A bem da verdade, a haver enigma e pelo princípio da Navalha de Occam, a solução deverá passar pela decifração dos caracteres latinos; ainda assim a opção de Ribeiro pelos caracteres gregos (mais ou menos) é mais plausível que o recurso por Mascarenhas Barreto a caracteres hebraicos lidos através da Cabala (seja lá isso o que for) para obter o nome Salvador Fernandes Zarco, o qual para Manuel da Silva Rosa se tornou na hipótese mais provável para o nome dum Cristóvão Colombo português.
sexta-feira, 15 de dezembro de 2006
Patrocínio Ribeiro - Cristóvão de Colos
A bem da verdade, a haver enigma e pelo princípio da Navalha de Occam, a solução deverá passar pela decifração dos caracteres latinos; ainda assim a opção de Ribeiro pelos caracteres gregos (mais ou menos) é mais plausível que o recurso por Mascarenhas Barreto a caracteres hebraicos lidos através da Cabala (seja lá isso o que for) para obter o nome Salvador Fernandes Zarco, o qual para Manuel da Silva Rosa se tornou na hipótese mais provável para o nome dum Cristóvão Colombo português.
quinta-feira, 14 de dezembro de 2006
Nacionalidade Portuguesa de Colombo por Casamento
Não se quer com isto dizer que ele seja estrangeiro de nascimento nem o seu contrário; tal como não se quer deitar fora a "certeza" presente de que ele foi casado com Filipa Moniz, e que esta era quem se tem dito que era.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006
Patrocínio Ribeiro - a família da esposa de Cristóvão Colombo
HENRIQUE MONIZ, alcaide-mór de Silves, casou em 2.as núpcias com D. IGNEZ PEREIRA, filha de D. Diogo Alvares Pereira e, entre outros filhos, geraram:
VASCO MARTINS MONIZ
que, passando á ilha da Madeira, fixou residência no Machico, e ali casou por três vezes, sendo a última com D. Joana Teixeira, filha de Lançarote Teixeira, o velho, e de D. Brites de Gois, neta paterna de Tristão Vaz, 1.º capitão donatário do Machico, e de sua mulher D. Branca Teixeira, da casa fidalga dos Teixeiras, de Vila Real, e neta materna de João do Rego e de sua mulher D. Brites de Gois. Vasco Martins Moniz faleceu na vila do Torrão, onde residia sua mãe já bastante idosa. Do seu casamento com D. JOANA TEIXEIRA,
nasceram:
GARCIA MONIZ
de quem não falam os
genealogistas.
DIOGO GIL MONIZ
Foi reposteiro-mór e vedor da fazenda do infante D. Fernando, senhor de Beja, onde tinha casa. Era casado com D. Leonor da Silva, filha de Ruy Gomes da Silva, senhor da Chamusca e Ulme, e de D. Branca de Sousa, irmã do 1.º conde de Abrantes. Dêste casamento nasceu D. Francisca da Silva, que casou com D. Sancho de Noronha. 3.º conde de Odemira; ela faleceu antes de 1521 e foi sepultada no convento de Santo Antonio de Odemira. Diogo Gil Moniz exerceu com sua irmã viuva, D. Izabel Moniz, a tutoria de seu sobrinho Bartolomeu Perestrelo, durante a menoridade dêste.
FREI CHRISTOVAM MONIZ
Era da Ordem dos Carmelitas. Foi bispo titular de Reona, e coadjutor do bispado de Evora. Sendo eleito prior do convento do Carmo, em Lisboa, no ano de 1510, exerceu o cargo até 1522. Em 1528, coma bispo, sagrou a igreja de Colares.
D. IZABEL MONIZ
Foi a 3.ª mulher de Bartolomeu Perestrelo, primeiro donatário da ilha de Pôrto Santo. Quando seu marido faleceu na vila da Baleira, da referida ilha, recolheu-se a casa de seu pai com os seus dois filhos Bartolomeu de 7 anos, e Filipa, de 5, vendendo a capitania de Pôrto Santo a Pedro Correia da Cunha, casado com D. Iseu Perestrelo, filha de Bartolomeu Perestrelo e de sua segunda mulher D. Brites Furtado de Mendonça, venda esta que seu filho mais tarde fez anular. Exerceu a tutoria de seus filhos menores conjuntamente com seu irmão Diogo Gil Moniz. Do seu casamento com Bartolomeu Perestrelo parece ter havido os seguintes filhos:
BARTOLOMEU PERESTRELO
Casou com D. Guiomar Teixeira, que assassinou, e em segundas núpcias com sua cunhada D. Solana Teixeira.
FILIPA MONIZ DE MELO
que casou com Cristovam Colombo.
BRIOLANJA ou VIOLANTE MONIZ
que casou com Michelle Muliarte.
Gabrielle Pelestrello e Bartholine Biforti geraram FILIPPONE PELESTRELO, que casou com D. CATHARINA DE MELO
Dêste casamento nasceu:
BARTOLOMEU PERESTRELO
da casa do Infante D. Henrique, e o primeiro donatário da ilha de Porto Santo, para onde fôra com alguns colonos do continente
Casou com D. Margarida Martins, que assassinou.
Casou em segundas núpcias, com D. Brites Furtado de Mendonça, filha do capitao-mór do mar Afonso Furtado, de quem teve:
D. FILIPA, que casou com Mem Rodrigues de Vasconcelos, comendador do Seixo e senhor das terras do Caniço (Madeira).
D. CATHARINA FURTADO, que casou com João Teixeira, 3.º filho do 1.º capitão donatário do Machico, Tristão Vaz.
D. ISEU PERESTRELO, que casou com Pedro Correia da Cunha, proprietário da quinta da Charneca, perto de Lisboa, onde faleceu em 1499. Dizem alguns nobiliários que tambem foi capitao da ilha Graciosa.
Casou em 3.as nupcias com D. ISABEL MONIZ, filha de Vasco Martins Moniz e de D. Joana Teixeira, de quem teve:
BARTOLOMEU PERESTRELO
Que era menor de oito anos quando seu pai faleceu. Foi tutelado por sua mãe e seu tio Diogo Gil Moniz. Embarcou em Lisboa para Larache, afim de tomar parte nas guerras de Africa. Após alguns anos de ausência, voltou á Madeira e, instigado por seu cunhado Mem Rodrigues de Vasconcelos, promoveu uma demanda a seu cunhado Pedro Correia da Cunha, para anulação do contracto da venda de Pôrto Santo, efectuado por sua mãe durante a sua menoridade. Venceu esta demanda em 15 de Março de 1473. Casou com D. Guiomar Teixeira, filha do navegador Tristão Vaz e de sua mulher D. Branca Teixeira, de quem teve um filho chamado Bartolomeu e, assassinando sua esposa por adultério, casou em segundas nupcias, com a irmã dela D. Solana Teixeira.
D. BRIOLANJA ou VIOLANTE MONIZ
Que casou com Michelle Muliarte, e residiam em Huelva, onde Colombo os foi procurar, quando saíu de Portugal, em 1484. Parece que já tinha enviuvado no começo do século XVI, pois Diogo Colombo, filho do navegador, no seu testamento de 16 de Março de 1509, determina o seguinte: Manda vintiseis. Item manda que a mi tia Brigulaga (sic) Moniz seran dados por sus tercios veinte mil maravedis en cada un año mientras que viviere para sus necessidades computados los dies mil marevedis que la salia dar. Diogo Colombo, irmão do descobridor, tem no seu testamento a seguinte verba tambem: Item, mando que se paguem a Briolanza Muñiz diez ducados de oro, en lismonai, e perdoa-lhe uma divida antiga de oito mil maravedis.
D. FILIPA MONIZ DE MELO(1)
Esteve no mosteiro de Santos, segundo diz o autor da Vida del Almirante. Parece que faleceu no Funchal, onde seria sepultada. Casou com Cristovam Colombo, de quem teve:
DIOGO COLOMBO
que casou, em Castela, com D. Maria de Toledo, e geraram:
IZABEL DE COLON
que, em 3 de Maio de 1531, casou com D. Jorge de Portugal, conde de Gelves, viuvo já de D. Guiomar de Ataíde.
(1) Conforme o costume entre as famílias portuguesas do século XV, adoptou o apelido do avô materno (Vasco Martins MONIZ) e o da avó paterna (D. Catharina de MELO).
terça-feira, 12 de dezembro de 2006
A Nacionalidade Portuguesa de Cristóvão Colombo e as Quinas

Barbosa Soeiro, como visto anteriormente, dá início à interpretação cabalística; esta, desenfreada nas mãos de outros autores, vai atingir o paroxismo em O Português Cristóvão Colombo..., que na p. 544 vai mais longe que qualquer outro na interpretação das armas, não escapando, inclusive, o esquisito detalhe na base:
(...) esta inovação – pretensamente consentida por Colon-Zarco – é passível de justificação, por representar, no chefe da ponta, a câmara esotérica; e Câmara era o nome de nobilitação concedido a João Gonçalves Zarco e transmitido a todos os seus descendentes. E em banda vê-se o símbolo alquímico-templário da crisopeia: o ouro conseguido sobre a prata da argentopeia. Também a representação da «terra firme» no terceiro quartel do escudo se justifica, porque Colón-Zarco (conquanto só a tivesse explorado, para os Reis Católicos, no decurso da sua 4ª viagem às Antilhas, em 1504) já declará-la tê-la descoberto muito antes da primeira expedição. Quanto ao quarto quartel do escudo, reservado pelos Soberanos de Espanha pa «las armas vuestras que solíades tener», supõe-se logicamente que seriam os besantes (não de prata como os das «quinas» das armas de Portugal e dos Infantes, mas de ouro), em campo azul, que o almirante, precavidamente, teria substituído por ancoretes (ou ancorotes), correspondentes aos angoroths hebraicos, ou seja, precisamente, as mesmas moedas simbólicas. E segundo a nossa tese, tê-lo-ia feito para que o supusessem filho de uma Henriques e não de uma Zarco de comprometedora ascendência judaica.
Desta pérola para cá, é o ocaso.
segunda-feira, 11 de dezembro de 2006
As armas de Cristóvão Colombo e as Quinas

Em cima, da esquerda para a direita: Armas de Barbudo, Guedes, Coutinho.
Em baixo, pela mesma ordem: Machado, Maldonado, Velho.
Em que é que diferem de parte das armas de Cristóvão Colombo e das «Quinas» das armas nacionais?
domingo, 10 de dezembro de 2006
Barbosa Soeiro - Assinatura de Colombo
Confesso que após duas leituras deste texto ainda não consigo formular uma dúvida que seja. Não compreendo rigorosamente nada.
Barbosa Soeiro, «A Assinatura de Colombo sob o Aspecto Cabalístico», in Patrocínio Ribeiro, A nacionalidade portuguesa de Cristovam Colombo. Solução do debatidissimo problema da sua verdadeira naturalidade, pela decifração definitiva da firma hieroglífica (...), Lisboa, Liv. Renascença, [1927].
SOB O ASPECTO CABALÍSTICO
Cristovam Colombo – é ponto de fé para mim – teve certos conhecimentos das chamadas sciências ocultas, quer adquiridos directamente nalguma associação secreta do tempo, onde estives se filiado, quer tomados dalgum iniciado na mesma sociedade, ou de qualquer amigo que cultivasse tais sciências. Dada a possível origem israelita de Colombo, é facil supor como êle os poude obter, porventura dalgum intimo que fôsse conhecedor da cabala.
* *
A forma como Colombo extraíu das armas portuguesas o brazão que usava – descoberta por Patrocínio Ribeiro – indica, para mim, o dedo de pessoa acostumada a manejar assuntos referentes a Cabala. Pela primeira figura se verifica como Colombo fez a transformação de escudetes em âncoras.

Cada ancora foi construída sôbre 5 pontos dispostos em cruz, fazendo passar por 3 pontos, respectivamente, o segmento rectilíneo e o segmento de curva. Assim:

Pode verificar-se o seguinte: a linha recta passa por 3 pontos (ternário); a linha curva passa, também, por 3 pontos (ternário). o numero cabalístico 3 duas vezes repetido (3+3), uma das vezes para indicar uma linha recta e outra para indicar uma curva (linhas antagónicas) revela-nos o hexagrama:
Linha recta, passando por 3 pontos, pode significar.

Linha curva, passando por 3 pontos, pode significar.

Ancora, formada pelas duas linhas antagonicas, pode significar

Cada ancora equivale, pois, a um hexagrama. Cumpre ainda notar que os hexagramas sao 5, e cada um dêles tem o valor cabalístico de 6; teremos, pois:
3+0=3
segundo uma simples operação cabalística.
Existe, portanto, no brazão de Colombo o número cabalístico de 3. Existe, também, o de 5, se considerarmos cada hexagrama uma unidade. Existe ainda o de 7, porque sendo de 25 o numero total de pontos, sôbre que os hexagramas foram construídos, obteremos por uma operação:
Aliás, a disposição dos pontos em cruz, já nos revelava o quaternário, que pode corresponder ao hexagrama, representando a linha vertical o triângulo de vértice superior e a linha horisontal (antagónica da vertical) o triângulo de vértice inferior:

Sendo Colombo português, e de origem israelita por ventura, é interessante constatar como êle, ou alguem por êle, conseguiu extrair do escudo das armas de Portugal, um escudo novo, auxiliado pela Cabala.
Cumpre referir que a âncora, bem coma o hexagrama, fazem parte do simbolismo de certos Ritos Rosacrucianos.
* *
Passemos agora á assinatura de Colombo. É esta:
.S. A .S.
X M Y
XPOFERENS
Analisemos a parte superior da assinatura:
.S. A .S.
X M Y
Vemos 3 SSS, dispostos segundo os vértices dum triângulo cada um deles ladeado por dois pontos.
.S. .S.
Aqui se revela o ternário (3) e cada letra, ladeada por dois pontos, pode aludir ás duas significações com que elas são usadas na Franc-Maçonaria:
ou então:
Os 2 pontos juntos de cada S podem querer significar tambem, que se deve duplicar o triângulo, obtendo-se assim que apareça o hexagrama:

Se unirmos por três linhas as letras, 3 a 3, obteremos:

Revelando-se assim a cruz de 5 braços, que aparece em certas associações herméticas, e que pode corresponder ao tetragrama, visto que é uma cruz.
O contôrno da parte superior da assinatura é pentagonal, o que nos revela o pentagrama (5):

Se contarmos as letras desta figura verificamos serem 7.
Temos, pois, na parte superior da assinatura, os números cabalísticos 3, 5, 7, o tetragrama e o hexagrama.
Na parte inferior da assinatura ha 9 letras:
o que indica, talvez, da parte de Colombo, um grau de iniciação elevado pela apresentação dêste numero.
O simbolismo, revelado na asinatura de Colombo, pertence a certos ritos rosacrucianos, e pode tambem fazer parte das doutrinas secretas dos Templários.
Tenho razoes para crêr (o que seria tango expôr aqui) que a Ordem do Templo, apesar de extinta no tempo de D. Diniz, subsistiu em Portugal, trabalhando activamente, porventura bem protegida, de forma a escapar as horrendas perseguiçôes que os católicos apostólicos e romanos exerciam nos que não eram católicos, segundo a sua ortodóxia.
sábado, 9 de dezembro de 2006
Zarco, Zargo e Zarga
Zarco, adj. (do ár. zarka, fem. de azrak, azul, de olhos azuis). Que tem os olhos azul-claros. Que tem malha branca em volta de um ou de ambos os olhos (falando-se dos cavalos, dos touros, etc.). vol. XII.
Zarga, s. f. prov. beir. Mulher má; bruxa.
Zargo, s. m. Zol. Género de insectos coleópteros da subordem dos adéfagos, família dos Coraliídeos, a que pertencem espécies da fauna da Madeira.
Zarco, adj. Do ár. zarqã’, «(a) que tem olhos azuis», f. de azraq, «azul; de olhos azuis; brilhante». Este adj. aparece com frequência do séc. XV, em documentos que mencionam o célebre navegador João Gonçalves Zarco, voc. por vezes também escrito Zargo. Descobriu como se sabe a ilha de Porto Santo em 1418. O apelido é, porém, mais ant., pois que já corria na época de D. Dinis; assim: «Joã zarco jurado e preguntado sobre los sanctos Auangelhos se quando El Rey don Sancho fazia frota...», em Desc., I, p. 47. Zargo em 1447: «Eu Johã Gonçallvez zargo caualejro da casa do Jfante dom anrique...», Desc., I, p. 453.
sexta-feira, 8 de dezembro de 2006
Resposta à pessoa que assina como Manuel Rosa
Por se constatar que, de há muitos anos para cá, ideias erradas sobre a vida e, principalmente, as origens de Cristóvão Colombo têm tido receptividade junto do grande público e como também se tem a consciência de que o trabalho dos historiadores acaba frequentemente por não sair dos círculos científicos, muito por causa de limitações financeiras que relegam a divulgação para um plano secundário, criou-se esta página.
Quando em 1916 Patrocínio Ribeiro tece algumas considerações sobre a vida de Colombo estava longe de imaginar o que se seguiria. De então para cá muito se escreveu dentro da mesma linha, repisando as mesmas ideias, inclusivamente copiando-as sem o devido crédito, e frequentemente com pouco siso. O aproveitamento político de então deu lugar a outros interesses e aproveitamentos de que é única vítima o público que confia no que é impresso, pressupondo haver por detrás um juízo científico rigoroso e avalizado.
No entanto, e quanto à crítica prévia, as coisas não funcionam assim e ainda bem, já que deste modo ninguém poderá acusar alguém de censura e de coarctar ideias porventura inovadoras. Agora, não se pode esperar que depois da divulgação pública de ideias estas sejam acolhidas sem crítica. A crítica é essencial à validação do conhecimento, caso contrário têm-se dogmas.
O anonimato dos autores desta página é propositado por várias razões:
1. Evitam-se ataques pessoais e/ou institucionais.
2. A formação ou ausência dela não devem ser tidos como causa de crédito ou descrédito.
3. A objectividade da crítica não se mede pelo estatuto de quem critica.
4. Cada um avaliará se as críticas têm ou não razão de ser e independentemente do nome que estiver por detrás delas.
5. Tal como referiu não sabe quem somos, portanto não pode avaliar quem não conhece.
6. O que interessam são as ideias, os argumentos, as justificações, as provas.
Acerca da nacionalidade de Colombo, o problema só surgiu em finais do século XIX no quadro dos nacionalismos. Isso deverá querer dizer qualquer coisa, não?
Como já foi referido, o nome Cristóvão Colombo designa a pessoa que chegou ao Novo Mundo em 1492. Podem fazer-se as opções gráficas que se quiserem mas a pessoa é a mesma. D. Taraja ou Tareja não é conhecida como tal mas como D. Teresa pois é essa a grafia actual do nome. O mesmo se passa com a personagem bíblica Isaac que se pode escrever Yshaac, Ysaac, Isac, Isaque... O que interessa é o homem ou a mulher; o nome não é a coisa em si, ou seja não é a essência, a realidade ou a verdade, pois essas são inatingíveis ao Homem.
A crítica, tal como Descartes e Kant a descrevem, serve para verificar se existe um método e, existindo, a sua consistência. A crítica não pretende substituir-se à tese, apenas a quer validar ou não. Quem critica pode não saber tanto como o criticado, pois também, pondo em linguagem simples, um treinador ou um crítico desportivo não é obrigado a ser melhor desportista que os desportistas que treina ou critica.
Acerca do livro, temos opiniões diferentes.
No que diz respeito à história de Colombo muito foi e será escrito. Contudo, no que diz respeito à comunidade científica o assunto está resolvido até que surjam melhores provas, pois até agora não foram apresentadas e o que é agora apresentado como tal já foi rebatido a seu tempo. O mais recente livro vai sendo criticado – em História há sempre tempo.
O grande problema consiste na dificuldade em fazer transparecer para o grande público o que circula pela comunidade científica e pelos meios académicos. Esta página, nesta matéria, tenta ajudar a combater a situação pretendendo fazer a ponte entre a comunidade científica e o grande público.
Como nota de carácter meramente pessoal, para a minha participação na presente página muito contribuiu que me tivessem censurado na Wikipédia. A censura, tal como tive oportunidade de dizer na altura, é a arma dos que não têm argumentos. Ou seja, a censura da minha liberdade de expressão levou-me a reagir, pois considero que ninguém tem o direito de me calar. Mas mais importante do que isso é a possibilidade de retribuir à comunidade aquilo que ela investiu em mim.
Bibliografia da controvérsia (05)
- RIBEIRO, Patrocínio. A nacionalidade portuguesa de Cristovam Colombo. Solução do debatidissimo problema da sua verdadeira naturalidade, pela decifração definitiva da firma hieroglífica / The Portuguese nationality of Christopher Columbus. The much discussed problem of his actual nationality at last disposed of through the conclusive decifration of his hieroglyphic sign, Lisboa, Liv. Renascença, [1927].O capítulo «A Assinatura de Colombo sob o Aspecto Cabalístico» é da autoria de Barbosa Soeiro.
- RIBEIRO, Patrocínio. O caracter misterioso de Colombo e o problema da sua nacionalidade, Coimbra, Imp. da Universidade, 1916, Sep. Academia de Sciencias de Portugal, 1 serie, t. 5.
- RIBEIRO, Patrocínio. Será Colombo português?, 1.ª ed., Lisboa, Prefácio, imp. 2000. É na realidade uma reedição da edição de 1927 com outro título.
quinta-feira, 7 de dezembro de 2006
Ponto da Situação
- O objecto desta página é a Pseudo-História Colombina. Ou seja, quer-se criticar escritos que se pretendem passar por obras historiográficas sérias, mas que não passam de construções mais ou menos complexas sobre erros básicos de leitura de documentação ou de interpretação mais ou menos manipulada para corresponder a teorias preconcebidas.
- O protagonista desta página é Cristóvão Colombo, nome em português do navegador que chegou ao Novo Mundo em 1492, independentemente das grafias usadas ao longo dos tempos, dos nomes adoptados pelos diversos autores que escreveram sobre o assunto, das traduções do nome para diversas línguas e suas divergências, ou de invenções puras de heterónimos que lhe queiram imputar.
- Neste sítio não se criticam pessoas e muito menos se insultam. Apenas se criticam ideias e construções teóricas feitas por alguns autores sem terem qualquer base documental ou factual e tendo-a não a interpretam correctamente ou deturpam-na.
- A História faz-se essencialmente com documentos e factos, mas também aceita indícios e construções teóricas se tiverem uma base bem fundada e uma boa argumentação resultante dum método que há milhares de anos tem vindo a ser definido pelos historiadores. Esse método pressupõe a crítica do autor sobre as suas fontes, mas também deve ser avalizado pelos outros historiadores e pela sociedade em geral que cada dia é mais global.
- As ideias têm de sobreviver à crítica, pois sem ela não há História, há propaganda, há manipulação, há gato a ser vendido por lebre. Qualquer teoria que não resista à crítica mais superficial, que não resista a um sofisma que seja, não tem viabilidade enquanto proposta de explicação do real.
- A sociedade em geral deve estar consciente desta diferença, por isso se fez esta página pois o assunto está resolvido há muito tempo para a comunidade científica, pelo menos até que surjam boas provas em contrário.
quarta-feira, 6 de dezembro de 2006
Zargo e zarqa





segunda-feira, 4 de dezembro de 2006
Dar a mão à palmatória
Contudo, e não releva em nada o sucedido, seja um F, seja uma cruz, seja um maneirismo final meramente decorativo, não deixa de ser muito parecido com o monograma criptográfico de Cristóvão Colombo, tal como o designam Luciano da Silva, Manuel Rosa e Eric Steele.
Este meu erro tem o mérito de demonstrar a validade do princípio de Occam (KISS, posto de forma ligeira): a explicação mais simples é, provavelmente, a verdadeira. E esta última explicação é sem dúvida mais simples.
Ora é precisamente este princípio que está totalmente ausente nas dissertações referenciadas como tema deste sítio – um sítio que discute ideias e não pessoas!
Voltando ao meu erro, todos os erros têm explicação e este não é excepção:
fui negligente;
esqueci a lição em que um grande mestre de paleografia me chamou a atenção para o facto dos reis portugueses assinarem com uma cruz (5 pontos, quinas) depois da palavra Rei e que os espanhóis não o faziam, pondo o seu nome, excepto Carlos V que variava frequentemente a sua assinatura;
deixei-me levar pela tradição portuguesa da cruz e esqueci que os espanhóis podiam fazer diferente;
estava a seguir uma linha específica de raciocínio, essa sim importante, e esqueci que são os detalhes que mais contribuem para dar coerência e credibilidade ao todo.
A possibilidade de eu voltar a errar é grande, admito-o, e desejo ser corrigido quando assim for, pois não tenho pretensões à verdade e só quero ser honesto.
domingo, 3 de dezembro de 2006
Cristóvão Colombo: agente (pouco) secreto
O Mistério Colombo Revelado, pp. 153-154, confunde na resposta que dá à pergunta. Assim refere-se que a vida de Colombo é uma fraude intencional já que ele não é quem se diz ser. E é uma fraude com vários cúmplices, entre os quais os reis de Castela e de Portugal.
Não há prova documental da origem nobre, de qualquer forma de espionagem praticada por Colombo ou de os monarcas ibéricos terem jogado Colombo como espião da sua política internacional. Pelo Tratado de Alcáçovas-Toledo as novas terras descobertas estavam no território de Portugal e a sua posse seria obviamente disputada pelos reinos ibéricos, não faz qualquer sentido que o rei português enviasse um seu familiar com a proposta de descoberta de terras que lhe caberiam por direito e depois assentir na sua dádiva a Castela como que num gesto de boa vontade.
A «fraude intencional bem planeada contra o mundo» defendida no livro assenta na ideia de Colombo ser um espião duplo ao serviço de Castela e Portugal. Contudo não é plausível um plano secreto ser do conhecimento de muita gente e ainda assim ser bem sucedido.
Como é que o segredo foi mantido então e como é que nada transpirou para fora depois?
Então os Reis Católicos sabem quem Cristóvão Colombo é e deixam-no fazer o que se propõe?
Sabendo os Reis Católicos quem ele é e deixando-o fazer o que se propõe de que modo é que Castela ficaria debilitada por ele ser português?
Não casavam monarcas ibéricos entre si?
Não houve estrangeiros a servirem a Coroa Portuguesa sem que isso fosse motivo de preocupação ou de perigo para Portugal?
Porque razão haveriam os portugueses de querer afastar os castelhanos dum plano que estes não tinham?
Porque razão quereria D. João II lembrar aos castelhanos aquilo de que nunca se haviam lembrado?
Interpretações complexas necessitam de fundamentação sólida e boa argumentação lógica, o que não é o caso apresentado.
Não faz qualquer sentido a afirmação sobre as preocupações castelhanas sabedoras da nacionalidade portuguesa de Cristóvão Colombo, ainda mais quando isso é contraditado pela afirmação que imediatamente se segue.
Adenda
5-12-2006 13:30
Que linhagem havia para esconder?
Sendo a linhagem de Colombo um segredo de algibeira, conhecida em Portugal e Castela, para quê tanto trabalho a baralhar as provas?
sábado, 2 de dezembro de 2006
Assinatura de Colombo (04)
Confesso honestamente que o seu significado me escapa totalmente. No entanto vi escrito algures que os membros da Ordem de Cristo assinavam com algo de semelhante.
Correcção
4-12-2006
sexta-feira, 1 de dezembro de 2006
ADN de Cristóvão Colombo
(...) De ahí a que el último estudio que ha pretendido ahondar en los orígenes del Descubridor haya comparado las 477 muestras de ADN recogidas a españoles, franceses e italianos apellidados Colom y Colombo con parte de los restos de Hernando Colón, hijo del almirante. “Lamentablemente, hemos concluido que hasta la fecha no es posible determinar su origen, aunque somos optimistas porque en cuanto desarrollemos nuevas técnicas podremos comparar los cromosomas”, dijo [José Antonio] Lorente [Acosta, do Laboratorio de Identification Genética da Universidade de Granada](...)
Tem-se divulgado por essa Net fora que o estudo acima referido veio pôr de lado a hipótese de Cristóvão Colombo poder ser genovês, francês ou espanhol, deduzindo por exclusão de partes que seria português.
Contudo, perante a notícia e a informação disponível parece a qualquer pessoa de bom senso que não é isso de que se trata. O estudo ainda não conseguiu determinar a origem do Almirante, tendo única e aparentemente posto de parte a sua relação genética com as 477 amostras usadas.
Não se poderá sustentar qualquer tese com base neste estudo sem se saber as metodologias, as técnicas usadas e as suas conclusões e mesmo depois disso há que aguardar pela crítica da comunidade científica, que o validará ou não.
Até lá há que ter paciência.
quinta-feira, 30 de novembro de 2006
A (suposta) benção hebraica de Cristóvão Colombo

Mas, olhando atentamente para o documento que é apresentado, não se vêem as alegadas letras hebraicas, quer seja em letra de imprensa ou quadrada (tal como registado acima) quer na sua forma cursiva ou manuscrita, em que o beth é sensivelmente semelhante à forma de imprensa e o hê se pode descrever grosseiramente como dois semi-círculos.
O hebraico é escrito da direita para a esquerda, por isso não seria de esperar que a referida benção estivesse escrita no lado direito da página?
Esta ideia de caracteres misteriosos surge também no Mistério de Colombo Revelado na p. 510, fig. 16.14.
Bibliografia da controvérsia (04)
- SILVA, Manuel Luciano da. Os Pioneiros Portugueses e a Pedra de Dighton, Porto, Brasília Editora, 1974.
Trad. de Portuguese Pilgrims and Dighton Rock, Bristol, Nelson D. Martins, 1971.
- SILVA, Manuel Luciano da. «Columbus wasn’t Columbus», Massachusetts Academy Magazine, Outono-Inverno, Vol. III, n.º 3, 1989-1990, pp. 3-10.
quarta-feira, 29 de novembro de 2006
Como Colombo (não) mente
Sevilha, 21 de Dezembro de 1504
(...)
Sevilha, 29 de Dezembro de 1504
(...)
A minha interpretação dos documentos na forma apresentada:
Nacionalidade de Colombo (01)
Para provar este reconhecimento da nacionalidade portuguesa pela Corte castelhana apresenta-se na p. 71 fig. 2.4 um excerto dum documento que parece ser do Livro de Quintanilla (onde estavam registadas as doações de D. Isabel), apud Antonio Rumeu de Armas, p. 29.
Na imagem que consta reproduzida apenas se pode ver o seguinte:
“Item. Di mas a [espaço em branco] portugues este dia treynta doblas castellanas”
A ideia que perpassa é que no espaço em branco deveria constar o nome de Cristóvão Colombo (mas que não está como se pode ver pela imagem), provando-se desse modo a sua nacionalidade.
Não causa qualquer estranheza que logo na p. 72, se cite o mesmo livro de Quintanilla, aí sim com o nome Cristóbal Colomo dizendo apenas que ele era estrangeiro. Passo a citar a transcrição do referido Rumeu de Armas contida no Colombo Revelado na dita página:
“No referido dia, dei a Cristóbal Colomo, extranjero, três mil maravedis”.
De [espaço em branco] português passou a Don Cristoval Colon, que por sua vez passou a ser Cristóbal Colomo estrangeiro e tudo isto para provar que Cristóvão Colombo é Português.
Adenda
(29-11-2006 22:05)
O Mistério Colombo Revelado, p. 70.
Don Cristoval Colon era um nobre em Portugal que se mudou para Castela em finais de 1484, após se ter dado a traição para matar o Rei D. João II, e, segundo este documento da corte da Rainha D. Isabel, Don Cristoval Colon era «Português». Isto não é história fantasiada. O documento que o prova existe e não foi forjado ou interpretado incorretamente (ver Figura 2.4). Esta transcrição do documento foi retirada do livro El Português Colon de Antonio Rumeu de Armas, página 29.
Legenda da Figura 2.4, p. 71.
Figura 2.4: O Colon português. Esta secção do livro de registos de D. Isabel mostra que se referiam a Colon como português. Está escrito com toda a clareza na segunda linha após o espaço em branco, mas não lhe é dado nome. (...)
Das citações de dois sítios diferentes do livro só se pode concluir que Colombo é português.
A conclusão no livro baseia-se no documento cujo fragmento é apresentado (obviamente como prova) e que neste local se reproduz.
Honestamente, o documento em causa em lado algum diz que o espaço em branco é Colombo ou algum dos seus imaginários heterónimos.
Cuba (03)
Registo de 20 de Outubro de 1492:
(...) y después partir para otra isla grande mucho, que creo que deve ser Çipango, según las señas que me dan estos índios que yo traigo, a la cual ellos llamam Colba.
Por outro lado, encontram-se várias referências ao facto dos cubanos que Colombo encontrou chamarem à sua própria ilha Cubanacán.
A confirmar-se esta notícia, não se tornará muito difícil de deduzir que, por apócope, Cubanacán poderá ter dado origem ao actual nome de Cuba.
Outras referências há que podem indiciar a origem do nome Cuba como da kuban = o meu campo, a minha terra.
Faltam nesta nota referências e contextualização, mas tudo isto são vias de investigação e pesquisa que poderão ser exploradas para encontrar uma resposta satisfatória para o porquê do nome da actual ilha de Cuba.
segunda-feira, 27 de novembro de 2006
Bibliografia da controvérsia (03)
- ÁVILA, Artur Lobo de; FERREIRA, Saul dos Santos. Cristóbal Colón: Salvador Gonsalves Zarco, Infante de Portugal, Lisboa, Tip. Empresa Nacional de Publicidade, 1939.
- FERREIRA, G. L. dos Santos. Salvadôr Gonsalves Zarco: Cristóbal Colon, Lisboa, Centro Tip. Colonial, 1930.
Contém Os Livros de Dom Tovisco e Confirmações Históricas de António Ferreira de Serpa. - PESTANA Júnior. D. Cristóbal Colom ou Symam Palha na História e na Cabala, Lisboa, Imp. Lucas , imp. 1928.
domingo, 26 de novembro de 2006
Bibliografia da controvérsia (02)
- NAIA, Alexandre Gaspar da. A gênese do equívoco colombino: um Colombo corsário e um Colombo “lanério”, São Paulo, Secção Gráfica da Univ. de São Paulo, 1954, pp. 351-369, Sep. da Revista de História, n.º 20.
- NAIA, Alexandre Gaspar da. As concepções geográficas de Cristóbal Colon, São Paulo, Secção Gráfica da Univ. de São Paulo, 1954, pp. 201-209, Sep. da Revista de História, n.º 19.
- NAIA, Alexandre Gaspar da. Colombo e Colon: mentiras transitórias e verdades eternas, Lisboa, Petrony, 1956.
- NAIA, Alexandre Gaspar da. Cristóbal Colon: instrumento da política portuguesa de expansão ultramarina, Coimbra, Coimbra Ed., 1950.
- NAIA, Alexandre Gaspar da. D. João II e Cristóbal Colón: factores complementares na consecução de um mesmo objectivo, Coimbra, Coimbra Ed., 1951.
- NAIA, Alexandre Gaspar da. O problema colombino resolvido, São Paulo, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, 1954, pp. 353-384, Sep. da Revista de História, n.º 18.
sábado, 25 de novembro de 2006
Preconceitos
Mas, resolvi verificar uma outra linha de discussão que se prendia com a possibilidade de Colombo ser judeu. E então descobri algumas pérolas:
De acordo com um dos intervenientes as provas de ADN indicavam que Colombo não era judeu porque o ADN era dum europeu! Para além disso era ruivo e tinha olhos azuis.
Não podia ser judeu porque casou com a sobrinha do guarda-costas do rei e tinha um brasão de armas em Portugal, para além disso comunicava directamente com o rei de Portugal.
Ficamos a saber que os judeus não são europeus, não têm cabelo ruivo ou olhos azuis. Assim como também não tinham brasões de armas e muito menos comunicariam com o rei português. Fica-se também a saber que quem proferiu tais afirmações não conhece minimamente a sociedade portuguesa da Idade Moderna.
quinta-feira, 23 de novembro de 2006
Bibliografia da refutação (02)
- ALBUQUERQUE, Luís de. Colombo - Columbus, Lisboa, CTT, 1992.
- ALBUQUERQUE, Luís Mendonça de. Dúvidas e Certezas na História dos Descobrimentos Portugueses, 2 vols., Lisboa, Círculo de Leitores, imp. 1991.
Especialmente o vol. I, cap. X, «Lá vem Cristóvão Colombo, que tem muito que contar...», pp. 105-175. - COSTA, António Domingues de Sousa. «Cristovão Colombo e o Cónego de Lisboa Fernando Martins de Reriz, Destinatário da Carta de Paulo Toscanelli sobre os Descobrimentos Marítimos», Antonianum, n.º 65, Roma, Pontificium Athenaeum Antonianum, 1990.
- LANCASTRE e TÁVORA, Luís de. Colombo, a Cabala e o Delírio, Lisboa, Quetzal, 1991.
- MARQUES, Alfredo Pinheiro. «Epilogue: Triumph for da Gama and Disgrace for Columbus», Portugal: the Pathfinder. Journeys from the Medieval toward the Modern World. 1300-ca.1600, ed. de George Winius, Madison, Luso-Brazilian Review-University of Wisconsin, 1995, pp. 363-372.
- MARQUES, Alfredo Pinheiro. «O Sucesso de Vasco da Gama e a Desgraça de Cristóvão Colombo», Las Relaciones entre Portugal y Castilla en la Epoca de los Descubrimientos y la Expansion Colonial. Actas del Congresso Hispano-Português (Salamanca, 1992), ed. de Ana Maria Carabias Torres, Salamanca, Universidad de Salamanca - Sociedad V Centenário del Tratado de Tordesillas, 1994, pp. 181-194.
Reed. Biblos. Revista da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, vol. LXX, Coimbra, FLUC, 1994, pp. 119-137. - MARQUES, Alfredo Pinheiro. «Os Objectivos e as Teses deste Livro», Portugal e o Descobrimento Europeu da América. Cristovão Colombo e os Portugueses, 2ª ed., Lisboa, Círculo de Leitores, 1992.
- MARQUES, Alfredo Pinheiro. As Teorias Fantasiosas do Colombo "Português", Lisboa, Quetzal, 1991.
- MOURA, Vasco Graça. Cristóvão Colombo e a Floresta das Asneiras, Lisboa, Quetzal, 1991.
- SÃO PAYO, Luís de Mello Vaz de. «Carta aberta a um “curioso” de Genealogia», Armas e Troféus, IX Série, T. I, 1999, pp. 181-248.
- SÃO PAYO, Luís de Mello Vaz de. «Carta aberta a um agente secreto», Armas e Troféus, VII Série, T. I, 1996, pp. 5-53.
- SÃO PAYO, Luís de Mello Vaz de. «Primeira Carta Aberta a Mascarenhas Barreto», Armas e Troféus, VI Série, T. VI, 1994, pp. 5-52.
in Genea
Última actualização: 8-2-2008
Assinatura de Colombo (03)
Para a provar apresentam na p. 411 uma série de fotografias de documentos onde consta o famoso monograma perto da assinatura.

O chamado monograma é apenas a abreviatura de POR ou PRO com um maneirismo (algo que, ao longo dos tempos, é muito comum em início e fim de palavra), ou seja, é um P cortado (ver Borges Nunes, Abreviaturas Paleográficas, Lisboa, Faculdade de Letras, 1981, pp. 7 e 8 ou então passar uma temporada na Torre do Tombo a consultar documentação dos séculos XV e XVI).
Como é que se sabe que é uma abreviatura que se desenvolve por POR?
Porque se lê: “Por tu padre que te ama como a sy” onde se segue a assinatura.




Assinatura de Colombo (02)
Os mesmos autores que consideram Cristóvão Colombo, letrado de alta nobreza e conhecedor de diversas ciências não se espantam que o Almirante sistematicamente não saiba assinar o seu próprio nome.
Para além disso, Colombo não assinalava que se tratava duma abreviatura colocando um til ou sinal diacrítico por cima da palavra, tal como sempre fazia com XPO. Isto leva-me a concluir que afinal pode não ser uma abreviatura, e menos ainda será FERNANDES.
Tendo os autores razão, todos os documentos onde consta a assinatura de Colombo estão errados. Isto porque os autores têm a teoria que FERNES é a abreviatura de Fernandes e que XPO não é a abreviatura de Cristo mas sim Salvador. Assim sendo Cristóvão Colombo passou a chamar-se Salvador Fernandes de acordo com os mesmos. Por outros caminhos chegam à mesma conclusão que outros antes deles.
Os autores para provarem que o Fernandes vindo do FERNES que lá devia estar, mas não está (todas as assinaturas estão bem nítidas que é FERENS escrito em maiúsculas para não haver confusão), apresentam uma legenda dum quadro do século XVIII escrita em espanhol onde consta FERNZ (com o til indicando uma abreviatura).
Bom, a abreviatura em português do século XV e posteriores pode ser Ferz, Fez, Ffrrz ou Ffrz todas com til claro. Nunca encontrei uma abreviatura semelhante para Fernandes, muito menos sem um qualquer sinal diacrítico.
Brandão Ferreira - Cristovão Colom (01)
Este artigo mostra como as ideias veiculadas pela pseudo-história são apropriadas e reinterpretadas para serem postas ao serviço de ideais ou visões determinadas da sociedade.
Com esta observação não se quer significar que a História seja imune ao seu uso para fins ideológicos, contudo uma coisa é partir para uma reflexão política, ideológica, filosófica, ou qualquer outra com base na História outra coisa é fazer o mesmo partindo de pseudo-histórias. É que se num debate, ou pior ainda, numa acção, as premissas são diferentes os resultados necessariamente também o serão.
A História de Portugal regista no seu seio um número considerável de mistérios ou de questões que até hoje não foram completamente esclarecidos.
O mesmo sucede com a História Universal. Não há nenhuma especificidade portuguesa nos mistérios.
Estão neste caso entre muitas:
– A questão sobre o “milagre” de Ourique;
Os milagres são objecto da História? E será que Deus existe? E se existe dar-se-á ao trabalho de intervir nos assuntos humanos? E intervindo nuns, porque não noutros bem mais prementes, moralmente falando?
– O que se passou nas primeiras cortes de Lamego;
– As navegações para Ocidente a partir dos Açores;
– O que aconteceu ao espólio do Infante D. Henrique;
– O significado do Políptico de S. Vicente de Fora;
– O que se passou em termos de navegações entre a viagem de Bartolomeu Dias e a preparação da Armada de Vasco da Gama;
– O afastamento de Pedro Álvares Cabral de qualquer vida pública após a viagem em que descobriu oficialmente o Brasil;
Poderá simplesmente ter-se reformado, indo viver dos rendimentos.
– A reforma das Ordens Militares ao tempo de D. João III;
Isto é um problema?
– O desaparecimento de D. Sebastião em Alcácer Quibir;
Ao referir desaparecimento em vez de morte é porque tem dúvidas. Crerá assim no Mito do Encoberto?
– O Processo dos Távoras;
– A expulsão dos Jesuítas;
– O porquê da construção do convento de Mafra;
– A morte de D. João VI;
– O assassinato do Rei D. Carlos I;
– O desaparecimento das jóias da coroa portuguesa;
– E, mais recentemente, a morte do General Humberto Delgado e o caso Angoche.
Um bom rol de enigmas ao qual se poderia juntar outros, como por exemplo, a morte de D. João II, o porquê da Inquisição, a morte de Sá Carneiro ou o caso Saltillo.
Com tantos e aliciantes desafios é espantoso verificar quão diminuta tem sido a curiosidade dos portugueses em geral, em aprofundar estas matérias, o que apenas encontra paralelo no desprezo a eles dedicado pelos poderes públicos e pela comunidade científica.
Destaques meus. Há tantos aliciantes que alguns têm de ficar de fora.
Que poderes públicos a fazer história? Quer-se criar um Ministério da História que patrocine e vele pela ortodoxia da corrente ideológica que no momento detiver o poder?
As prioridades da comunidade científica não são as das comunidades pseudocientíficas.
Assinatura de Colombo e o Colombo Revelado
Ferens é latim e segundo o próprio autor (p. 27) designa uma forma verbal no presente que indica o movimento de fazer a travessia e transportar, trazer e levar. Ou seja, o movimento de ir e vir. Portanto pode significar apenas vam (forma antiga de vão). Assim, XPO + FERENS quer apenas dizer Cristovam ou Cristóvão em português de hoje.
O traço oblíquo final é “decifrado” como Colon pelo autor. No entanto o traço final (por vezes dois) é um sinal ortográfico que indica final de período, parágrafo ou documento. Era utilizado como hoje se usa o ponto e servia também para trancar o texto. Veja-se por ex. as imagens p. 115, fig. 4.1; p. 231, fig. 6.5A; p. 276, fig. 8.5. Isto só para recorrer a documentos que o próprio autor apresenta pois o mais comum paleógrafo está mais que habituado a eles.
Ainda hoje na linguagem html o sinal / quer dizer final ou fim de instrução.
quarta-feira, 22 de novembro de 2006
Cuba (02)
Homenagem a Cristóvão ColonA Câmara Municipal de Cuba, a Fundação Alentejo - Terra Mãe e o Núcleo de Amigos da Cuba irão levar a efeito, no próximo dia 28 de Outubro, na vila de Cuba, uma homenagem a Cristóvão Colon, com a inauguração de um monumento ao navegador no largo central da vila (actual Largo do Tribunal) e atribuindo o seu nome ao mesmo. A cerimónia terá início às 11h00m.
Trata-se de uma homenagem a tão ilustre navegador que sempre escondeu as suas origens e verdadeira identidade e que recentemente notáveis historiadores e pesquisadores concluíram ser português, nascido no Alentejo em Cuba, filho de D. Fernando então Duque de Beja e de Dona Isabel Gonçalves Zarco.
O dia escolhido para esta homenagem corresponde ao dia em que, há 514 anos, o navegador aportou à ilha a que deu o nome de Cuba.
terça-feira, 21 de novembro de 2006
Os censores ao serviço da pseudo-história colombina na Wikipédia
195.83.48.86
195.83.48.88
81.67.162.93
Exemplos de texto apagados na secção de debate do artigo
NORMAS DA WIKIPÉDIA E OUTRAS CONSIDERAÇÕES (COMENTÁRIO APAGADO VÁRIAS VEZES)
Normas da Wikipédia e outras considerações
De acordo com as normas da Wikipédia este artigo não cumpre os seguintes requisitos:
Não apresenta factos, mas sim opiniões.
Faz experiências colocando teorias sem base factual como se de verdades absolutas se tratasse.
Faz publicidade a um recente livro sobre Colombo provavelmente com objectivos comerciais.
Todos os factos compilados, estudados e analisados por historiadores e estudiosos do tema ao longo de centenas de anos são considerados pouco sérios. Apenas o é quem redigiu o actual artigo de Colombo.
As hipóteses são todas válidas têm é de ser comprovadas e neste artigo não há referência a fontes.
A Wikipédia quer factos e não hipóteses, teses ou especulações.
O artigo, tal como está e a continuar nesta linha, parece assentar no livro referido, o qual pela sua recente edição ainda não foi criticado pela comunidade científica.
O livro em causa segue teorias que têm sido sistematicamente refutadas pela comunidade científica, logo maior razão existe para que as informações por ele veiculadas sejam tomadas com a máxima reserva.
Na eventualidade das hipóteses veiculadas por esse livro se confirmarem, no todo ou em parte, devem constar em texto apenas as informações tidas como essenciais com a devida referência bibliográfica em nota. O nome dos autores e o seu livro deve constar somente na bibliografia, nunca em corpo de texto.
O artigo é sobre Colombo e não sobre quem escreveu sobre Colombo, isso é um outro artigo. Esse sim sobre as teorias existentes à volta de Colombo onde se poderão contrapor as diferentes teses e hipóteses.
É de mau tom ficar como está! Para além disso existem inúmeros trabalhos que seguem a mesma linha dos autores mencionados e que não são referidos. E já não se refere aqui os outros trabalhos de História de numerosos historiadores.— (...) 14:58, 20 Novembro 2006 (UTC)
-*-
Quem julga que é para me apagar os meus comentários? Se eu procedesse da mesma forma há que tempos que o artigo sobre Colomobo português tinha sido revertido para uma edicão de 2005. Pelo menos não envergonha os portugueses em geral e eu em particular! A censura é a arma dos que não têm argumentos. Veja-se o que aconteceu com a Inquisição e com a Pide. Por mais que se queira as pessoas pensam e sabem a diferença entre propagandas e História.—[o mesmo nome de utilizador de acima] 14:58, 20 Novembro 2006 (UTC)
Quem tem medo de ser confrontado com a crítica?
Como é que alguém pode querer silenciar ideias num sítio como este onde tudo fica registado?
Será que há gente tão estúpida que pensa que pelo simples apagar do que foi dito, as ideias desaparecem?
Será que os apoiantes, como se de um jogo de futebol se tratasse, desta tese absurda, julgam que por silenciar ideias discordantes estas deixam de existir?
Só quero ver quanto tempo é que estas observações vão permanecer no texto principal antes dos censores actuarem com a sua tacanha tesoura.
Da Censura em nome da verdade
O que se está a passar começa a ser vergonhoso.
Não se pode calar opiniões só porque não se gosta delas.
Esse tipo de comportamento é indigno de gente que pretende defender a verdade; uma verdade que parece querer impor-se pela violência como se fazia nos Reinos de Castela e Aragão do tempo de Cristóvão Colombo.
Quem defende as ideias expressas neste artigo teme porventura o exame crítico das mesmas?
Que motivos dissimulados movem quem tem e patrocina este tipo de comportamento inquisitorial?
Aliás, se alguém defende que o homem não se chama Cristóvão Colombo, porque não vai então para a entrada criada com o nome de um dos pretensos descobridores do Novo Mundo. Esta aqui é a entrada de Cristóvão Colombo e não a de Simão Palha, Salvador Gonçalves ou Fernandes Zarco ou de qualquer outro personagem ficcional criado sabe-se lá com que fins.
Agora deixe-se aqui fazer o que se deve fazer. Não me venham com a defesa do bom nome de Portugal, da sua honra ou do que quer que seja nesta linha ideológica bafienta e passadista, porque o bom nome de Portugal defende-se com o bom trabalho que hoje aqui se faz e não com invenções, censura e basófia. –(...) 23:29, 20 Novembro 2006 (UTC)
Nuova Raccolta Colombiana (1)
- AGOSTO, Aldo, et. al. Nuova Raccolta Colombiana [n.º 4]. I document genovesi e liguri, 2 vols., Roma, Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato, imp. 1992-1993.
- AIRALDI, Gabriella; FORMISANO, Luciano, eds. Nuova Raccolta Colombiana [n.º 5]. La scoperta nelle relazioni sincrone degli italiani, Roma, Instituto Poligrafico e Zecca dello Stato, imp. 1996.
Texto paralelo em latim e italiano. - ANGHIERA, Pietro Martire de. Nuova Raccolta Colombiana [n.º 6]. La scoperta del nuovo mondo negli scritti di Pietro Martire d'Anguiera, ed. Ernesto Lunardi, Elisa Magioncalda, Rosanna Mazzacane, Roma, Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato, imp. 1988.
- BALDACCI, Osvaldo. Nuova Raccolta Colombiana. Atlante colombiano della grande scoperta, Roma, Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato, imp. 1993.
Fac-símile, mapas. - BELLINI, Giuseppe; MARTINI, Dario G. Nuova Raccolta Colombiana [n.º 18]. Colombo e la scoperta nelle grandi opere letterarie, Roma, Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato, imp. 1992.
- CARACI, Ilaria Luzzana. Nuova Raccolta Colombiana [n.º 21]. Amerigo Vespucci, 2 vols., Roma, Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato, 1996-1999.
- COLOMBO, Cristóvão. Nuova Raccolta Colombiana [n.º 1]. Il giornale di bordo. Libro de la prima navigazione e scoperta delle Indie, introd. e notas de Paolo Emilio Tavani e Consuelo Varela, 2 vols., Roma, Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato, imp. 1988.
Abordam-se problemas paleográficos, linguísticos e literárias. - COLOMBO, Cristóvão. Nuova Raccolta Colombiana [n.º 2]. Relazione e lettere sul secondo, terzo e quarto viaggio, ed. de Paolo Emilio Taviani, et al., 2 vols., Roma, Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato, imp. 1992.
- FERRO, Gaetano, et. al. Nuova Raccolta Colombiana [n.º 11]. La Liguria e Genova al tempo di Colombo, 2 vols., Roma, Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato, imp. 1988.
Um vol. de mapas. - GAY, Franco. et. al. Nuova Raccolta Colombiana [n.º 17]. Le navi di Cristoforo Colombo, Roma, Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato, imp. 1993.
- LAS CASAS, Bartolomé de. Nuova Raccolta Colombiana [n.º 9]. Le scoperte di Cristoforo Colombo nei testi di Bartolomeo de las Casas, ed. Francesca Cantú, 2 vols., Roma, Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato, imp. 1993.
- MANZANO MANZANO, Juan. Nuova Raccolta Colombiana [n.º 15]. Cristoforo Colombo. Setti anni decisivi della sua vita: 1485-1492, Roma, Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato, imp. 1990.
- PISTARINO, Geo. Nuova Raccolta Colombiana [n.º 12]. Chio dei genovesi nel tempo di Cristoforo Colombo, Roma, Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato, [1995].
- UNALI, Anna, ed. Nuova Raccolta Colombiana [n.º 12]. Le scoperta di Cristoforo Colombo nelle testimonianze di Diego Alvarez Chanca e di Andrés Bernáldez, Roma, Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato, imp. 1990.Textos paralelos dos documentos em espanhol e italiano.
Nota: Estes livros podem encontrar-se na Biblioteca da Universidade de Coimbra.
segunda-feira, 20 de novembro de 2006
A Intolerância e a Pacatez
Chocam-me as pessoas que acusam a comunidade científica de intolerância, corporativismo e de elitismo e logo a seguir sejam os primeiros a ter tais comportamentos. Senão veja-se:
Recentemente consultei a Wikipédia e resolvi ver edições do mesmo artigo em línguas diferentes. Qual não foi o meu espanto ao ver dois excelentes artigos sobre a biografia e percurso de Cristóvão Colombo em inglês e espanhol e por contraponto em português estava um pequeno e mal amanhado conjunto de confusões. Resolvi então perguntar pelo rigor científico e fazer várias propostas. Resultado: apagaram as minhas críticas sistematicamente, mesmo depois de eu voltar a colocá-las em discussão.
Ou seja, quem acusa de intolerância é o primeiro a apagar os contributos dos outros, quando são vários a fazê-lo há corporativismo e revela ainda um elitismo e mania de superioridade que enoja. Quem detém a Verdade são os iluminados defensores do Colombo português, os outros são todos tão estúpidos que não percebem nada, nem nunca perceberam.
Também me choca que as pessoas que podem dar um contributo e que sabem do assunto fiquem caladas permitindo que vinguem as ideias e as propagandas construídas à volta do Colombo português.
A resposta é que não vale a pena e que é muito cansativo. Bom, e assim fica o artigo da Wikipédia escrito por maus escritores de ficção por demissão dos que percebem do assunto.
Quem fizer como eu e verificar as versões em diferentes línguas pode concluir que os portugueses estão a dormir na forma ou que não são bons profissionais. A ideia que fica é de que os portugueses inventam histórias e não sabem fazer um trabalho científico. Por causa disso é que a maior parte da historiografia estrangeira tem credibilidade e a portuguesa nem sequer é mencionada!
Cuba
Além do príncipe das Astúrias se chamar João, o pai de Isabel a Católica era João II, rei de Castela; O pai de Fernando o Católico era João II, rei de Aragão. Deste modo, dificilmente há razão para criar confusão com o homónimo rei de Portugal.
Juana (que em português se pode escrever sem escândalo Joana) era o nome da mãe de Fernando II de Aragão (o Católico) e da filha deste e de Isabel que acabou por ser a sua herdeira.
Chamar Joana à ilha não seria uma homenagem a esta(s)?
Aliás, não se descortina qual seria a diferença entre Juana e Juanina.
Há bastas razões para que a ilha recebesse o nome que recebeu, contudo alegar-se-á que Colombo jogou com todas estas ambiguidades, pois realmente pensava no Príncipe Perfeito, e foi para desfazer estas ambiguidades que chamou à ilha Cuba – um nome único, o da sua terra.
Mas ainda se voltará a este assunto.
domingo, 19 de novembro de 2006
Revista Militar e Colombo
sábado, 18 de novembro de 2006
No começo duma leitura do Mistério Colombo
Para já duas pequenas observações e ambas relativas à página 24.
1. Não sei de quem é a autoria do livro. Se de Mascarenhas Barreto, donde as premissas são copiadas; se dos autores, cujo nome figura na capa; se de Silva Rosa, pois é que se escreve: «Esta viagem levou-nos, a mim e ao meu colaborador (...)». O realce é meu e a implicação parece-me óbvia.
2. Os autores não se assumem como historiadores, embora eu esteja disposto a considerá-los como tal se se verificar que estamos perante uma obra historiográfica. Referem que querem investigar como um detective «e não como os historiadores têm feito». Logo não são historiadores e por isso vão fazer melhor.
Este último ponto leva a conclusões preocupantes ainda mais porque, nas palavras dos autores, os historiadores «inventam» e «forjam», além de no caso Cristóvão Colombo serem burros, incompetentes e inúteis, e isto pelo que se deduz do que já foi lido. Tendo os historiadores todos estes defeitos, não os terão também nos outros casos que investigam, estudam e concluem? Por esta via não se mina toda a historiografia feita por historiadores, deixando assim o campo livre a todos os que pretendem negar alguma coisa bem mais séria na História que a nacionalidade de Cristóvão Colombo, como, por exemplo, o assassínio dos judeus na II Grande Guerra Mundial?
Felizmente para o bem da verdade os autores convenientemente demarcam-se deste ofício.
Actualização de 5-11-2008:
A hiperligação para a Introdução do livro deixou de funcionar.
sexta-feira, 17 de novembro de 2006
Fontes (01)
- VARELA, Consuelo; AGUIRRE, Isabel. La caída de Cristobal Colón. El juicio de Bobadilla, Madrid, Marcial Pons, 2006.
Trad. Portuguesa:
- VARELA, Consuelo; AGUIRRE, Isabel. Colombo - A Queda do Mito, Casal de Cambra, Caleidoscópio, 2007.
Tem em apêndice a edição paleográfica da cópia do processo conduzido por Bobadilla.
Última actualização: 14-3-2007
Bibliografia da refutação (01)
- ALBUQUERQUE, Luís Mendonça de. Dúvidas e Certezas na História dos Descobrimentos Portugueses, 2 vols., Lisboa, Círculo de Leitores, imp. 1991.
Especialmente o vol. I, cap. X, «Lá vem Cristóvão Colombo, que tem muito que contar...», pp. 105-175.
quarta-feira, 15 de novembro de 2006
Apresentação
O ano da morte de Cristóvão Colombo é mais uma oportunidade para relançar sobre as origens e vida do Almirante das Índias de Castela velhas teorias que embora já amplamente rebatidas conseguem ganhar sempre novo alento, obrigando à constante repetição dos mesmos trabalhos e argumentos para a refutação dos erros quando não das fraudes.
Com seriedade e, quando for necessário, com humor, reunir-se-ão os erros e as fraudes, juntando-se-lhes as respectivas correcções quando possível e sempre que alguém tiver disponibilidade (sim, porque aqui trabalha-se de graça).
Bibliografia da controvérsia (01)
- BARRETO, Augusto Mascarenhas. O Português Cristóvão Colombo Agente Secreto do rei D. João II, 2.ª ed., Lisboa, Referendo, 1988.
- BARRETO, Augusto Mascarenhas. Colombo Português. Provas documentais, 2 vols., Lisboa, Nova Arrancada, imp. 1997.
- FERREIRA, João José Brandão. «A Questão Cristóvam Colom e a sua Actualidade para Portugal», Revista Militar, Maio 2006.
- ROSA, Manuel da Silva; STEELE, Eric J. O Mistério Colombo Revelado, Lisboa, Ésquilo, 2006.
- SILVA, Manuel Luciano da; SILVA, Sílvia Jorge. Cristóvão Colom (Colombo) era Português, QuidNovi, 2006.

