobre cuja mãe não podia mais pagar rendas em Santos.

    O documento é prova que Filipa Moniz era uma dona comendadeira em Santos e vivia lá recebendo rendas da sua comenda e não pagando.

    Concentre-se em investigar os nossos documentos e deixe lá o tecelão genovês da mão que esse não tem nada a ver com Portugal nem com Colôn.

    Manuel Rosa (continuando a desmascarar o impostor Colombo)

    J. C. S. J. disse...

    Na resposta que lhe dei em 24 de Julho informeio-o que tinha emprestado o meu exemplar do livro, nas margens do qual estão as minhas notas.
    Recomendo também a leitura da resposta acima a SAS.

    Seja como for, publicando a imagem do documento no site, transcrevendo-o ou mencionando-o, deveria dar dele a referência arquivística, pois essa é uma das normas mais elementares do trabalho historiográfico.

    Anónimo disse...

    Caro J.C.S.J

    O documento é este:

    doc. 22 – Emprazamento de várias terras de pão e herdades em Campolide – 1475.01.04 COTA ACTUAL: Mosteiro de Santos o Novo de Lisboa, doc. 477


    Existe outro documento que não tenho a imagem:

    doc. 10 – Emprazamento de uma vinha no Ribatejo – 1375.03.15 COTA ACTUAL: Mosteiro de Santos o Novo de Lisboa, doc. 1483

    Embora estes estão no arquivo de Santos-o-Novo pertencem a Santos-o-Velho.


    Devem ainda de existir muitos mais relacionados com o Mosteiro de Santos o Velho que falam de Filipa Moniz, dos Perestrelos (o irmão Bartolomeu II deveria de ser também membro de Santiago) e dos seus negócios com a Ordem de Santiago.

    Ainda devem de existir alguns documentos de heranças, ou mesmo de dote e contracto de casamento com o verdadeiro nome do marido de Filipa Moniz.

    Por isso algum investigador lendo um documento que diz que o rei pagou dote para o casamento de Filipa Moniz com João Ratão ninguém vai entender que o insignificante marido de Filipa Moniz- o João Ratão- mais tarde era conhecido como Cristóvão Colôn.

    É PRECISO TER OS OLHOS BEM ABERTINHOS.

    Quando se encontrar esse documento o mistério Colombo não será somente revelado mas resolvido.


    Manuel Rosa (seguindo provando que a história do mundo não é mal feita, é simplesmente mal relatada).

    J. C. S. J. disse...

    «doc. 10 – Emprazamento de uma vinha no Ribatejo – 1375.03.15 COTA ACTUAL: Mosteiro de Santos o Novo de Lisboa, doc. 1483»

    Não vale a pena perder tempo com este documento.

    Anónimo disse...

    Caro J.C.S.J.

    Bom trabalho na transcrição do documento esclarecendo a data de 1475 que prova o seu post anterior estava muito longe dos factos.
    Entende-se que o anterior era um atento a entender um pedacinho do documento que eu meti no meu site que não dava para ler.

    Sobre o outro documento não se deve pensar que é uma perca de tempo com os documentos.
    Segundo o Prof. Joel Mata nos documentos de Santos está esclarecido as datas de residencia de Filipa Moniz

    Residente em Santos desde 1465.01.04 até 1479.01.20

    E que a sua residência lá consta nestes dois documentos:

    - A.N.T.T., Mosteiro de Santos, cx.6, m.u., nº22

    - A.N.T.T., Mosteiro de Santos, cx.19, m.3, nº10

    Eu não consegui ver o nome de Filipa no segundo mas também não levei muito tempo a ler-lo pois quando vi o nome de Filipa no outro foi bastante para confirmar o que o Prof. Mata escreveu.

    Se o nome não está no segundo documento ou o Prof. Joel Mata apontou o numero errado ou então a TT tem o documento errado na caixa 19.

    Cumprimentos,
    Manuel Rosa

    Anónimo disse...

    !!!!!! J. C. S. J. said...

    Mea Culpa.
    Escapou-me no meio de tanto ruído que o livro tem e agora também não tenho acesso ao mesmo.
    No entanto, há muita gente que não leu - nem vai ler - o livro mas que gostaria de poder confirmar - ou negar - a validade do documento para a determinação de quem é Filipa Moniz, esposa de Cristóvão Colombo.
    E afinal quem é que tem medo de apresentar provas?

    Quarta-feira, Setembro 12, 2007 2:00:00 PM!!!!!!!!!!!

    Esqueceram de meter o resto da frase: "No entanto, há muita gente que não leu - nem vai ler - porque o nosso trabalho aqui é fazer com que ninguém leia para não conhecer a verdade e assim entenderem que estávamos errados nos nossos preconceitos de um geneovês Colombo.

    J. C. S. J. disse...

    A liberdade individual para ler (ou escrever) o que se quiser é sagrada e não é da minha competência proibir ou autorizar quem quer que seja a fazê-lo.
    Fazendo uso dessa liberdade, usando-a de forma livre, responsável e conforme às boas práticas da arte, limitamo-nos a dizer o que pensamos, não pondo na boca, ou na pena, dos outros aquilo que não disseram.
    O irónico de tudo isto é que este texto, tratando de especulação, já tem muitos comentários, enquanto o texto sobre a leitura do documento em causa ainda não tem nenhum. Porque será?

    J. C. S. J. disse...

    Manuel Rosa escreveu o seguinte no Fórum Genrall.Pt:

    «"Não vale a pena perder tempo" 02-10-2007, 11:08
    Autor: kolon [responder para o fórum] Caro Francisco,

    Muito mais importante para mim é implicado na attitude de não querer saber a verdade no seguinte comentário pelo Historiador que se propôs a tarefa de antagonizar o meu trabalho mesmo antes deste saír ao público contactando aliados noutro Fórum para a tarefa de formar um blog de Pseudo-História Colombina mas cuidadosamente (já lá dizia) sem usarem os seus nomes se a caso as coisas derem para o torto.


    " J. C. S. J. said...
    «doc. 10 – Emprazamento de uma vinha no Ribatejo – 1375.03.15 COTA ACTUAL: Mosteiro de Santos o Novo de Lisboa, doc. 1483»

    Não vale a pena perder tempo com este documento.

    Quarta-feira, Setembro 26, 2007 2:19:00 PM"
    https://www.blogger.com/comment.g?blogID=585530464253412436&postID=327428207441554982

    Esta é mesmo uma miserável attitude para uma pessoa que se chama historiador no nosso país.

    "Não vale a pena perder tempo" em buscas sobre a verdade mas aparentemente vale a pena sim perder tempo em contrariar e a atacar qualquer frase que não seja "colombo italiano"

    Cpts,
    Manuel Rosa»

    O Senhor Manuel Rosa destrambelha, falha para com a verdade e insulta-me.
    Transcrevo para aqui parte do comentário que deixei neste mesmo blogue em resposta à mesma acusação falsa que faz no fórum:
    «(…) este blogue foi criado na sequência do que se passou na Wikipédia Lusófona. Caso esteja esquecido tendo eu e outros colegas constatado a adulteração da entrada sobre Cristóvão Colombo chamámos à atenção dos leitores, na secção de comentários da mesma entrada, para o facto de algumas ideias aí explanadas serem altamente contestadas pela comunidade científica, comentários esses que foram sistematicamente apagados. Isto aconteceu em Novembro de 2006. Se falha na verdade do que se passou há menos de um ano como falhará no que se passou há mais de 500?»
    Qualquer um destes factos pode ser comprovado por quem o quiser fazer vendo os históricos do artigo e dos comentários na Wikipédia e comparar com as datas deste blogue no próprio sítio ou nas gravações e impressões que tenha efectuado do mesmo.

    Quanto ao referido documento (doc. 10 – Emprazamento de uma vinha no Ribatejo – 1375.03.15 COTA ACTUAL: Mosteiro de Santos o Novo de Lisboa, doc. 1483), basta alertar para a data (1375) facto que pude comprovar com o documento na mão.
    Se este documento interessar a Manuel Rosa, ou a qualquer dos seus seguidores, só tem que se dirigir à Torre do Tombo e lê-lo… se for capaz!